
A Vingança da Médica Rejeitada
Capítulo 3
O Pedro não concordou com o divórcio.
Ele disse que eu estava a ser impulsiva, que as hormonas pós-parto estavam a afetar o meu julgamento.
Ele até pediu ao meu pai para vir falar comigo.
O meu pai entrou no quarto do hospital, com a sua nova esposa ao seu lado.
Ele olhou para mim com uma expressão de desaprovação.
"Ana, o que se passa contigo? A tua irmã está no quarto ao lado, ainda a recuperar, e tu estás a causar problemas aqui?"
A sua voz era severa, sem um pingo de preocupação pelo meu estado.
"Eu perdi o meu filho," disse eu, calmamente.
"Foi um acidente!" disse o meu pai, irritado. "O Pedro já me contou tudo. A Sofia não queria que isto acontecesse. Tu és a irmã mais velha, devias protegê-la, não culpá-la!"
A sua esposa, uma mulher bem vestida, acrescentou suavemente.
"Isso mesmo, Ana. A família deve permanecer unida nestes momentos. A Sofia está a passar por um momento muito difícil, ela sente-se muito culpada."
Culpada?
Eu não vi nenhum sinal de culpa no rosto dela quando ela me empurrou.
Vi apenas um lampejo de malícia.
"Pai, eu quero divorciar-me do Pedro."
"Absurdo!" ele gritou. "O Pedro é um genro excelente! Ele cuida de ti, cuida da Sofia. Onde vais encontrar um homem melhor do que ele? Não sejas tola!"
Eu olhei para o meu pai, o homem que mal me visitou nos últimos dez anos.
Ele só aparecia quando precisava de algo ou quando achava que eu estava a envergonhar a família.
"Esta é a minha decisão," disse eu, com firmeza.
O meu pai ficou furioso.
"Se te divorciares, não voltes a chamar-me pai! Não tenho uma filha tão ingrata e de coração frio como tu!"
Ele saiu do quarto, a bater a porta com força.
A sua esposa lançou-me um olhar de desprezo antes de o seguir.
Eu fiquei sozinha no quarto silencioso.
O meu coração não doeu.
Talvez já estivesse dormente há muito tempo.
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