Capa do romance Elo Mortal

Elo Mortal

9.5 / 10.0
Em Elo Mortal, Neelam tenta recomeçar sua vida, mas vira alvo de um perseguidor perigoso. Neste romance e mystery story, ela deve desvendar a identidade do admirador antes que novas vítimas surjam. Leia este suspense em nossa plataforma de web novel e descubra o preço da liberdade.
Resumo de Elo Mortal
Superar um passado traumático é o objetivo de Neelam, mas sua busca por recomeço é interrompida por um perseguidor implacável. Esse admirador secreto impõe regras fatais: ela não deve se envolver com ninguém. Ao desafiar as ordens, Neelam desencadeia uma tragédia que fere uma pessoa próxima. Agora, ela está presa em um jogo sádico e precisa desmascarar o culpado antes que o próximo alvo seja atingido nesta tensa prequela de Inconsequentes.
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Elo Mortal Capítulo 1

Glaretown, Maine (E.U.A) 1997

Parada em frente ao espelho, Neelam encarava a si mesma, feliz por seu uniforme novo ter lhe servido. Ela sofrera nas férias para perder peso e agora estava convencida de que, diferente de como fora em seu colégio anterior, ela não chamaria a atenção por causa de sua aparência.

— Já está pronta querida? Vai se atrasar. — Disse Mikaela ao bater à porta do quarto de sua filha.

— Sim. Mamãe, desço em um minuto. — Respondeu Neelam.

Ao chegar em Harmony High School, Neelam foi até a diretoria, pedir ajuda para encontrar sua sala, e a diretora a mandou ir até o Grêmio falar com Killian, o presidente do Grêmio.

Neelam entrou timidamente no grêmio e se aproximou de um rapaz loiro que estava de costas para ela, mexendo em alguns papéis.

— Com licença… — Neelam disse.

— Sim, em que posso ajudá-la? — Killian disse se virando e a encarando com seus penetrantes olhos cor de âmbar.

— Eu me chamo Neelam Ferraz e estou aqui porque a diretora pediu para que viesse falar com você.

— Prazer, sou Killian Werner, o presidente do Grêmio. — Apresentou-se ele, estendendo a mão para um aperto formal. — Em que exatamente posso ajudá-la?

— É sobre uns papéis. Eu acho. Não entendi bem. — Disse Neelam apertando a mão dele.

— Sua ficha de inscrição? — Tentou adivinhar Killian.

— Isso mesmo. — Disse Neelam.

Killian deu uma olhada na pasta que ela lhe entregou e lhe explicou que ainda faltavam alguns papéis e pediu para que ela os providenciasse o quanto antes. Em seguida, deu-lhe instruções de como fazer isso.

— Obrigada. Trarei o que me pediu. — Disse Neelam antes de deixar a sala.

Caminhando apressada, ela tomou o corredor à sua esquerda e sem querer, esbarrou em um garoto magricelo que usava óculos. Com o impacto da queda, o garoto deixou seus livros caírem no chão.

— Oh, me desculpe? Eu sinto muito. — Disse Neelam nervosa e abaixou-se e ajudou o garoto a recolher seus livros.

— Não. A culpa foi minha. Não sua. Eu estava distraído. — Falou o garoto enquanto recolhia seus livros.

— Mil desculpas. — Disse Neelam após ajudá-lo a recolher seus livros do chão.

— Tudo bem. Não foi sua culpa. — Disse ele, ajeitando seus óculos.

— Prazer. Eu me chamo Neelam Ferraz, mas pode me chamar só de Neelam.

— Sou Kendall Maldonado, mas pode me chamar de Ken. — Disse ele sem jeito. — E então, você também é nova aqui?

— Sim. A propósito, você completou sua ficha de inscrição? — Disse Neelam.

— Sim. — Respondeu Kendall. — Precisa de ajuda com a sua?

— Sim, eu sou nova aqui e ainda não sei nem onde fica o banheiro. — Disse Neelam.

— Seria um prazer ajudá-la. — Falou Kendall.

Dessa forma, ele a acompanhou e a ajudou a completar sua ficha de inscrição. Os dois foram até o grêmio. Neelam entrou na sala e Kendall a esperou do lado de fora. Neelam entregou os papéis a Killian. Ele os conferiu e pediu a ela que entregasse os mesmos à diretora. Após fazer isso, Neelam e Kendall foram para a sala de aula.

