Capa do romance Amor Titã

Amor Titã

8.9 / 10.0
Após o fracasso na captura da Titã Fêmea, a Tropa de Exploração enfrenta perdas devastadoras. Enquanto o Capitão Levi oculta sua dor sob uma fachada fria, surge um boato alarmante: uma segunda fêmea foi vista com Eren, Mikasa e Armin em Sina. Temendo uma traição mortal, Levi parte em uma missão desesperada e encontra as duas criaturas em combate direto. Agora, ele deve liderar seus soldados perdidos em meio ao caos de um confronto sem precedentes.

Amor Titã Capítulo 1

Em alguma cidade distante da segurança das muralhas, anos atrás...

O céu azul prometia um dia calmo e sem novidades para a maioria das pessoas.

Mas não para Annie e Lorena.

Os sons de golpes e respirações ofegantes eram audíveis, bem como ordens para que elas nunca parassem de golpear a madeira.

–Muito bem, Annie. Como esperado da minha filha. — A voz masculina não trazia nenhuma emoção.

A figura loira parou por um segundo, cansada e ofegante. Olhou rapidamente para a amiga que desferiu um chute no poste, igualmente sem fôlego.

–O que está fazendo Annie? Não pare!

Obedecendo a ordem, a loira continuou seu treinamento.

–Lorena! Isso é tudo que pode fazer?

Uma segunda voz masculina preenche o ambiente, deixando a morena furiosa.

Parou e encarou o homem que havia acabado de chegar. O sorriso cruel enfeitava seu rosto, aumentando a antipatia que a garota sentia por ele.

–Ora, vamos? Isso é seu melhor? — O desprezo e sarcasmo gotejava a cada palavra dita.

O coração de Lorena bateu acelerado de uma maneira que nunca ocorreu antes. O ódio corria por suas veias.

Sem pensar muito, a garota correu até o homem, atingindo primeiro seu estômago e depois seu rosto. Levantou um dos joelhos, lhe quebrando o nariz e acertando uma cotovelada em sua nuca.

Foi segurada pelo pai de Annie e pela própria loira. Seu olhar encontrou com o homem jogado no chão e sangrando.

Os olhos azuis refletiam os seus. A marca de sua família. Um azul tão claro e límpido que poderia representar a pureza e ingenuidade.

Mas ela sabia a verdade.

A verdade é que esses olhos carregava o mal, a destruição. Seu sangue era impuro e seus olhos, ela os odiava pois refletia mentiras e fardos.

Fardos que seu tio, agora com a mão pressionando o nariz quebrado, a forçou a carregar.

–Isso é tudo que pode oferecer, tio? — A ironia da garota fez o homem a encarar mortalmente.

Mataria aquela vadiazinha atrevida com as próprias mãos se não precisassem tanto dela.

Humilhado, se levantou e foi embora sem dizer nada. A punição de sua sobrinha viria mais tarde.

Lorena foi solta e arrumou a roupa, limpando o sangue em suas mãos e voltando a golpear os troncos. –Não deveria desafiá-lo. — Annie diz com a voz sem emoção, golpeando repetidamente o tronco com o punho esquerdo.

–Eu o odeio, Annie! Você não tem idéia do quanto! — Lorena retrucou com fúria, seu punho acertando o tronco com mais força, aprofundando os machucados já existentes ali. — Não farei o que querem!

A loira a olhou assustada.

Sempre soube que a amiga não concordava com muitas coisas, além de alimentar um ódio profundo por sua família e o que ela representava.

Porém, nunca imaginou que Lorena pensaria em se rebelar. Parando para analisar, não deveria estar surpresa.

–Annie, não precisamos mais fazer isso. Podemos ser livres. — Lorena parou os golpes e encarou a loira. Suas íris sempre sombrias tinham um brilho leve. Pateticamente esperançoso. — Não faz mais sentido transformar pessoas em titãs sem racionalidade e mandá-los matar pessoas. Humanos como nós!

Annie ouvia quieta o discurso da morena. Em parte concordava. Elas poderiam realmente ser livres.

Seriam livres quando cumprissem com o objetivo que lhes fora dado.

Não disse seus pensamentos. Seria retalhada por Lorena. Era a melhor em combate corpo a corpo, mas sabia que Lorena era imprevisível quando combinava suas habilidades com suas emoções.

