
A Vingança da Mulher Traída
Capítulo 3
"Onde está o Miguel?", perguntei, a minha voz perigosamente calma.
A minha sogra, Helena, bufou. "Onde é que ele havia de estar? Está com a Clara, claro! O pobre do Lucas está em choque. Ele precisa do tio."
"O tio dele?", repeti lentamente, cada palavra a saber a veneno. "O Leo é o filho dele. O Leo está numa cirurgia ao cérebro. E ele está a confortar o sobrinho por causa de um braço partido?"
"Não sejas tão dramática, Sofia", repreendeu-a. "O Lucas é uma criança sensível. E a Clara está sozinha, coitada. Ela precisa de apoio."
"E eu não?", gritei, a minha voz finalmente a quebrar-se. "Eu acabei de perder o meu bebé! O meu filho está a morrer! E eu não preciso de apoio?"
"Tu és forte", disse ela, como se isso fosse uma desculpa. "Sempre foste. A Clara é mais frágil."
A minha mãe, que tinha estado em silêncio, deu um passo em frente. "Helena, já chega. A minha filha acabou de passar por um trauma terrível. Mostra um pouco de respeito."
Helena virou o seu desprezo para a minha mãe. "Tu! É tudo culpa tua e da tua má educação. Se tivesses ensinado a Sofia a ser uma esposa melhor, mais compreensiva, nada disto teria acontecido."
Ela cuspiu as palavras e saiu do quarto, deixando um silêncio pesado para trás.
Eu olhei para a minha mãe, cujos olhos estavam cheios de lágrimas por mim.
"Mãe, eu quero sair daqui", sussurrei. "Eu não aguento mais."
Ela assentiu, o seu rosto determinado. "Vamos tirar-te daqui, querida. E vamos lutar pelo Leo."
Foi a minha mãe que assinou os papéis do hospital, que falou com os médicos, que se sentou ao meu lado enquanto eu chorava silenciosamente pela perda dupla do dia.
O meu marido não apareceu. Nem uma vez.
Mais tarde naquela noite, o médico do Leo veio falar connosco.
"A cirurgia foi um sucesso", disse ele, a sua voz gentil mas séria. "Conseguimos aliviar a pressão no cérebro dele. Mas ele está em coma. As próximas 48 horas são críticas."
Coma.
A palavra ecoou na minha cabeça. O meu menino vibrante e falador, agora deitado imóvel numa cama, ligado a máquinas.
"Posso vê-lo?", perguntei.
O médico hesitou. "Ele está na unidade de cuidados intensivos. Apenas um visitante de cada vez, e por um curto período."
A minha mãe apertou a minha mão. "Vai tu, Sofia. Ele precisa de ti."
Apoiando-me na minha mãe, caminhei lentamente até à UCI. Ver o meu filho deitado naquela cama, pálido e pequeno, rodeado por tubos e monitores que apitavam, partiu o que restava do meu coração.
Sentei-me ao lado dele e peguei na sua mãozinha. Estava tão fria.
"Leo, meu amor", sussurrei. "A mamã está aqui. Por favor, acorda. Por favor, luta."
Fiquei ali, a falar com ele, a cantar as suas canções de embalar favoritas, até uma enfermeira me dizer gentilmente que o meu tempo tinha acabado.
Quando voltei para o meu quarto, vi uma figura familiar à porta.
Era o Miguel.
Finalmente.
Você pode gostar





