Capa do romance A Vingança da Esposa Esquecida

A Vingança da Esposa Esquecida

8.9 / 10.0
Em A Vingança da Esposa Esquecida, uma mulher busca justiça contra Heitor Mendes. Após anos de negligência e a perda de um filho, ela foge para recomeçar. Este romance billionaire foca na superação e no confronto final. Leia este e outros romance stories nesta web novel de tirar o fôlego.
Resumo de A Vingança da Esposa Esquecida
Casei-me com Heitor Mendes por vingança, mas vivi cinco anos sendo ignorada. Quando sua ex retornou, a humilhação culminou na perda do meu bebê enquanto ele cuidava da rival. Decidida, enganei-o para assinar o divórcio e fugi para a Suíça em busca de um novo futuro. Anos depois, Heitor ressurge arrependido em meio a uma nevasca, implorando perdão. Contudo, meu coração endureceu; ele não tem o direito de dividir a dor de um luto que enfrentei totalmente sozinha.
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A Vingança da Esposa Esquecida Capítulo 1

Para vingar a morte do meu pai, fui forçada a casar com Heitor Mendes, o herdeiro implacável da família que o destruiu. Por cinco anos, vivi como sua "esposa de papel", uma sombra ignorada em uma gaiola dourada.

Quando sua ex-namorada, Regina, voltou, ele a trouxe para nossa casa. A humilhação se tornou meu ar diário, até que o destino me pregou uma peça cruel: eu estava grávida.

No mesmo dia em que perdi nosso filho, sozinha em um hospital, vi Heitor no corredor. Ele não estava lá por mim. Estava ao lado de Regina, cuidando dela com uma ternura que nunca me deu, enquanto ela fingia uma gravidez para garantir seu lugar.

Naquele momento, meu coração se transformou em pedra.

Com os papéis do divórcio que o enganei para assinar em mãos, embarquei para a Suíça, para uma nova vida e uma bolsa de estudos que ele sempre desprezou.

Anos depois, ele me encontrou, arrependido e desesperado, implorando por perdão no meio de uma nevasca.

"Eu perdi nosso filho sozinha, Heitor", eu disse, minha voz fria como o gelo ao nosso redor. "Você não tem o direito de compartilhar essa dor."

Capítulo 1

Eu segurava os papéis do divórcio. As letras pretas pareciam dançar na folha branca, um lembrete cruel do fim que estava por vir. Eu estava na frente do cartório, sentindo o peso do último acordo fracassado em minhas mãos.

Cinco anos. Cinco anos presa em uma gaiola dourada.

Meu casamento com Heitor Mendes nunca foi uma história de amor. Foi um arranjo, um escudo, uma promessa feita sob a sombra da tragédia. Meu pai, um agrônomo brilhante, ousou desafiar a poderosa família Mendes, denunciando suas práticas ilegais. Ele pagou com a vida. Sua morte, envolta em mistério, deixou-me vulnerável. Foi então que Heitor, o herdeiro implacável, surgiu com uma "solução": casamento. Um contrato, uma proteção. Uma prisão de luxo.

Eu respirei fundo, o cheiro de papel e tinta preenchendo meus pulmões. O advogado, um homem de terno risca de giz com um olhar cínico, me observou. Ele parecia me medir, talvez julgando minha aparência simples demais para uma "Mendes". Eu sabia o que ele via: uma mulher de cabelo escuro preso em um coque apertado, óculos na ponta do nariz e roupas discretas, sem o brilho que se esperaria da esposa de Heitor.

Ele não sabia que aquela fachada era minha armadura.

"Senhora Mendes," ele disse, com uma ponta de desdém na voz. "Tem certeza de que quer prosseguir com isso?"

Meus olhos se fixaram nos dele. "Absoluta," respondi, minha voz firme, sem um único traço de hesitação. "Eu quero o divórcio. E preciso que os papéis estejam prontos para a assinatura dele."

Ele franziu a testa, surpreso com minha decisão. Eu era, para todos, a esposa silenciosa, quase invisível. Uma bioengenheira que dedicava sua vida à pesquisa, enquanto o mundo de Heitor girava em torno de agronegócio e poder.

"Ele vai assinar," assegurei, antes que ele pudesse expressar qualquer dúvida. Minha voz era calma, mas por dentro, uma tempestade se formava. Uma tempestade de anos de negligência, de promessas quebradas e de um amor que nunca floresceu. "Ele vai assinar."

Saí do escritório e o sol da tarde me cegou por um instante. Voltei para casa, a mansão que eu nunca chamei de lar. Estava silenciosa, como sempre. Heitor raramente estava lá, e quando estava, eu era apenas uma sombra passando pelos corredores, uma parte da decoração que ele mal notava.

