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Capa do romance A procura do AMOR

A procura do AMOR

Victoria leva uma vida comum e discreta, mas vive um dilema interno: nunca sentiu a verdadeira paixão, nem mesmo com seu atual namorado. Buscando o ardor do amor, ela se aventura em um encontro às cegas com um estranho da internet e, simultaneamente, se aproxima de um novo aluno na escola. Dividida entre essas duas novas conexões, Victoria enfrenta uma confusão emocional inesperada. Agora, ela deve descobrir se a abundância de escolhas é o caminho para o seu coração.
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Capítulo 2

Hoje, o dia começou de maneira comum, como tantos outros. A luz do sol invadiu o quarto de forma cintilante, induzindo-me a despertar. Espreguicei-me, esfreguei os olhos, ainda repletos de remela, e permaneci por alguns minutos contemplando o teto, aguardando a plena retomada da consciência. Somente após esse breve ritual, lancei as cobertas de lado e encaminhei-me para um revigorante banho matinal. Sempre apreciei a rotina de iniciar o dia assim, um hábito enraizado principalmente pelo horário matutino dos meus estudos.

Hoje, por sorte, era sábado, uma pausa na agenda rotineira. No entanto, as opções para preencher o dia ainda não estavam definidas. Com um macacão largo e florido escolhido como vestimenta, cogitei a possibilidade de ligar para minhas amigas. Contudo, a perspectiva de envolver-me em conversas centradas em garotos, beijos e paixões imediatamente dissipou meu entusiasmo. Atualmente, minhas três melhores amigas são Bia, Bruna e Estefani, enquanto na escola existem outros grupinhos de colegas com quem mantenho convívio. Apesar de ser rotulada como "a nerd", não me considero antissocial; sou simplesmente mais focada e racional do que muitos dos meus amigos.

Diante da ideia de evitar o tumulto e o clichê das conversas usuais, optei por descer até a sala, onde tomei um tranquilo café da manhã e decidi passar o dia imersa em séries. É inevitável questionar a razão pela qual clichês são tão cansativos. As tramas previsíveis, como o encontro acidental que resulta em olhares apaixonados, ou o amor proibido que ecoa em tragédias como em "Romeu e Julieta", não fazem parte da minha perspectiva romântica. Não arriscaria minha vida por amor e, honestamente, nem mesmo experimentei esse sentimento de maneira romântica. Amo profundamente meus amigos, disposta a fazer tudo para protegê-los. Entretanto, essa abordagem de colocar o outro sempre em primeiro lugar não me parece saudável. Contudo, confesso que, em algum momento, gostaria de experimentar a sensação de estar verdadeiramente apaixonada. Quem sabe assim minha visão sobre o romance mudasse de forma surpreendente.

Meu celular começou a tocar, esquecido debaixo da minha bunda no sofá. Era Eduardo, meu melhor amigo e namorado.

— Alô, Duda!

— Amor, te acordei?

— Não, estava acordada faz tempo. O que houve?

— Nada demais, apenas que hoje vai ter uma festa na casa dos meus amigos. Quer ir comigo, gatinha? — Fechei os olhos.

— Eu não sou muito fã de festas, mas por você eu vou. — Ouvi sua respiração do outro lado da linha.

— Valeu, amor! Você sabe que é a melhor! — Comemorou, e tive que rir.

— Sei, também te amo. Beijos!

Essa era a dinâmica do meu relacionamento com Eduardo. Éramos melhores amigos, ele era alto-astral e um cara incrível. No entanto, faltava algo. Eu sentia que nosso relacionamento não tinha uma faísca, era tudo muito confortável. Várias vezes pensei em terminar, mas quando chegava a hora, simplesmente travava. Eduardo parecia realmente gostar de mim, e eu não queria quebrar seu coração.

A noite finalmente chegou. Optei por vestir uma calça preta rasgada nos joelhos, uma blusinha branca e uma camisa xadrez preta e branca por cima. Deixei meus cabelos castanhos soltos e lisos, sem muitos adornos. Não sendo fã de maquiagem, apliquei apenas um delineador e um batom vermelho para completar o visual. Fiquei na sala, balançando o joelho freneticamente, aguardando a chegada de Eduardo.

— Claro, mãe. A senhora sabe que não sou fã de bebidas. Estou indo nessa festa unicamente para agradar ao Eduardo.

Dona Regina, minha mãe, já estava alerta: "Eu sei que o Eduardo cuida de você, mas nada de ficar bêbada e vir muito tarde, está bem, Vitória?"

— Falando de mim? — A porta abriu, e ele entrou sorridente, vestindo-se de maneira impecável. Eduardo foi direto cumprimentar minha mãe. Ele era assim, crescemos juntos desde pequenos; era como se fosse da família.

— Olha lá! Para onde vai levar minha princesa, garoto? Eu já perguntei para sua mãe que tipo de festa é essa.

