Capa do romance IVAN CZAR: O início da vingança SÉRIE LEI & VINGANÇA LIVRO 3

IVAN CZAR: O início da vingança SÉRIE LEI & VINGANÇA LIVRO 3

8.0 / 10.0
Ivan era um jovem lutador e bom filho quando um sequestro mudou seu destino aos 21 anos. Forçado a realizar missões perigosas em troca de uma liberdade ilusória para si e sua mãe, ele viveu sob ameaças constantes. Agora, com a situação fora de controle, Ivan precisa assumir o comando de um império criminoso. Determinado a salvar sua mãe, ele mergulha na violência, disposto a derramar o sangue necessário para vencer uma guerra que parecia perdida.

IVAN CZAR: O início da vingança SÉRIE LEI & VINGANÇA LIVRO 3 Capítulo 1

“ Não importa o quanto tente fugir do que te aguarda, porquê o futuro sempre está à sua frente, cabe a nós o dever de apenas aceitar ou tomar um caminho diferente”

— Ivan Czar

⚜️⚜️⚜️

1978 AOS ANOS

Determinação, suor, objetivo… Futuro.

Esse é o sonho que tanto desejei conquistar e agora tenho a chance de superar meus limites. Meus punhos estavam doloridos, mas continuei, uma promessa te faz homem e um homem faz de tudo para cumprir com a sua palavra.

O saco de pancadas se movimentava conforme meus socos distribuídos o acertava com força. Concentro toda a energia em cada movimento de meu corpo, a posição e a forma que dou joelhadas intercaladas com chutes ligeiros e os socos, precisava ficar em forma o quanto antes para a semifinal do campeonato.

Só não esperava que alguém estivesse me observando, então segurei o saco de pancadas podendo sentir todos os músculos fisgando doloridos, o suor escorre ligeiramente em minha face enquanto minha mãe está com aquele sorriso de orgulho em seus lábios.

Ela descruza os braços e vem em minha direção, pega a toalha sobre a cadeira ao lado de alguns aparelhos que tenho para exercícios físicos e começa a limpar o suor de meu rosto.

— Muito bem campeão, está na hora do café da tarde. — sorri, ela sabia o quanto isso poderia se tornar constrangedor para um homem feito, ser tratado como um garotinho.

— Não sou mais um garotinho, mãe! Agora sustento a casa e a nós.

— Está certo meu amor. — ela disse dando tapinhas em meu ombro.

- Só não se atrase porque não iremos comer bolinhos de chuva na hora do jantar ouviu?

— Está bem, minha querida. — abracei ela sabendo que não gostava de sentir ser molhada por suor, ela lutou contra me fazendo rir.

— Não! Lucca! Você está ensopado menino! — Recebi outro tapa em meu ombro enquanto apenas apreciava o quanto minha mãe estava bonita nesta tarde.

Seus lábios desenhados e os olhos azuis, herança que fui capaz de carregar, o seu rosto não era mais tão macio, mas bem cuidado mostrando algumas marcas do tempo em sua pele clara. Ela é meu mundo de menino, sempre foi.

— Vou deixar a senhora ir, mas quero bastante canela desta vez! — falei brincando enquanto ela resmungava algo sobre sua blusa de tecido fino estar molhada.

— Você não tem jeito menino, sabia que esta blusa é a minha favorita? Seu pai me deu de presente quando estávamos nos conhecendo.

Os olhos dela brilhavam toda vez, era maravilhoso ver o amor que ela ainda tem pelo meu pai. Ele conquistou um pedaço de terreno no interior de Nova Jersey, onde nos instalamos em uma casa simples de madeira com dois quartos, um banheiro no andar de cima e uma sala de estar, cozinha e sala de visitas. Era a única casa do bairro mais simples, mas não ligava para isto, porque já tenho tudo e me orgulhava dos meus feitos.

— Ele foi um grande homem. — Comentei vendo minha mãe limpar uma de suas lágrimas.

— Não faz assim dona Lúcia! — tornei a abraçar ela que limpava uma lágrima solitária.

— É felicidade, menino bobo. — ela nunca admitiu que estávamos sozinhos e que agora é meu dever cuidar dela.

Meu pai havia nos deixado em um acidente, quando foi ajustar ou trocar uma telha de cima do telhado na noite mais chuvosa da época e então seus pés deslizaram não dando chances dele se agarrar em algo, acabou caindo e batendo com a cabeça fortemente. Na época só tinha doze anos de idade.