As duas primeiras aulas de História foram bem tranquilas. No entanto, no terceiro tempo, na aula de Geografia, um ruivo, vestido como um roqueiro entrou na sala e passou por Neelam, a encarando de uma forma que ela não pode discernir se era malícia ou deboche ou os dois. Ele sentou-se atrás dela.

— Pode me emprestar um marcador? — O ruivo sussurrou em seu ouvido.

Neelam abriu seu estojo e apanhou o marcador e a entregou ao ruivo. Ele sorriu malicioso e piscou para ela. Neelam permaneceu séria e se virou.

Cinco minutos depois, quando o professor se distraiu, o ruivo sussurrou no ouvido dela:

— Obrigado.

Ela assustou-se!

— Ops… — Disse o ruivo ao derrubar de propósito o marcador na gola do suéter dela.

Neelam sentiu o marcador escorregar por seu busto e se virou, irritada, enfiando a mão em seu suéter e o pegando.

— Qual o seu nome? Eu sou o Duke Benson. — Ele sussurrou outra vez no ouvido dela.

— Não te interessa. — Neelam respondeu.

Duke recuou e não voltou a incomodá-la.

Na hora do almoço, Neelam e Kendall tiveram uma prévia de como seria o restante do ano letivo para ambos, quando foram ignorados pelos outros estudantes, que prefiriram se apertar nas mesas próximas a se juntarem a eles.

— Que bom que temos privacidade. — Kendall sorriu amargo.

A duas mesas de distância da deles, estava um grupo de amigos que não tinha nada melhor a fazer a não ser tentar reunir alguma informação e adivinhar quem eles eram.

— Será que são irmãos? — Blair Oneil disse. Ela era baixa e magra. Seu cabelo era tingido em um tom violeta, e seu cumprimento era acima dos ombros. Seus olhos eram de um azul-cinzento. Ela tinha um ar doce que combinava com sua personalidade introvertida.

— Não. Eles não parecem irmãos… Nem de longe. — Mattew Mckinney disse. Ele era irmão gêmeo de Anderson (Dru) Bertolini, mas ambos não possuíam o mesmo sobrenome porque foram adotados por famílias diferentes. Os irmãos eram idênticos fisicamente, mas tinham personalidades opostas.

— Talvez, sejam namorados… — Brielle Wilkins disse. Ela era naturalmente ruiva, com olhos azuis, e costumava deixar seus cabelos presos em duas tranças.

— Nossa! Dá para sentir a paixão daqui. — Mattew disse, sarcástico.

— Então… Não que eu seja uma fofoqueira, mas… — Willow McDaniel sorriu com a segurança que somente alguém muito bem informado demonstraria. — Eles foram transferidos de colégios diferentes. Ela veio de outra cidade, na verdade. — Willow passou a mão por seu cabelo louro platinado e olhou rapidamente para a mesa de Neelam e Kendall.

— Foi a Savannah que te contou, não foi? — Mattew disse, desconfiado.

— Eu nunca revelo minhas fontes. — Willow se inclinou para frente como se fosse contar um segredo a seguir. — Por acaso, um passarinho me contou que ela chamou a atenção do Duke.

— Coitada! — Mattew riu alto. — O Duke é terrível! Se ela for esperta, ficará bem longe dele.

— Oh, oh… — Blair disse, nervosa.

Mattew seguiu o olhar dela, e Willow se virou, deparando-se com a chefe das líderes de torcida que estava parada atrás de Willow, ouvindo o que ela dizia.

— Gillian? Não quer se sentar? — Mattew disse, sorrindo com raiva. — Você não tem nada melhor para fazer que ficar ouvindo a conversa alheia?

Gillian Werner o ignorou e se voltou a Willow, lhe perguntando:

— Quem é essa garota que estão falando?

— Que garota? — Willow se fez de boba.

— Neelam! Ela está ali! — Blair apontou a direção.

— Quieta! Traidora! — Mattew disse a Blair.

— Muito obrigada, Blair. — Gillian sorriu, satisfeita e se afastou.

— Você ficou louca, Blair? Por que fez isso? — Brielle disse sem compreender.

— Eu não quero mais a Gillian pegando no meu pé. Estou cansada de ser o saco de pancadas dela. — Blair disse, abaixando a cabeça, chateada.

— Só que você não será melhor que ela se permitir que ela faça com os outros o que faz com você. — Mattew disse.

