
A Vingança é Doce: Casar com Seu Pior Inimigo
Capítulo 3
Kênia Ayres POV
Arrastei-me para longe da mansão, os sons estridentes de sua celebração ainda flutuando das janelas do andar de cima como uma provocação cruel.
Meu tornozelo estava torcido, latejando no ritmo do meu coração.
Minha dignidade estava em frangalhos.
Cheguei à estrada principal quando o sol começou a se pôr, manchando o horizonte com tons violentos de roxo e preto.
Eu tinha uma última carta para jogar.
Uma carta que eu havia jurado nunca tocar.
Aproximando-me de um orelhão do lado de fora de um posto de gasolina fechado, meus dedos tremeram enquanto eu discava o número gravado em minha memória de três anos atrás.
Tocou uma vez.
"Fale."
A voz era baixa. Rouca. Carregada de uma violência adormecida.
"É a Kênia Ayres", sussurrei, agarrando o fone como se minha vida dependesse disso. "Estou cobrando a dívida."
Houve um silêncio do outro lado.
Pesado. Denso. Sufocante.
"Onde você está?"
"Estrada das Paineiras, perto dos penhascos dos Dantas."
"Fique nas sombras. Não se mova. Se um carro passar, se esconda."
A linha ficou muda.
Gael Sampaio.
O Dono do clã Sampaio.
A família rival.
Ele era o monstro debaixo da cama que Heitor sempre me disse para temer.
Mas Heitor foi quem acabou de me jogar de um penhasco por diversão.
Vinte minutos depois, um SUV preto parou, com os faróis apagados.
A porta de trás se abriu.
Mal registrei a sombra de um motorista na frente.
Eu só o vi.
Gael.
Ele estava sentado no banco de trás, vestido com um terno que custava mais do que minha vida inteira.
Ele não sorriu.
Ele não ofereceu a mão.
Ele apenas me olhou com olhos como aço polido.
"Entre", ele ordenou.
Eu entrei, gemendo ao puxar minha perna ferida para dentro.
O interior cheirava a couro caro e uísque de primeira.
"Ele te quebrou", Gael afirmou.
Não era uma pergunta.
"Sim", eu disse, minha voz oca.
"Então o contrato começa", ele disse, seu tom finalizando meu destino. "Três meses. Você me pertence."
"Eu sei."
Minha cabeça girava. A adrenalina estava desaparecendo, deixando para trás um choque frio e trêmulo.
"Eu preciso... preciso de um hospital", murmurei, a visão embaçando.
"Artur", Gael disse para a silhueta no banco do motorista. "Hospital Samaritano. A ala particular."
A escuridão me levou antes mesmo de chegarmos à rodovia.
*
Acordei em um quarto branco.
O *bip-bip-bip* constante de um monitor era o único som.
Uma TV estava montada na parede, passando o noticiário sem som.
Pisquei, tentando focar através da névoa da medicação.
Vi o rosto de Heitor na tela.
Ele estava em um pódio, com uma expressão solene.
Estela estava ao seu lado, enxugando os olhos secos com um lenço.
Tateei em busca do controle remoto na mesa de cabeceira e liguei o som.
"...um trágico mal-entendido", dizia Heitor, sua voz suave como mel envenenado. "Kênia estava instável. Ela estava com ciúmes do meu noivado com Estela. Ela se jogou da varanda em uma tentativa de chamar a atenção. Estamos gratos por ela ter sobrevivido."
Mentiroso.
"Estamos rezando por sua recuperação", acrescentou Estela, sua voz tremendo com uma dor ensaiada. "Ela precisa de ajuda."
A porta do meu quarto de hospital se abriu.
Heitor entrou.
Ele usava o mesmo terno da coletiva de imprensa, recém-saído de sua performance.
Ele segurava um buquê de lírios.
"Você acordou", ele disse, fechando a porta com um clique suave.
Ele jogou as flores no pé da cama.
"Lírios", eu murmurei, minha garganta se apertando. "Eu sou alérgica a lírios."
Heitor parou.
Ele franziu a testa, uma confusão genuína vincando sua testa.
"É mesmo?", ele perguntou. "Eu não sabia disso."
Três anos.
Ele não sabia que eu era alérgica a lírios.
Ele não sabia nada sobre mim.
"Saia", eu disse.
"Não seja assim, meu bem", ele arrulhou, aproximando-se. "A imprensa engoliu tudo. Você é a ex trágica. Eu sou o salvador benevolente. É bom para o preço das ações."
Ele estendeu a mão para tocar meu rosto.
Eu recuei violentamente.
"Não me toque."
"Você ainda é minha, Kênia", ele sussurrou, seus olhos escurecendo em dois poços de obsessão. "Você vive na minha cidade. Você respira o meu ar. Não pense por um segundo que pode ir embora."
Ele não sabia quem me trouxe aqui.
Ele achava que seus homens me encontraram.
Ele não sabia que o lobo já estava dentro de casa.
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