Capa do romance O Arrependimento do Don: Ela Salvou a Vida Dele

O Arrependimento do Don: Ela Salvou a Vida Dele

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No aniversário de namoro, traí Elena por vingança, crendo que seu pai matara o meu. Troquei-a por Sofia e a torturei até a morte, sem saber que Elena era quem havia doado um rim para me salvar. Ao descobrir a verdade, tentei o suicídio, mas acordei dez anos no passado. Decidido a redimir meus crimes, tentei protegê-la nesta nova vida. Contudo, ao reencontrá-la na escola, vi apenas pavor em seus olhos. Eu não fui o único que retornou com as memórias do horror.

O Arrependimento do Don: Ela Salvou a Vida Dele Capítulo 1

No nosso quinto aniversário, em vez de um anel, eu dei a Elena uma sentença de morte.

Eu acreditava que o pai dela tinha matado o meu. Então, passei cinco anos fazendo-a se apaixonar por mim apenas para destruí-la.

Eu a troquei por Sofia, a mulher que eu achava que tinha doado seu rim para me salvar.

Eu arranquei a dignidade de Elena, a forcei a rastejar sobre brasas quentes e a tranquei em uma câmara fria até seu coração artificial parar.

Ela morreu sozinha na lama, desligando os próprios aparelhos para escapar de mim.

Foi só quando vi o corpo dela na mesa de autópsia que descobri a verdade.

A pele de Sofia era impecável. Era Elena quem tinha a cicatriz.

Elena me deu seu rim. Elena me salvou enquanto eu a destruía.

Destroçado pela verdade, cravei uma faca no meu próprio peito para me juntar a ela no inferno.

Mas eu não morri. Acordei dez anos no passado, de volta ao ensino médio.

Pensei que Deus me deu uma segunda chance para consertar tudo. Eu salvei o pai dela. Abri o caminho para o nosso amor.

Caminhei em sua direção no pátio da escola, pronto para ser o herói que ela merecia.

Mas ela não me olhou com amor.

Ela me olhou com pavor absoluto e gélido.

Eu não fui o único que se lembrou da vida anterior.

Capítulo 1

Eu estava alisando a seda vermelha do vestido que Dante havia comprado para o nosso quinto aniversário quando a porta da minha cobertura se abriu com um estrondo.

O homem que eu amava entrou, com uma arma pressionada contra a têmpora do meu pai.

"Dante?", sussurrei, o nome morrendo na minha garganta.

Dante Vitiello, o Capo das famílias de São Paulo, o homem que governava o submundo com mão de ferro e um coração que eu, tolamente, pensei que pertencia a mim, não olhou para mim.

Seus olhos, geralmente quentes como uísque derretido, eram agora duas lascas de gelo absoluto. Mortos. Vazios.

"Feliz aniversário, Elena", disse ele.

Sua voz estava desprovida de humanidade.

Ele empurrou meu pai, Dr. Antonio Rossi, para o tapete persa. Meu pai — um homem que passou a vida salvando os outros — tremia, com as mãos presas por abraçadeiras de plástico nas costas, o rosto uma máscara de terror abjeto.

"Por favor", meu pai soluçou, encolhendo-se. "Dante, não faça isso. Ela não sabe de nada."

"Isso torna tudo melhor", respondeu Dante.

Ele destravou o cão da pistola. O *clique* metálico ecoou como um trovão na sala silenciosa.

"A ignorância é um luxo que estou tirando de você."

Ele caminhou até mim. Fiquei paralisada, minhas mãos pairando inutilmente sobre o tecido delicado do meu vestido. Ele estendeu a mão, sua mão grande agarrando o decote.

*Riiip.*

O som foi violento, rasgando o ar. A seda se desfez da minha clavícula até a cintura, expondo meu sutiã, expondo as cicatrizes irregulares no meu peito e expondo a bateria presa na minha cintura que mantinha meu sangue fluindo.

"Dante!", gritei, cruzando os braços para me cobrir.

"Olhe para ele", ordenou Dante. Ele agarrou meu queixo, seus dedos cravando-se como garras de aço, forçando meu rosto em direção ao meu pai. "Olhe para o homem que matou meu pai."

O mundo girou em seu eixo. "O quê?"

"Dez anos atrás. A cirurgia", Dante cuspiu as palavras, veneno cobrindo cada sílaba. "Ele deixou o Don morrer na mesa. Ele quebrou a Omertà. Ele tirou meu pai e, em troca, eu tirei cinco anos da sua vida para fazer você se apaixonar por mim, só para poder te destruir."

Não era um romance. Era uma grande farsa.

Cada beijo, cada toque, cada "eu te amo" sussurrado era uma bala que ele estava guardando para este exato momento.

Minha mãe entrou na sala então. Sua mente, corroída pela demência, a deixou sorrindo vagamente, agarrando um coelho de pelúcia. "Antonio? É você?"

"Abram as portas da varanda", Dante ordenou a seus homens.

"Não!" Eu me lancei em sua direção, mas um guarda me segurou pelos braços, me puxando para trás. "Dante, ela está doente! Ela não sabe o que está fazendo!"

Dante não se moveu. Ele ficou como uma estátua enquanto as portas de vidro deslizavam, deixando entrar o vento uivante da noite da cidade.

Minha mãe, confusa com o rugido repentino do vento e as luzes lá embaixo, caminhou em direção ao brilho da rua. Ela não viu o perigo. Ela passou pela soleira, desorientada pela ventania.

Ela passou direto pela beirada.

Eu não a vi cair. Só ouvi o cantar de pneus e o baque surdo e úmido de um caminhão de entregas atingindo um corpo três andares abaixo.

"Maria!", meu pai gritou — um som de pura agonia animal.

Ele olhou para Dante, depois para mim. Seus olhos eram vidro estilhaçado.

"Não posso deixar você pagar pelos meus pecados, Elena."

Meu pai se levantou. Ele correu. Não em direção à porta, mas em direção à varanda aberta.

"Pai, não!"

Ele não hesitou. Ele saltou sobre o parapeito para se juntar à minha mãe.

Eu desabei. Meus joelhos bateram no chão, mas eu não conseguia sentir o impacto. Eu não conseguia sentir nada, exceto o *zumbido-clique-zumbido* mecânico da bomba DAV ligada ao meu coração.

Meu coração artificial.

Dante ficou sobre mim, um titã de vingança. Ele verificou o relógio, indiferente à carnificina.

"Você tem um coração defeituoso, Elena", disse ele, olhando para mim como se eu fosse uma mancha em seu sapato. "Meus médicos me dizem que, sem o transplante que você deveria receber, essa máquina vai falhar em sete dias."

Ele se agachou. Seu perfume — sândalo e pólvora — encheu meus sentidos, me sufocando.

"Sete dias", ele sussurrou no meu ouvido. "Pretendo fazer cada segundo parecer um século."

A porta se abriu novamente.

Uma mulher entrou. Ela era linda, radiante de saúde, segurando o braço de Dante enquanto ele se levantava. Sofia Moretti.

"Acabou?", ela perguntou, sua voz como mel misturado com arsênico.

Dante passou um braço em volta da cintura dela, puxando-a para junto de si. "Sim. Elena, conheça Sofia. Minha noiva. E a mulher que me deu seu rim quando eu estava morrendo, três anos atrás. A mulher que realmente me salvou."

Era mentira.

Abri a boca para gritar a verdade, para dizer a ele que *eu* fui quem deitou naquela mesa, *eu* fui quem arruinou meu coração para salvar seus rins. Mas a dor me sufocou, selando meus lábios.

"Bem-vinda ao inferno, Elena", disse Dante.

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