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Capa do romance A Vingança da Alma Esquecida

A Vingança da Alma Esquecida

Meu nome é Lia Oliveira e, aos 17 anos, eu só queria uma família que me amasse de verdade. Fui acolhida pelos ricos Silva, que me tiraram da pobreza, e Pedro, o filho deles, prometeu me proteger para sempre. Mas Sofia, a menina que eu acreditava ser minha irmã de coração, transformou minha vida num inferno particular. Ela instigava intrigas sutis, plantava a discórdia, me isolava e, por fim, com a ajuda de cúmplices, encenou um falso escândalo de orgia para me destruir. Meus pais adotivos, cegos pelas mentiras dela, me expulsaram de casa, e Pedro, meu protetor prometido, virou as costas pra mim, me acusando de ser uma "víbora" e "manipuladora". Fui jogada numa casa velha, abandonada, meu nome e minha reputação em ruínas. Eu não era uma monstra; eu era uma vítima silenciada, minha voz abafada pelo ódio e pela incompreensão de todos. No meu último dia, ela veio. Com um sorriso vitorioso, Sofia confessou cada maldade, me torturou e me assassinou a sangue frio, tudo para garantir o controle sobre Pedro e a fortuna dos Silva, fazendo parecer que eu tinha cometido suicídio. Minha alma ficou presa naquela casa, testemunhando a verdade sufocada por cinco anos, enquanto o mundo acreditava nas mentiras. Mas hoje, um streamer de mistérios, Ricardo, apareceu. Ele veio para me "exorcizar" e, sem saber, trouxe consigo a única chance da minha voz ser ouvida.
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Capítulo 3

Na luxuosa sala de estar da mansão Silva, a TV de tela plana exibia a transmissão ao vivo de Ricardo.

Pedro Almeida, meu irmão adotivo, assistia com o rosto fechado, a mandíbula travada de raiva.

"Mas que merda é essa?", ele rosnou, pegando o copo de uísque da mesinha de centro e o arremessando contra a parede.

O copo se estilhaçou, espalhando cacos de vidro e líquido âmbar pelo tapete persa.

Sofia Mendes, sua noiva, correu para o seu lado, com uma expressão de choque e preocupação perfeitamente ensaiada.

"Pedro, querido, o que foi? Se acalme!"

"Me acalmar? Você está vendo isso, Sofia? Um idiota qualquer está na... naquele lugar, falando o nome dela, remexendo no nosso lixo! Isso é um insulto!"

O Sr. Silva, meu pai adotivo, desceu as escadas, ajeitando o roupão de seda. Seu rosto, normalmente impassível, mostrava uma irritação contida.

"O que são esses gritos? E que bagunça é essa?"

Pedro apontou para a TV. "Pai, olhe! Estão fazendo um circo com a nossa desgraça! Temos que parar isso agora! Mande o advogado ligar para a plataforma, processe esse imbecil!"

O Sr. Silva olhou para a tela, seu desgosto se aprofundando.

"Já não basta a vergonha que ela nos fez passar em vida? Agora até depois de morta ela continua nos assombrando. Ligue para o Dr. Matos, resolva isso, Pedro. Não quero o nome da nossa família associado a esse espetáculo de baixo nível."

Sofia, então, abraçou Pedro por trás, aninhando o rosto em suas costas e começando a chorar suavemente.

"É tudo culpa minha, Pedro... Eu deveria ter sido mais forte por você, por nós. Ver isso, ouvir o nome dela de novo... Dói tanto. Lembrar de tudo que ela fez..."

A voz dela era um sussurro trêmulo, a performance de uma vítima perfeita. Pedro imediatamente se virou, sua raiva se transformando em preocupação por ela.

"Não, meu amor, a culpa não é sua. A culpa é daquela... daquela víbora. Você foi a única que viu quem ela era de verdade desde o início."

A Sra. Silva, que observava tudo da porta da cozinha com um copo de vinho na mão, soltou uma risada amarga.

"Víbora é pouco. Aquela garota foi a nossa ruína. Tomara que o diabo a tenha no inferno. Que ela queime por toda a eternidade por ter tentado destruir nossa família."

Ela bebeu um gole grande de vinho, seus olhos brilhando com um ódio antigo e cruel.

Enquanto isso, de volta à casa abandonada, Ricardo continuava sua exploração.

"Galera, olhem isso aqui", ele disse, apontando a lanterna para uma parede no quarto principal, o meu antigo quarto.

A parede estava coberta por arranhões profundos, marcas de unhas que haviam rasgado o papel de parede e o gesso por baixo. Eram as minhas marcas, dos dias em que a dor e o desespero eram tão grandes que eu precisava sentir algo físico para não enlouquecer.

A câmera focou nos arranhões.

"Parece que alguém teve um ataque de raiva aqui. Ou estava tentando arranhar para sair", ele especulou, tentando criar um clima de suspense.

No chat, a discussão começou.

"Nossa, que sinistro!"

"Isso aí deve ter sido bicho, rato, sei lá."

"Ou o fantasma dela está preso aí e quer sair! Arrepio!"

Ricardo sorriu. O show estava apenas começando. Ele ainda não fazia ideia de que aqueles arranhões não eram o verdadeiro horror contido naquelas paredes.

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