–Podemos mesmo ser livres — disse friamente e olhou para o céu.

–Annie, estarei aqui por você independente de qualquer coisa. Sei que não concorda comigo completamente. Mas não se esqueça que somos apenas armas, peões de sacrifício.

Elas trocam um longo olhar em silêncio. A brisa agita seus cabelos, misturando fios loiros e castanhos pelo ar.

Annie sorriu e foi retribuída. Lorena a puxou para um abraço, reafirmando a promessa de ficar ao lado dela.

Annie era sua melhor amiga, sua irmã. Lorena prezava muito por ela e tentava salvá-la dessa cegueira.

Tinha que salvá-la.

Encerram o treino e seguiram para suas casas.

Annie ainda pensava no que Lorena havia dito. Parte de si queria segui-la, fazer o mesmo que ela. Entretanto, a lealdade para com seu pai falou mais alto. Era uma lealdade cega e doentia, mas Annie não abriria mão dela.

Lorena divagava e se preparava psicologicamente para o que enfrentaria. Não era estúpida a ponto de pensar que sua ousadia não tivesse consequências. Em sua mente, lista os possíveis castigos.

Chicotadas, queimaduras, espancamento, dormir para fora no frio, ficar horas ajoelhada em pedras, arear panelas até que a pele ficasse na carne viva, ficar presa com titãs enlouquecidos...

Parou por um segundo, o peito pesado. Sua mente gritava para ela não entrar em casa. Arrepios de alerta lhe percorriam o corpo. A latente sensação de que algo estava errado a corroía.

Eu deveria fugir enquanto posso...

Esse pensamento logo foi descartado com a possibilidade de deixar Annie para trás.

Lorena não a abandonaria.

Entrou e estranhou o silêncio e o vazio. Geralmente, seu tio reunia seus dois primos para lhe dar os devidos castigos. Era estranho e até mesmo perturbador estar tudo quieto e vazio.

Andou com cautela pela sala, evitando fazer barulho, pensando no que diabos poderia estar acontecendo.

Distraída, não percebeu a aproximação de seu tio pelas suas costas, e teve a cabeça atingida com força.

Caída no chão, sua cabeça girava e zunia, seu estômago estava revirado. A pancada foi forte demais e ela estava vulnerável.

–Você é uma vadia muito saidinha. — O desprezo era descarregado naquelas palavras. Lorena tentou se levantar e recebeu um chute no estômago.

A dor se espalhou por seu corpo e ela tentou puxar fôlego.

Pelo jeito, vou ser espancada.

Com as vistas embaçadas, a morena viu seu tio sorrir maldosamente e levar as mãos ao cinto.

–Talvez seja hora de eu te ensinar de outro jeito a me respeitar. Mas não se preocupe, você vai gostar. — A malícia tomou seu rosto e sua calça foi aberta.

A garota entrou em choque e tentou novamente se levantar, sendo impedida com o homem se sentando sobre seu abdômen.

Pela primeira vez na vida, sentiu medo. O terror ameaçava sufocá-la, seu corpo tremia e estava gélido.

A garota tentava se libertar, o pânico a forçando a gritar e se debater como podia.

Um tapa ardido atingiu seu rosto e a primeira lágrima escorreu.

Em todos aqueles anos, a garota nunca havia chorado ou demonstrado algum tipo de fraqueza. Mesmo com todas as humilhações e maus tratos, ela aguentava encarando o tio e os primos no olho, sem abaixar a cabeça e se render.

Mas agora, o medo a dominou. Só queria sair dali.

–Ah, agora você chora? — O tio gargalhou de forma lunática. — Sabe, você ficou gostosinha com o tempo. É o pagamento por eu ter cuidado de você apesar de ser uma vadia boca suja e mal criada.

Rasgou a blusa de Lorena que tentou novamente lutar contra o que acontecia, recebendo o soco e sentindo o gosto de sangue tomar sua boca.

Seu tio, impaciente, amarrou suas mãos com o próprio cinto e tirou as roupas que faltava da menina, se colocando sobre ela a penetrando de forma rude.

O grito de dor ecoou pela casa, mas o homem não parou. Continuou forçando seu membro contra a intimidade virgem e sem preparo.

O sangue escorria e as lágrimas da menina também. Chorava pela dor, pela humilhação.

