
A Vingança da Esposa Grávida
Capítulo 3
Na manhã seguinte, Ricardo acordou radiante.
Ele cantarolava no chuveiro, o som irritante ecoando pelo apartamento.
Enquanto ele se arrumava, eu o observava em silêncio, sentada na cama. Cada gesto dele, cada sorriso no espelho, parecia uma performance. Ele vestiu uma camisa cara, presente do meu pai, e borrifou um perfume que eu lhe dei no nosso aniversário de casamento.
Tudo nele era uma mentira que eu havia ajudado a construir.
"Hoje tenho uma reunião importante com novos patrocinadores", ele disse, ajeitando a gola. "Papai ajudou a marcar, não foi? Ele é o melhor sogro do mundo."
Ele veio me beijar, mas eu virei o rosto.
"O que foi?", ele perguntou, a falsa preocupação voltando.
"Apenas náuseas matinais", menti.
A náusea era real, mas não era do bebê. Era dele.
Ele pareceu aceitar a desculpa e saiu, assobiando, sem notar a frieza no meu olhar.
Assim que a porta se fechou, voltei para o celular. Para os comentários.
Eu precisava ter certeza. Precisava saber se aquilo era real ou se eu estava enlouquecendo.
Rolei a tela até encontrar o nome "Sofia" novamente.
[Sofia, a estagiária esforçada que só quer uma chance. Mal sabe a Ana Paula que a chance que ela quer é a de virar a nova Sra. Ricardo.]
[Lembram daquela fã que ele ajudou, que disse que vinha de uma família pobre e sonhava em trabalhar com produção de vídeo? É ela mesma.]
Uma lembrança me atingiu em cheio.
Há alguns meses, Ricardo chegou em casa falando sobre uma jovem seguidora. Uma garota chamada Sofia.
Ele me contou uma história comovente. Ela era de uma cidade pequena, tinha um talento incrível para edição de vídeos, mas não tinha dinheiro para estudar ou comprar equipamentos. Ela o idolatrava.
"Eu preciso ajudá-la, Ana", ele me disse na época, com os olhos brilhando de uma suposta bondade. "É o meu dever usar minha plataforma para dar uma oportunidade a quem merece."
Eu, a tola apaixonada, acreditei.
Eu até o incentivei.
"Claro, meu amor. Você tem um coração tão bom."
Lembro-me de conhecê-la. Foi em um evento de lançamento de um produto de Ricardo. Sofia era pequena, com olhos grandes e um ar de inocência quase infantil. Ela se aproximou de mim, tímida.
"Sra. Ana Paula, é uma honra conhecê-la. O Ricardo fala tanto de você. Diz que você é a inspiração dele."
Ela olhava para mim com admiração, quase veneração.
Naquele dia, eu a vi perto de Ricardo. Ela o olhava de um jeito estranho. Não era a admiração de uma fã por um ídolo. Era algo mais. Uma possessividade disfarçada.
Enquanto ele falava com os convidados, a mão dela tocou levemente o braço dele, um toque que durou um segundo a mais do que o necessário. Ninguém percebeu.
Mas eu percebi.
Na época, afastei o pensamento. Ciúmes bobo, eu disse a mim mesma. Ele é uma figura pública, é normal que as pessoas o admirem.
Ele me apresentou a ela como sua nova "protegida".
"Sofia vai nos ajudar com alguns projetos. Ela é muito talentosa."
Quando perguntei a ele sobre aquele olhar dela, ele riu.
"Amor, não seja boba. Ela é só uma menina. Ela me vê como um mentor, quase como um pai. Você está vendo coisas onde não existem."
Ele me abraçou e me beijou, e suas palavras doces dissiparam minhas dúvidas.
Agora, lendo os comentários, a ingenuidade daquelas minhas memórias me dava ânsia.
Ele não a via como filha.
E ela definitivamente não o via como pai.
Aquele toque no braço dele não foi acidental. Aquele olhar não era de admiração. Era de cálculo. De ambição.
Ele não estava apenas me traindo. Ele estava me fazendo de idiota, usando minha boa-fé e meu dinheiro para sustentar a amante bem debaixo do meu nariz.
A dúvida que eu sentia antes agora era uma certeza cortante.
Cada palavra doce dele, cada gesto de carinho, tinha sido uma mentira.
E eu tinha caído em todas elas.
Mas não mais.
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