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Capa do romance A Vingança da Minha Alma

A Vingança da Minha Alma

Amara Bastos foi traída e morta pelo marido, Adriano, e por sua melhor amiga na noite de núpcias. Contudo, ela desperta dois anos antes, em seu noivado, com a chance de mudar tudo. Fingindo inocência, Amara inicia um plano implacável para destruir seus algozes. No caminho, reencontra Ezequiel, o homem que se sacrificou por ela no passado. Agora, Amara busca justiça, decidida a não ser vítima outra vez e a viver um amor real enquanto reconstrói seu destino.
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Capítulo 2

A porta do terraço se abriu com tanta força que bateu na parede e voltou meia vez, como se até o vento tivesse medo do que ia encontrar ali.

A tempestade entrou junto — molhada, brutal, viva.

E, no meio dela…

ele.

Ezequiel Alves.

Encharcado.

Ofegante.

Com o olhar em chamas.

Os cabelos colados na testa, a camisa grudada no peito, a respiração curta — como se tivesse subido os vinte andares correndo.

— A-ma-ra… — a voz dele saiu arranhada, rasgada, quase um grito.

Ele viu tudo ao mesmo tempo:

A poça de sangue.

A faca na mão de Clara.

O terno branco de Adriano sem uma mancha sequer.

E eu…

Eu caída, dobrada sobre mim mesma, o vestido manchado de vermelho até a cintura.

O mundo dele parou.

Não diminuiu.

Parou.

— MEU DEUS… — ele arfou, correndo até mim, mas algo se moveu rápido entre nós.

Clara.

— FICA PARADO! — ela gritou, desesperada, a faca ainda tremendo na mão.

Ezequiel travou. Os olhos dele saltaram do meu corpo para a lâmina, depois para o rosto dela.

— Você… — ele engoliu seco, a voz baixa, perigosa. — O que você fez?

Clara tinha o rosto manchado de rímel, o batom borrado, o peito subindo e descendo como se fosse desmaiar.

Era o retrato perfeito da culpa tentando virar inocência.

— O que eu fiz?! — ela apontou para mim, a voz quase histérica. — Foi ele!

— O quê?! — Ezequiel quase riu de incredulidade.

— Eu vi! — Clara insistiu, aumentando o tom. — Eu vi você atacando ela, Ezequiel! Você sempre foi obcecado! Sempre seguiu ela como um cachorro! E agora surtou! Eu vi!

As palavras batiam no ar como granadas mal jogadas.

Ezequiel deu um passo à frente — e Adriano entrou na cena.

O terno impecável.

O cabelo alinhado.

O rosto frio.

— É isso mesmo. — disse ele, como quem lê um script já ensaiado. — Foi ele.

Clara agarrou a chance como se fosse ouro.

— FOI ELE! — repetiu, agora com lágrimas convenientemente bem colocadas. — Ele tentou matar ela! Eu vi!

Ezequiel arregalou os olhos, incrédulo.

— Seu demônio… — ele sussurrou para Adriano. — Você realmente vai fazer isso?

Adriano deu de ombros, calmíssimo, como se a minha vida — a NOIVA dele — fosse uma nota fiscal amassada.

— Eu só estou contando a verdade — disse ele, com um sorriso pequeno, venenoso. — Você sempre foi apaixonado por ela. Era questão de tempo até surtar.

Ezequiel fechou as mãos em punho.

Mas Clara foi mais rápida:

Ela se jogou contra ele, bloqueando a passagem, a faca erguida como um aviso.

— NÃO encosta nela! — gritou. — EU vi você fazendo isso! Eu vou dizer pra polícia! Eu juro que vou!

A palavra “polícia” bateu nele como soco.

Ele olhou de Clara para Adriano — e viu.

O plano.

A armadilha.

A farsa perfeita.

Eles iam me matar.

Iam colocá-lo como responsável.

Iam sair como vítimas chorosas no jornal da manhã seguinte.

Ele deu um passo para o lado, tentando se aproximar.

— Sai da minha frente, Clara — disse, a voz grave, carregada — ou eu juro por Deus que…

— OU O QUÊ?! — ela berrou. — Vai me MATAR também?!

Ela mostrou a faca, trêmula, mas firme o suficiente para cortar.

O rosto dela era um teatro de medo fingido.

Ezequiel respirou fundo.

Olhou para mim.

E quase desabou.

— Amara… — ele chamou, a voz quebrada. — Eu tô aqui… eu tô aqui, me escuta…

Meus olhos se mexeram um pouco — o suficiente.

— Não deixa ela falar! — Adriano rosnou para Clara. — Não deixa ela dizer nada!

A faca se aproximou ainda mais.

Ezequiel endireitou a postura, molhado, ferido, tremendo — mas firme.

— Se vocês tocarem nela outra vez… — ele disse, a voz tão baixa que pareceu um trovão — …eu acabo com vocês dois.

Adriano riu.

— Acaba? Com a faca dela apontada pra sua garganta? Você é mesmo um idiota.

Ezequiel avançou meio passo.

Clara levantou a faca pronta pra qualquer movimento.

— ELA VAI MORRER! — Clara gritou, com a voz rasgando. — E VOCÊ TAMBÉM!

O vento uivou.

A chuva engrossou.

E o trovão respondeu.

Ezequiel cerrou os dentes.

— Primeiro você vai ter que tentar. E vai se arrepender do resultado.

O cheiro de sangue, chuva e desespero tomou o terraço inteiro.

Adriano sorriu.

Clara ergueu a faca.

E foi assim, no exato segundo antes do primeiro golpe —

que o inferno finalmente abriu as portas.

Clara ergueu a faca.

O metal brilhou no clarão de um relâmpago, iluminando o rosto dela — um sorriso torto, enlouquecido, distorcido pela chuva e pelo ódio.

— Hoje todo mundo morre. — ela cuspiu, com os olhos arregalados. — A princesinha… e o cachorro atrás dela!

Ezequiel nem pensou.

Ele partiu para cima dela como quem pula num abismo que já decidiu morrer dentro.

Clara gritou. A lâmina desceu. Ezequiel desviou no último segundo — a faca cortou apenas o ar e o vento uivou junto.

Ele agarrou o braço dela. Ela tentou se soltar. Os dois escorregaram no piso molhado. E, por um instante, tudo virou um caos de corpos, chuva e sangue.

— SOLTA! — Clara berrava, salivando de raiva. — SOLTA, SEU DESGRAÇADO!

— JOGA A FACA, CLARA! — Ezequiel rugiu de volta. — AGORA!

— NUNCA!

A lâmina passou rente ao rosto dele — milímetros.

Cortou o canto da sobrancelha.

O sangue escorreu quente, se misturando à tempestade.

Ele não hesitou.

— DESGRAÇADA! — rosnou, segurando o pulso dela com força.

Ela chutou a costela dele. Ele curvou o corpo. Gemido preso. Dor atravessando.

Mas não soltou.

Clara era pequena.

Mas o ódio fazia dela gigante.

Ela se contorcia como animal selvagem, o cabelo colado ao rosto, a voz rouca:

— Ela sempre teve TUDO! E agora NENHUM DE VOCÊS vai ter MAIS NADA!

Ela tentou enfiar a faca no pescoço dele.

Ezequiel segurou o braço a centímetros da própria garganta. A tensão era tão forte que os músculos dos dois tremiam.

— VOCÊ VAI PAGAR! — Clara gritava. — VOCÊ vai ser o culpado! VÃO TE PRENDER! VÃO TE MATAR NA CADEIA! E EU vou dizer que vi TUDO!

Ezequiel, arfando, lançou o olhar para Adriano — que apenas assistia.

Arms cruzados.

Cuidado com o terno.

Zero intenção de ajudar.

Apenas sádica curiosidade.

— Ajuda ela, então! — Ezequiel provocou, com raiva cuspida entre os dentes. — Covarde!

Adriano sorriu.

— Ela está indo muito bem sem mim.

Clara, inflamada pelo elogio, gritou de novo —

e tentou cortar o rosto de Ezequiel.

Ele bloqueou com o antebraço.

A lâmina rasgou a pele.

Um filete de sangue espirrou no chão.

A dor subiu como uma linha de fogo.

Mas a raiva veio maior.

Ele segurou a faca pelo cabo, tentando arrancar das mãos dela.

Clara mordeu.

Sim, mordeu.

Cravou os dentes na mão dele como fera, arrancando um grunhido de dor.

— LOUCA! — ele berrou.

Ela riu. Loucamente.

— Você não sabe o que é perder, Ezequiel! Eu perdi minha vida inteira! E eu vou levar a dela junto! E depois a SUA!

Ela levantou a faca de novo.

Relâmpago.

Trovão.

O mundo em suspense.

E então Ezequiel fez o que precisava —

mesmo sabendo que nunca mais dormiria em paz por causa disso.

Ele virou o corpo, puxou o braço dela com força, usando o peso dela contra ela mesma.

Clara perdeu o equilíbrio.

Escorregou.

Os saltos bateram no chão molhado.

Ela tombou para trás — e se chocou violentamente contra a quina de concreto do parapeito.

O impacto ecoou como estalo de osso quebrado.

O som foi seco.

Crítico.

Final.

A faca caiu da mão dela.

Escorregou no chão.

Girou.

Parou na beirada da calha, onde a chuva a empurrou devagar, gota por gota, até jogar lá embaixo.

Clara ficou imóvel por um segundo.

Os olhos abertos.

A boca entreaberta.

E então o sangue começou a escorrer pela nuca.

Lento.

Vermelho.

Fatal.

Adriano arregalou os olhos.

— Clara?! — ele gritou, finalmente reagindo. — CLARA!

Mas já era tarde.

A mulher que destruiu minha vida…

…agora estava caída, a cabeça inclinada num ângulo impossível, a chuva lavando o rosto dela como se o céu tivesse pena.

Ezequiel ficou parado, ofegante, o sangue escorrendo do braço, da sobrancelha, dos dedos.

A expressão dele era uma mistura de horror, dor e… inevitável.

— Eu te avisei… — ele disse, a voz baixa, rouca, quebrada. — Eu tentei… eu juro que tentei…

Adriano virou o rosto para Ezequiel com ódio animal —

e o inferno recomeçou dentro dele.

— VOCÊ MATOU ELA! — ele rugiu. — SEU DESGRAÇADO, VOCÊ MATOU A MINHA MULHER!

A ironia escorria como veneno.

— Ela nunca foi sua mulher. — Ezequiel respondeu, erguendo o corpo, ainda arfando. — Mas Amara…

Ele olhou para mim.

— …Amara era meu mundo.

Adriano avançou.

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