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A Vingança da Minha Alma

Amara Bastos foi traída e morta pelo marido, Adriano, e por sua melhor amiga na noite de núpcias. Contudo, ela desperta dois anos antes, em seu noivado, com a chance de mudar tudo. Fingindo inocência, Amara inicia um plano implacável para destruir seus algozes. No caminho, reencontra Ezequiel, o homem que se sacrificou por ela no passado. Agora, Amara busca justiça, decidida a não ser vítima outra vez e a viver um amor real enquanto reconstrói seu destino.
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Capítulo 3

A tempestade rugia sobre o terraço — trovões rasgando o céu, relâmpagos iluminando os corpos caídos, o sangue misturado à chuva criando rios vermelhos no chão.

E, no meio de tudo, Adriano e Ezequiel se encaravam.

Um confronto inevitável.

Um choque de mundos.

O momento em que a mentira encontraria a verdade — e sangraria por isso.

Adriano Monteverde estava transformado.

O terno caro agora encharcado, colado ao corpo.

O cabelo perfeito grudado na testa.

A expressão — uma máscara de ódio puro.

— Você matou a Clara… — ele rosnou, a voz baixa, perigosa. — EU DISSE QUE ELA ERA MINHA!

Ezequiel não respondeu.

Ele só ficou ali, com o peito subindo e descendo em ritmo frenético, o sangue escorrendo do braço ferido em gotas grossas.

O olhar focado no inimigo.

E uma única intenção:

Proteger Amara.

Até o último segundo da própria vida.

Adriano avançou primeiro.

Um soco.

Rápido.

Direto no maxilar de Ezequiel.

O impacto virou o rosto dele de lado.

A dor explodiu pelo crânio.

Mas ele não caiu.

Não dessa vez.

Ezequiel devolveu — um soco seco, forte, no estômago de Adriano.

O ar saiu do peito dele num barulho horrível.

— Seu verme… — Adriano cuspia enquanto cambaleava. — Você sempre desejou ela, não é? A princesinha rica… olhando pro motorista da casa como se fosse gente…

Ezequiel avançou.

Dessa vez, a pancada acertou o nariz de Adriano.

O estalo do osso foi audível.

Sangue jorrou.

— Eu SEMPRE tratei ela como gente. — Ezequiel rosnou, a voz cheia de ferocidade. — Coisa que você nunca foi capaz de fazer.

Adriano recuou, tropeçando no próprio orgulho, mas ainda sorrindo através do sangue.

— Você é um nada, Ezequiel… — ele cuspiu no chão, vermelho. — Um ninguém! Ela nunca olhou pra você. Nunca. Você era só o cachorro fiel andando atrás dela nos corredores!

Ezequiel escureceu por dentro.

— Pelo menos eu nunca apunhalei ela pelas costas. — Ele deu dois passos lentos, pesados. — Nunca usei. Nunca menti. Nunca toquei nela com nojo.

Adriano riu alto, insano, com sangue pingando pelo queixo.

— Eu toquei nela como eu quis! — Ele gritou. — COMO EU QUISESSE! Porque ELA ERA MINHA!

A palavra ecoou pelo terraço.

Minha.

A mesma que ele usou quando me colocou uma aliança.

Quando me consumiu como posse.

Quando me matou como quem descarta lixo.

Ezequiel sentiu o estômago girar.

— Ela nunca foi sua. — ele sussurrou, perigoso. — E você vai pagar por tudo o que fez.

Adriano se lançou sobre ele —

dessa vez com força de animal.

Os dois caíram no chão, rolando, lutando como se o mundo estivesse acabando ao redor.

Punhos batendo contra ossos.

Joelhos acertando costelas.

Mãos tentando agarrar pescoços.

Respirações curtas, violentas.

Adriano levou vantagem por um segundo, montado sobre o peito de Ezequiel.

— LIXO! — berrou, socando o rosto dele. — NUNCA SE META NA MINHA VIDA!

Outro soco.

Outro.

Outro.

O sangue escorria pelo canto da boca de Ezequiel, mas ele segurou o punho de Adriano na terceira pancada.

Agarrou com força.

Os olhos dos dois se encontraram.

E no olhar de Ezequiel havia algo que Adriano nunca soube lidar:

Determinação sincera.