† † †

Gillian se aproximou da mesa de Neelam e ficou parada, a encarando. Neelam tentou ignorá-la, mas foi impossível.

— Você quer alguma coisa?

— Não. — Gillian sorriu. — Na verdade, sim. Estou tentando descobrir porque você chamou a atenção do MEU namorado!

Neelam encarou Kendall, vermelha.

— Por que não me disse que tinha uma namorada?

— O quê? Não. Ela não é minha namorada! — Kendall disse.

— Não seja ridícula! É do Duke Benson que estou falando! — Gillian bateu na mesa.

— Eu não sei quem ele é nem me interessa saber. Você está me confundindo, garota. — Neelam disse.

— Você é Neelam, certo? — Gillian disse.

— Já disse que não conheço esse cara. Me deixe em paz! — Neelam disse.

— Fique longe do meu namorado. Vadia! — Gillian esbofetou a face de Neelam.

Neelam notou que os outros à sua volta pararam para prestarem atenção ao que acontecia e, além da vergonha, ela sentiu raiva. Sem pensar se levaria ou não a pior, enfrentando aquela garota, ela se levantou e devolveu o tapa que recebeu. Gillian se enfureceu e a agarrou pelos cabelos. Os alunos deixaram suas mesas e se amontoaram ao redor das duas, ávidos pelo desfecho daquela briga.

Kendall tentou apartar a briga, mas os outros o detiveram, segurando-o pelos braços.

Killian abriu espaço entre a multidão a cotoveladas e conseguiu chegar até onde as garotas estavam. Ele puxou Gillian, tirando-a de cima de Neelam, e quando Neelam se levantou do chão e tentou avançar em Gillian, Killian se colocou entre as duas e disse com autoridade:

— Parem!

— Foi ela que começou! — Neelam disse.

— Não me interessa quem começou. Vamos ao Grêmio, agora! — Killian agarrou Gillian pelo braço, a arrastando.

Gillian protestou, mas não adiantou. Neelam abaixou a cabeça e seguiu Killian.

— Estou desapontado com as duas. Especialmente com você, Gill! — Disse Killian encostando a porta do grêmio para que não fosse interrompido. — Vocês tem noção do papel ao qual se prestaram hoje? O que fizeram foi ridículo!

— Sinto muito. — Disse Neelam sem coragem de encará-lo.

— Como chegaram a isso? — Perguntou Killian.

— Foi ela quem começou, Killian! — Disse Gillian.

— Mentirosa! Você veio até a minha mesa e me acusou de estar envolvida com o seu namorado, mas eu disse que NÃO tenho a mínima ideia de quem seja ele! — Disse Neelam.

— Vadia! Mentirosa! — Disse Gillian. — Sei que você foi se oferecer a ele.

— Parem com isso! — Falou Killian dando um murro na mesa.

As garotas se calaram.

— Vá para a sala, Gill! Conversamos depois! — Falou Killian.

Gillian deixou a sala resmungando e bateu a porta ao passar. Killian encarou Neelam por algum tempo, esperando que ela se defendesse, mas ela não disse uma só palavra.

— Vou ter de comunicar a diretora o que houve e além da detenção, talvez, você seja suspensa. A política desse colégio é bem rígida e não tolera agressão física. — Falou Killian.

— Eu só me defendi. O que eu deveria ter feito? Apanhado calada? — Neelam disse.

Killian suspirou, cansado, e pensou antes de dizer:

— Droga. Não. Eu sei que a minha irmã é terrível.

— Ela é sua irmã? Sinto muito por você. — Neelam disse.

— Olhe? Infelizmente, preciso comunicar a diretora sobre o que houve, mas… Eu poderia usar a minha influência e convencer a diretora de que dessa vez a culpa é da Gillian, se você me fizesse um favor. — Killian disse.

— Mas a culpa é realmente dela… — Neelam disse.

Killian balançou a cabeça e disse:

— Você é novata, então, não entende… Quando a diretora perguntar aos outros alunos o que houve, todos dirão que foi você e não a Gillian quem começou porque a Gill é o demônio e ninguém quer irritá-la.

— Pelo visto, nem você. Então, por que? — Neelam disse.

— Tem outro demônio pior que ela e se você pudesse enfrentá-lo por mim, seria ótimo. — Killian disse.

— E quem seria esse demônio? — Neelam inquiriu.

— Duke Benson. — Killian respondeu.

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