— Sei, mãe. Vou apenas tomar um banho e já descerei para vermos o pôr do sol. — beijei sua cabeça inalando seu cheiro de rosas delicadas, segui para o banheiro em meu quarto pegando uma toalha no armário e uma troca de roupas deixando tudo no suporte para toalhas ao lado do gabinete e então retirei as duas peças de roupas do corpo e entrei no Box para em seguida deixar a água morna cair sobre mim.

Observei a água escorrer sobre os fios curtos que chegavam um pouco abaixo de minhas sobrancelhas, então pensei em como seria se pudesse vencer o campeonato em Nova York, me mudar para uma casa mais confortável e dar uma vida digna para minha mãe, se minha carreira profissional fosse ser o nosso único meio de sustento e ela não precisasse acordar cedo e ter que fazer faxinas para os afortunados das vizinhanças toda semana.

Ensaboei meu corpo sentindo o alívio que me transmitia a temperatura. Depois de tudo higienizado, sequei o corpo e vesti um shorts preto, uma cueca vermelha e uma camiseta branca seguida de uma blusa de moletom marrom. Sai do banheiro e notei que minha cama estava arrumada e a janela com apenas os vidros fechados, sorri porque mesmo com meus dezenove anos ela se preocupava comigo.

Então caminhei para o andar de baixo da casa, tudo continuava da mesma forma, os quadros distribuídos pelas paredes, registrando os melhores momentos de nossas vidas, o casamento de meus pais, a paixão dele pela Marinha e suas medalhas de honras emolduradas em um vidro.

Era seu orgulho, era seu sonho para mim, porém a vida não pode ser controlada dessa forma, então decidi ser um campeão, defender minha paixão por lutas e não seguir os mesmos passos que ele.

Na sala havia um sofá e algumas estantes que tinham enfeites que foram presentes de comemorações, lembranças boas por onde eu passava, é maravilhoso estar aqui.

— Mãe? — atravessei diretamente para a cozinha vendo ela pingar a massa sobre o óleo quente, o cheiro doce impregnou-me em todo o ambiente me fazendo voltar ao tempo de infância.

— Está quase pronto meu filho. — bolinhos de banana com canela, deduzi. Aproximei e me sentei na bancada da cozinha puxando um banco de madeira que meu pai aventurou em fazer aos finais de semana.

— O cheiro está maravilhoso! — aproximei de certa forma que conseguisse roubar um da vasilha que ela estava colocando, assoprei dando a mordida enquanto ela reclamava.

— Se continuar comendo os bolinhos, vão ficar encharcados meu filho! Não pode comer antes do tempo certo. — advertiu enquanto sentava em meu lugar. Minha mãe tossiu colocando a mão sobre o pano de prato em seu ombro e cobriu os lábios com o cotovelo.

— Já foi ao médico mãe? Não quero que fique doente. — perguntei fazendo ela se recompor arranhando a garganta.

— Sim meu filho, estou acompanhando o doutor Otávio.

Ela desliga o fogão e pega a vasilha para colocar no balcão, me apressei e segurei para ela que me ofereceu um grande sorriso.

— Vamos? A varanda nos espera mamãe. — Segui diretamente para fora com a vasilha que estava quente em minhas mãos. Sentei no banco deixando um espaço para que minha mãe sentasse, então ela aparece ajeitando as roupas.

— Nem imaginei que meu filhote já é um homem feito e ainda por cima, sendo um grande lutador— ela falou se acomodando enquanto o sol brilhava em seus momentos finais no horizonte por detrás de algumas casas.

— Isto é maravilhoso! — seus olhos brilharam, o céu estava mais alaranjado enquanto escurecia aos poucos. Ela começou a comer bolinhos para me acompanhar, eu sabia que os bolinhos eram feitos apenas para mim, porque minha mãe não costumava comer sempre.

— O melhor momento do meu dia. — comentei enquanto mordia o último bolinho.

— Bom filho, vou entrar porque preciso acordar cedo amanhã. — ela se levanta pegando a vasilha das minhas mãos.

— Vou colocar a senhora na cama mãe, amanhã também preciso pegar estrada para o campeonato.

— Desejava ir com você, mas estou muito cansada, viajar na minha idade é algo bem cansativo. Mas estarei torcendo por você! — entramos em casa, fechei a porta e minha mãe lavou a vasilha. Então segurei sua mão depois que ela as secou e deixou o pano sobre o balcão, subimos para o andar de cima ouvindo o ranger abaixo de nossos pés na escadaria.

— Já estou contente por isso mãe, não é necessário se esforçar para mim saber que tenho seu apoio. Sempre esteve ao meu lado.

Ela sorriu e então guiei ela até seu quarto, beijei o topo de sua cabeça desejando uma boa noite para depois ir até meu quarto e poder descansar.

Na manhã seguinte acordei cedo com os barulhos da cozinha, minha mãe já estava acordada e pronta para fazer seus serviços de faxinas pelos arredores, então vesti um conjunto de moletom para poder correr, coloquei o tênis e desci me deparando com uma mesa posta com o café da manhã.

— Bom dia meu menino. — ela disse contente. — Não vai me acompanhar hoje?

— Infelizmente preciso ir mãe, se não vou perder o horário, ainda preciso voltar e deixar a mala pronta.

— Está certo meu querido. Mas coma algo, um saco vazio não pára em pé. — concordei sorrindo então passei pela porta olhando a rua um pouco escura ainda, então comecei a correr pela vizinhança, passei pela pequena praça de brinquedos perto de uma creche e depois virei até o mercado que costumava comprar algumas coisas em casa. Alguns conhecidos me enviaram cumprimentos ao qual correspondiam, então dei a volta em todo o quarteirão por cinco vezes e retornei para casa. Quando cheguei, segui pela cozinha indo diretamente para o quarto na intenção de poder fazer as malas, mas notei que minha mala estava feita sobre a cama com um bilhete de minha mãe:

Sucesso meu amor,

Posso não estar agora com você na etapa mais importante de sua vida , mas tenho a certeza de que nós sempre estamos orgulhosos do filho que você é. Mesmo que hoje você não vença, Lucca sempre será nosso menino Campeão!

Mamãe te ama, e por isso coma o lanche que fiz para você levar na viagem, se não comer vou sentir porquê intuição de uma Mãe nunca falha.

Sua querida mãe Eliza.

Sorri como nunca, ela é uma mãe muito zelosa, e às vezes um pouco exagerada quando o assunto era comida, mas ela nunca errou em suas intuições. Andei até o armário para pegar a troca de roupa que usaria, então deixei sobre a cama e fui tomar meu banho para tirar todo o suor do corpo.

Voltei do banho com uma toalha na cintura e com outra enxugando os cabelos, precisava cortá-los e talvez fazer isto quando chegar em Nova York.

— Lucca. — havia uma ruiva sentada ao lado de minha mala e em suas mãos estava o bilhete de minha mãe. — Você vai mesmo embora?

— Já disse que sim Pâmela— Peguei as roupas para me trocar no banheiro, precisava que ela entendesse que nossos destinos não estavam se cruzando mais.

— Porquê?

Deixei a toalha escorregar do meu corpo e comecei a me vestir sem me importar com a sua presença atrás de mim na porta do banheiro.

— Porque já estou cansado dessa vida, você não? — falei erguendo a calça jeans, olhei nos olhos dela e notei seu desapontamento.

— Acreditei que você…

— Acreditou o quê Pâmela? Que ficaria aqui trabalhando no campo ou seguindo a carreira de meu pai? — despejei a verdade e ela estava fingindo estar magoada. — Que ficaríamos juntos?

— Sim! Eu acreditei sim. — ela balançou a cabeça negando, mesmo não querendo, adorava a forma como ela movia os lábios desenhados quando estava nervosa.

— Escute, eu e você, esta casa, este lugar, não é para ser. Nasci para ter algo grandioso, para dar o de bom e melhor para quem se importa de verdade comigo, você é apenas mais uma que peguei. Não vai rolar!

Senti o tapa estala em meu rosto, então a vi dar as costas me chamando de cretino. Mas era melhor assim, Pâmela não é a mulher com quem desejo dividir minha vida. Sequei mais um pouco os cabelos e procurei pela minha carteira nas gavetas do guarda roupa com os documentos que vão ser necessários para embarcar no voo.

Guardei tudo na bolsa e então sai em busca de conseguir um ônibus a tempo de chegar perto do aeroporto onde está agendado o voo, da rodoviária vai ser necessário pagar um táxi até o destino final. Sai de casa quase às oito e meia com a mala de uma alça pendurada sobre o ombro direito e segui viagem.

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