Dor verdadeira.

Amor real.

Isso enfraqueceu Adriano mais do que qualquer golpe.

— Você bate… — Ezequiel murmurou, levantando o tronco devagar — …como um covarde.

Ele empurrou Adriano com um movimento explosivo.

O corpo do Monteverde caiu de costas, atingindo o piso com força.

Ezequiel, mesmo ferido, mesmo sangrando, se levantou primeiro.

Adriano também tentou.

Mas escorregou.

Escorregou no próprio sangue.

Ezequiel caminhou até ele, mancando, cada passo um protesto do corpo em dor.

Mas firme.

Implacável.

Um homem que já perdeu tudo… e por isso não tinha mais medo de nada.

Adriano ergueu a cabeça com um sorriso torto.

— Vai me matar, é isso? O motorista pobre vai matar o príncipe da cidade?

Ezequiel respirou fundo.

— Eu não tenho medo de morrer. — disse, sincero. — Mas você… você tem medo de tudo. Até de admitir quem realmente é.

Adriano gargalhou.

— E quem eu sou?

Ezequiel se ajoelhou ao lado dele.

O trovão iluminou seus rostos.

E, pela primeira vez, Adriano viu a verdade estampada nos olhos daquele homem:

— Um covarde que destruiu a única mulher que realmente valeu alguma coisa na vida.

O sorriso de Adriano sumiu.

A raiva tomou o lugar.

— Se ela não fosse tão imbecil… — ele murmurou — …nada disso teria acontecido.

Ezequiel perdeu o ar.

Por um instante, o mundo inteiro se calou.

E então…

Ele avançou.

Os dois rolaram de novo, a chuva batendo como chicote nas costas dos dois.

Relâmpagos recortavam suas silhuetas no concreto.

Punhos se chocavam com ossos.

Dor ecoava pelos músculos.

O vento rugia como testemunha.

Era brutal.

Era feio.

Era real.

E terminaria com um deles respirando…

e o outro não.

A chuva caía tão forte que parecia querer lavar o próprio terraço — como se o céu tentasse apagar a cena antes mesmo de terminar.

Ezequiel e Adriano rolavam pelo chão molhado, dois corpos lutando pela própria alma.

Mas só um deles tinha algo a perder.

O outro… só tinha algo a vingar.

Adriano conseguiu subir por cima de Ezequiel novamente e tentou usar o peso do corpo para prendê-lo.

O punho dele desceu com força —

mas dessa vez, Ezequiel segurou.

As mãos dos dois se chocaram, tremeram, deslizaram pelo sangue e pela chuva.

— Sai da minha vida! — Adriano rugiu. — Sai da vida DELA!

Ezequiel o encarou, ofegante:

— Eu nunca estive na tua vida, Adriano…

mas ela sempre esteve na minha.

Adriano arregalou os olhos por meio segundo —

e esse meio segundo custou caro.

Ezequiel virou o corpo, empurrou Adriano com força e os dois trocaram de posição.

Agora ELE estava por cima.

— LEVANTA! — Ezequiel berrou, puxando Adriano pelo colarinho do terno.

Adriano tentou reagir, mas o soco veio.

Um soco tão forte que fez o rosto dele virar para o lado, a boca abrir e o sangue respingar no chão encharcado.

Outro soco.

Mais forte.

Mais preciso.

Mais carregado de anos de dor engolida.

— Isso é por cada vez que você humilhou ela… — Ezequiel murmurou.

Mais um soco.

O nariz de Adriano estalou como graveto quebrado.

— Isso é pelo pai dela confiar em você… e você cuspir na confiança dele.

Mais um.

O olho de Adriano inchou na hora, roxo, feio, grotesco.

— E isto…

O último soco veio de cima, mortal.

— …é por ter matado a mulher que eu sempre amei.

Adriano desabou no chão, respirando com dificuldade.

O peito dele subia e descia rápido demais —

um peixe fora d’água, debatendo no concreto.

Ezequiel se levantou com esforço.

O corpo dele era só dor, sangue, peso.

Mas ele ficou de pé.

Porque precisava olhar para o inimigo nos olhos antes do fim.

Adriano cuspiu sangue, tentando manter o orgulho até o último segundo.

