
A Vingança da Médica Rejeitada
Capítulo 2
Quando acordei, a primeira coisa que vi foi o teto branco do hospital.
O cheiro de desinfetante enchia o ar, um cheiro que eu conhecia muito bem.
Eu sou médica, mas naquele momento, eu era apenas uma paciente.
O meu marido, Pedro, estava sentado numa cadeira ao lado da cama, de cabeça baixa, a olhar para o telemóvel.
A luz do ecrã iluminava o seu rosto, mostrando uma expressão de preocupação e ansiedade.
Mas eu sabia que a preocupação dele não era para mim.
"Como está a Sofia?" perguntei, a minha voz soava rouca e estranha.
Pedro levantou a cabeça bruscamente, com os olhos vermelhos.
"Ela está fora de perigo, mas o médico disse que a situação foi muito perigosa. Ela precisa de ficar em observação."
Ele não me perguntou como eu estava.
Nem uma única vez.
Eu estendi a mão e toquei na minha barriga. Estava lisa.
O bebé, o nosso bebé que esperámos durante três anos, tinha-se ido.
E foi a minha irmã, Sofia, quem causou tudo isto.
"Pedro, quero o divórcio."
A minha voz era calma, tão calma que até eu me surpreendi.
Pedro olhou para mim, incrédulo.
"Ana, o que estás a dizer? A Sofia quase morreu! Tu és a irmã mais velha, não podes ser um pouco mais compreensiva? Ela não fez de propósito!"
"Não fez de propósito?"
Uma risada amarga escapou dos meus lábios.
"Ela empurrou-me escada abaixo, Pedro. Ela sabia que eu estava grávida."
"Foi um acidente! Ela estava tonta, quase caiu, e tu estavas no caminho!"
Ele defendia-a, como sempre.
Aos olhos dele, a Sofia era sempre a vítima frágil e inocente.
E eu era sempre a irmã mais velha forte e insensível que devia ceder em tudo.
"Então o nosso filho morreu por nada?" perguntei, a olhar diretamente para ele.
Pedro evitou o meu olhar.
"Ana, não fales assim. Podemos ter outro filho. Mas a Sofia só tem a nós. A mãe dela já não está cá, ela é a tua única família."
A minha única família.
Sim, depois da morte da minha mãe, a Sofia tornou-se a minha responsabilidade.
O meu pai, o pai dela, casou novamente e teve a sua própria família feliz, raramente se preocupando com a filha do seu casamento anterior.
Fui eu que a criei, que paguei os seus estudos, que a ajudei a encontrar um emprego.
E foi assim que ela me retribuiu.
"Pedro, estou cansada."
Fechei os olhos, sem querer ver mais a sua cara.
"Quero o divórcio."
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