Em seu escritório, a porta estava entreaberta. Risadas femininas e o cheiro enjoativo de um charuto de cereja flutuavam para o corredor. Heitor odiava charutos de cereja. Ele os achava doces demais, artificiais. A presença daquele cheiro era um sinal claro.

Meu coração martelou contra as costelas. Não de dor, mas de uma estranha confirmação. Eu já sabia.

Empurrei a porta, e o som quase se perdeu nas risadas. Heitor estava sentado em sua poltrona de couro, um copo de uísque na mão. Ao lado dele, sentada no braço da poltrona, estava Regina Moreira, sua ex-namorada de adolescência, a socialite que agora reivindicava seu lugar na vida dele. Ela usava um vestido vermelho justo, que contrastava com a sobriedade do ambiente. Os dedos dela brincavam com a lapela do paletó de Heitor.

Ele me viu. Seus olhos, antes relaxados e divertidos, endureceram. Um lampejo de aborrecimento passou por sua face antes que ele o mascarasse.

"Luna," ele disse, sua voz tão fria quanto o gelo no seu copo. Era a mesma voz que ele usava para cumprimentar qualquer funcionário de sua empresa. Nem um pingo de carinho, nem um vestígio de calor.

Regina sorriu, um sorriso doce e venenoso. "Ah, Luna," ela cantarolou, levantando-se. "Que surpresa agradável. Heitor e eu estávamos apenas relembrando os velhos tempos. Você deveria se juntar a nós."

Eu a ignorei. Meus olhos estavam fixos em Heitor, na forma como a mão dele repousava na coxa de Regina, na intimidade que eles compartilhavam abertamente. Uma intimidade que ele nunca se deu ao trabalho de esconder, nem mesmo de fingir.

Coloquei os papéis, cuidadosamente dobrados, sobre a mesa de mogno. O som suave do papel contra a madeira pareceu ecoar no silêncio que se instalou.

"O que é isso?" Heitor perguntou, sem sequer olhar para os documentos. Sua atenção ainda estava em Regina, que o observava com um olhar possessivo.

"Uma autorização," eu disse, a mentira deslizando suavemente de minha língua. Minha mente era uma fortaleza de planos, e ele não veria a armadilha até ser tarde demais. "Para o meu projeto de pesquisa na Suíça. Há formulários burocráticos que exigem sua assinatura como cônjuge."

Eu mantive minha voz controlada, meu rosto uma máscara de neutralidade. Por dentro, eu era uma mulher cansada, quase exausta, de ser a mulher que ele não via. Eu era uma bioengenheira brilhante, mas para ele, eu era apenas a "esposa de papel", um acordo.

Heitor pegou os papéis, mas sua atenção foi desviada por Regina.

"Heitor, meu amor," ela disse, sua voz melíflua, "você sabe como a Luna é com esses projetos. Ela vive para eles. Não deve ser nada importante. Apenas assine e volte para mim."

Regina, herdeira de uma família aliada aos Mendes, sempre soube como manipular. Ela e Heitor tinham uma história, uma conexão familiar que eu nunca poderia quebrar. Ela me via como uma usurpadora, uma peça de mobília de segunda mão que havia sido colocada em seu lugar. E Heitor, em sua arrogância e indiferença, permitia.

Ele riu, um som seco. "Tem razão, Regina. Luna sempre foi mais interessada em suas bactérias do que em qualquer outra coisa." Ele puxou uma caneta do bolso do paletó e, sem sequer ler uma única linha, assinou os documentos. A caneta arranhou o papel, e cada traço era um prego no caixão do nosso casamento.

Meus dedos se fecharam em torno dos papéis assim que ele os empurrou de volta para mim. Meus olhos encontraram os de Regina. Ela sorriu triunfante, convencida de que estava me humilhando mais uma vez. Mas o meu sorriso, um pequeno e quase imperceptível movimento dos lábios, era de vitória.

"Obrigada, Heitor," eu disse, minha voz um sussurro que carregava todo o peso do meu adeus.

Virei as costas, sentindo o olhar deles nas minhas costas enquanto eu saía. Os papéis do divórcio estavam seguros em minhas mãos. O fim não era mais uma ameaça, mas uma promessa. Uma promessa de liberdade.

Eu havia sido invisível por tempo demais, submissa por tempo demais. Mas agora, com a caneta dele, ele havia assinado a minha libertação. O bilhete para a minha nova vida. E ele nem sequer sabia.

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