— Você… acha que vence…? — ele sussurrou, sufocado. — Amara nunca… seria tua…

Nunca.

Ezequiel se ajoelhou ao lado dele, firme como uma estátua antiga.

— Ela nunca foi de ninguém.

Ela era livre.

E você matou isso nela.

Adriano tentou acertar um último golpe — desesperado, fraco, inútil.

Ezequiel segurou o pulso dele.

E dessa vez, Adriano soube.

Soube que não sairia dali vivo.

— Você não é nada… — Adriano tentou de novo, com voz falha. — Você é… só… um motorista…

Ezequiel aproximou o rosto:

— Sou o homem que ela sorriu de verdade…

e você nunca reparou.

Adriano arregalou os olhos.

O trovão explodiu no céu.

E, num movimento rápido, brutal, final…

Ezequiel empurrou o corpo de Adriano contra o chão com toda força que ainda tinha.

O impacto ecoou.

O pescoço dele estalou.

O corpo do Monteverde ficou imóvel.

Por um momento inteiro — longo, pesado, eterno —

só havia o som da tempestade.

E o silêncio do homem que nunca enfrentou nada na vida.

Ezequiel respirou fundo.

O peito ardia.

A visão piscava.

O braço sangrava mais forte.

Mas ele se levantou.

Caminhou cambaleante até ela.

Até Amara.

Ela ainda estava caída, os olhos quase fechando, o sangue misturado à chuva ao redor do vestido branco.

Ele caiu de joelhos ao lado dela, o peso da dor rasgando o corpo inteiro.

— Amara… — sussurrou, tocando o rosto frio dela. — Eu tô aqui… fica comigo… por favor…

Os lábios dela tremiam.

Mas ela ainda… ainda estava viva.

A mão dela se moveu.

Fraca.

Quase invisível.

Mas se moveu.

Ela tocou o rosto dele.

— Zico… — ela murmurou, a voz quebrada, pequena. — Meu… Zico…

O apelido.

O nome que só existia entre eles.

O nome que nunca pertenceu a Adriano.

O nome que ela só usava quando se sentia segura.

O coração de Ezequiel quebrou tão forte que o corpo dele balançou.

Lágrimas se misturaram à chuva.

— Eu sempre… sempre te amei… — ele confessou, a voz rasgando. — Desde pequeno… desde antes de saber o que era amor… E você… você nunca viu…

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

A respiração ficou fraca.

— Eu vi. — ela sussurrou. — Só… era tarde…

E Ezequiel desabou por dentro.

Porque ela estava partindo.

E porque ele também estava.

Ele tossiu.

Sangue escorreu pela boca.

A queda.

A facada.

Os golpes.

Tudo estava cobrando o preço.

Ele se inclinou e encostou a testa na dela.

— Não me… rejeita na próxima vida… — ele disse, com a voz morrendo.

Amara tocou de leve o pescoço dele.

— Nunca… — ela tentou sorrir. — Você… sempre voltou pra mim…

Ezequiel fechou os olhos.

Respirou pela última vez como se fosse faca entrando no peito.

O vento cortava o terraço como lâminas finas.

Ezequiel ficou parado por um instante, respirando como se cada ar fosse dor.

Ele olhou para Amara.

Para o corpo dela caído no chão molhado.

Os olhos fechados.

O rosto sereno, como se tivesse adormecido antes da dor terminar.

Ele ajoelhou pela última vez e segurou o rosto dela entre as mãos.

— Me espera… — sussurrou, com a voz destruída. — Se existe outra vida… me espera, Amara. Eu juro que volto pra você.

O trovão iluminou o céu.

A chuva golpeava os dois como uma bênção tardia.

E então, devagar, ele se levantou.

Cada movimento era despedida.

Cada passo era uma sentença.

Ele caminhou até a beira do terraço.

O vento soprou forte, puxando a camisa ensanguentada, arrastando o véu rasgado de Amara pelo chão como se fosse uma bandeira branca perdida.

Ezequiel olhou uma última vez por cima do ombro.

— Não me esquece… — murmurou.

E pulou.

O corpo desapareceu no ar.

O som da queda se perdeu na tempestade.

Mas o grito dela — silencioso, eterno — ficou preso no vento.

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