Seu tio gemia satisfeito, sem se importar com seu sofrimento. Quando estava prestes ao chegar ao seu ápice, se retirou de dentro da jovem e se masturbou próximo ao seu rosto, fazendo sua porra sujar o mesmo.

Jogada no chão, a garota virou o rosto e vomitou sangue. Sentia-se suja, imponente e envergonhada.

O tio saiu assobiando satisfeito, largando a jovem nua e estuprada no chão de sua sala, como se fosse uma puta qualquer.

Nem putas merecem isso.

Esse pensamento foi abafado em sua cabeça e Lorena chorou como a anos nunca havia feito. Arrastou-se para o seu quarto, onde se encolheu num canto e desejou a morte.

Não pensou em Annie, nem no poder que lhe era destinado. Pensou em apenas morrer e se juntar aos pais. Morrer e dar fim aquela vida miserável.

O pensamento do suicídio lhe era atraente. Muito atraente. Porém, algo tomou seus pensamentos.

Melhor do que ela morrer, era seu tio pagar pelo o que havia feito.

Continue Lendo

Amor Titã de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Infiel I
8.1
Lígia está presa em um casamento de conveniência com um magnata, vivendo uma realidade amarga e sem afeto. Em uma tentativa desesperada de escapar dessa dor, ela se entrega a uma noite de paixão com um desconhecido atraente. No entanto, o que parecia ser um encontro fortuito revela-se algo planejado. Agora, as consequências desse momento inesperado prometem transformar sua trajetória e seu destino para sempre, mudando tudo o que ela conhecia.
Capa do romance A Vingança da Cega
9.5
Após sacrificar sua visão pelo marido Pedro, a protagonista recupera os olhos e descobre uma traição cruel com sua secretária. Fingindo-se de cega, ela suporta humilhações e até uma gravidez secreta para planejar sua revanche. Após ser desonrada publicamente em uma festa, ela consegue provas da infidelidade e engana Pedro para que assine o divórcio sem perceber. Livre e esperando um filho, ela queima o passado para reconstruir sua vida longe de mentiras.
Capa do romance Amor Sem Medidas
9.2
Laura Andrade prioriza o bem-estar de sua família, vivendo com humildade e protegendo quem ama. Em contraste, o bilionário Álvaro Meirelles, apesar da fortuna, busca a simplicidade de um amor genuíno. Quando o destino une esses dois mundos opostos, surge uma paixão intensa que desafia as convenções sociais. Contudo, para ficarem juntos, eles precisarão superar segredos profundos e obstáculos que testarão a força desse sentimento inesperado.
Capa do romance Casamento de Dor, Destino de Vingança
9.3
Luana renasce diante de Pedro, o homem que matou seus filhos e a torturou. Ele planeja um casamento falso com a prima, Sofia, para salvá-la, mantendo Luana como posse. Presa em um porão escuro após ser agredida, Luana descobre que Sofia também voltou do passado. Com o poder de seu amuleto tribal, ela resiste à crueldade do marido. A vingança se aproxima quando Lucas, seu verdadeiro protetor, surge para resgatá-la do cativeiro e levá-la finalmente para casa.
Capa do romance Love And Obsession
9.1
No luxuoso e perigoso submundo do crime, uma ousada estudante de moda conhece um sedutor arquiteto que esconde sua vida como mafioso. Entre desfiles e intrigas obscuras, os dois mergulham em um romance proibido. Enquanto ela desperta sentimentos profundos nele, o homem a introduz em um mundo de riscos constantes. Juntos, eles enfrentam segredos fatais e questionam os limites do próprio sacrifício, tentando sobreviver a uma paixão que ameaça destruir tudo.
Capa do romance Mais do Que Uma Criada: A Vingança de Lia
9.5
Após anos de desprezo, Lia é forçada pela família Almeida a cuidar da matriarca, Dona Amélia. Sob o olhar frio da sogra e a traição de Pedro, que ridiculariza o seu trabalho como escritora, ela é reduzida a uma mera empregada. O ápice da humilhação surge quando o marido a insulta abertamente, ignorando o seu sofrimento. Determinada a recuperar a dignidade, Lia foge na calada da noite, iniciando uma batalha judicial pelo divórcio e pela sua liberdade.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar