
A Vingança da Esposa Grávida
Capítulo 2
Eu estava grávida de três meses.
Meu marido, Ricardo, um influenciador digital em ascensão, sorria para a câmera do celular, o rosto perfeitamente iluminado pela luz de estúdio que montamos na nossa sala de estar.
"E é isso, pessoal! Lembrem-se de que a base de um relacionamento feliz é a confiança e a comunicação. Eu e minha amada esposa, Ana Paula, somos a prova viva disso."
Ele virou o celular para mim.
Forcei um sorriso, passando a mão pela minha barriga ainda discreta.
Ele encerrou a live e se jogou no sofá, exausto.
"Você foi ótima, meu amor."
Ele me deu um beijo rápido na testa, mas seus olhos já estavam de volta na tela do celular, lendo os comentários que subiam freneticamente.
"A audiência foi incrível hoje. Mais de cinquenta mil pessoas ao vivo."
Eu apenas assenti, sentindo um cansaço que não era só da gravidez.
Era um cansaço da alma.
Enquanto ele estava distraído, peguei meu próprio celular. Abri a rede social dele, olhando a gravação da live que acabara de terminar.
Os comentários passavam como uma enxurrada.
"Casal perfeito!"
"Ricardo é o marido dos sonhos!"
"Ana Paula, você é tão sortuda!"
Mas então, algo estranho começou a aparecer. Comentários que pareciam fora de lugar, com um tom diferente.
[A coitadinha ainda não sabe que é só uma ferramenta para o sucesso dele.]
Franzi a testa.
Um hater, provavelmente. Ignorei e continuei rolando.
[Daqui a três meses, ela vai descobrir a traição. O show vai ser bom.]
Meu coração deu um pulo.
Que tipo de brincadeira era essa?
[E o bebê? Ah, o bebê não vai ter a chance de nascer. Uma pena, ia ser uma menina linda.]
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
Minhas mãos começaram a tremer.
[Sofia já está escolhendo o berço. Com o dinheiro do pai da Ana Paula, claro.]
Sofia?
Quem era Sofia?
Aquele nome não me era estranho.
[Preparem a pipoca. O capítulo do acidente está chegando. A vilã empurra a mocinha da escada. Clássico.]
O ar começou a faltar.
Olhei para Ricardo, que ainda sorria para o celular, completamente alheio ao meu pânico. Ele parecia um estranho para mim naquele momento. O homem com quem eu havia construído uma vida, o homem que carregava a promessa de ser o pai do meu filho.
Toda a nossa vida parecia uma farsa, um roteiro escrito por outra pessoa.
E eu era a protagonista tola, a última a saber.
Nesses comentários, nesse roteiro cruel, eu não passava de uma "ferramenta". Uma escada para a ascensão do meu marido. Meu pai, com seu dinheiro e influência, era o alicerce do império que Ricardo estava construindo. E eu, sua filha grávida, era a fachada perfeita de homem de família.
Uma onda de fúria e uma clareza gelada tomaram o lugar do choque.
Eu não seria uma ferramenta.
Meu filho, ou minha filha, não seria uma vítima em uma história trágica para dar audiência a ele.
Não.
Eu ia reescrever esse roteiro.
"Amor, está tudo bem?", a voz de Ricardo me tirou do transe. "Você ficou pálida de repente."
Ele se aproximou, a preocupação em seu rosto parecendo tão falsa quanto a live que ele acabara de fazer.
"Estou só um pouco cansada", respondi, minha voz saindo mais firme do que eu esperava. "Acho que vou deitar um pouco."
"Claro, meu anjo. Descanse. Você precisa cuidar bem do nosso campeão."
Ele acariciou minha barriga.
O toque dele me deu nojo.
Fui para o nosso quarto e tranquei a porta. Peguei meu notebook. Com as mãos ainda trêmulas, comecei a agir.
A primeira coisa que fiz foi entrar na conta conjunta do banco. A maior parte do dinheiro ali era meu, uma herança da minha mãe. Com poucos cliques, transferi cada centavo para uma conta nova, uma conta só minha, que ele nem sabia que existia.
Depois, liguei para o gerente financeiro do meu pai, um homem de confiança da nossa família há décadas.
"Senhor Martins, preciso de um favor. Quero que congele imediatamente todos os investimentos e linhas de crédito que minha família forneceu para as empresas do Ricardo. Todos eles."
Houve um silêncio do outro lado da linha.
"Senhorita Ana Paula, aconteceu alguma coisa?"
"Apenas faça, por favor. É urgente."
Eu não ia esperar três meses.
Eu não ia esperar pelo acidente.
Eu ia desmantelar o mundo dele antes que ele pudesse destruir o meu.
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