— Fica tranquila, tia. Vitória está comigo; é o mesmo que estar com um anjo. — Tive vontade de rir. Só minha mãe para cair nessa cara lavada dele.

— Tudo bem, em você eu confio. — Alisou o rosto dele.

— Vamos, gatinha?

— Vamos! — Levantei, fingindo uma empolgação que não existia.

— A propósito, você está linda. — Sussurrou no meu ouvido, entrelaçando nossas mãos.

Seguimos para a festa de Uber. Eu não sabia o motivo, mas não estava com um pressentimento bom. Espero que seja apenas coisa da minha cabeça.

— Você parece tensa, relaxa. — Eduardo beijou meu pescoço, e forcei um sorriso. Olhei pela janela e observei as luzes brilhantes da cidade reflexiva. Eu queria entender por que era tão difícil me apaixonar. Será que o erro estava em mim? Senti os dedos de Eduardo aquecendo minha mão. Ele aparentemente era o namorado perfeito. Então, qual é o meu problema?

— Chegamos! — Ele informou, e descemos do carro. Normalmente, os amigos de Eduardo eram bem de vida, por isso não me surpreendia que a festa fosse em uma mansão, à beira da piscina, um lugar totalmente luxuoso, com paredes claras e portas de vidro. Eduardo falou nossos nomes e entramos. A sala era enorme, com sofás pretos e um carpete listrado no chão. Ilustres já tinham algumas pessoas bebendo e dançando. Para minha surpresa, a maioria era de maiores; não vi ninguém da nossa escola.

— E aí, Duda, pelo visto trouxe sua gata hoje. — Um rapaz loiro de olhos verdes chegou com uma taça de vinho na mão. Ele certamente tinha uns vinte e poucos anos. Eduardo era de maior, já tinha dezenove, pois ficou dois anos afastado. Eu ainda tinha dezessete.

— Sim, essa é a Vitória.

— Pode me chamar de Vick se preferir. — Estendi a mão cordialmente.

— Prazer em conhecê-la, Vick. Eu me chamo Lucas. — Ele levou minhas mãos aos lábios, beijando de maneira sedutora. Senti um certo desconforto e recuei rapidamente.

Eduardo e eu fomos um pouco para a pista de dança. As luzes roxas e brancas piscavam sem parar, e começamos a dançar colados um no outro, balançando nossos quadris no ritmo da canção. A bebida já estava fazendo efeito no meu corpo; eu me sentia mais leve do que antes. Toda a tensão do início tinha se dissipado como névoa.

— Vamos para um lugar mais privado. — Eduardo sussurrou no meu ouvido, e eu concordei. Nem acreditava que estava prestes a fazer isso. Subimos as escadas sem chamar a atenção e entramos no primeiro quarto que surgiu na nossa frente. Eduardo cobriu meus lábios com os seus em um beijo urgente e cheio de paixão. Eu procurei corresponder na mesma intensidade, mas confesso que era difícil acompanhar sua rapidez. Suas mãos começaram a percorrer meu corpo, mas quando desceram para minha bunda, apertando, um sinal de alerta foi transmitido para o meu cérebro, e cortei o beijo.

— Tudo bem? — Eduardo perguntou, e eu assenti sorrindo fraco. Ele voltou a me beijar, tirou a camisa xadrez e segurou a barra da minha blusa, passando-a pelo pescoço. Ele me trouxe até a cama e me deitou, distribuindo beijos molhados por todo meu corpo. Estranhamente, meu corpo não correspondia aos estímulos que ele estava se empenhando em alcançar. Novamente, suas mãos viajaram até o fecho do meu sutiã para desabotoar, e eu travei.

— Eduardo, para! — Falei bruscamente, o empurrando. Ele me olhou incrédulo.

— Vitória, qual é o seu problema?! — Esfregou o rosto frustrado, enquanto eu me levantava rapidamente e vestia minha blusa.

— Desculpe, eu não consigo. O problema não é você, sou eu.

— É claro que o problema sou eu. Você claramente não sente o mesmo por mim, é isso? — Ele me olhou chateado, e o nó parou na minha garganta.

— Eu sinto muito! — Murmurei com a voz embargada. — É melhor nós terminarmos.

— Tudo bem, faça isso, porque eu não iria conseguir fazer. Eu tinha esperança de que um dia fosse se apaixonar, mas estava totalmente equivocado. Vou te levar para sua casa. — Ele disse visivelmente abalado. Nesse momento, tive certeza de que não tinha apenas perdido um namorado, mas também meu melhor amigo. O que há de errado comigo? Por que não consigo me apaixonar por ninguém?

Entrei no quarto entre lágrimas, incapaz de segurá-las a tempo para que minha mãe não percebesse. Ela perguntou o que tinha acontecido, mas eu apenas disse que Eduardo e eu tínhamos terminado e não expliquei o motivo. Me joguei na cama e abracei meu travesseiro. Eu sabia que era errado, não era conveniente namorar meu melhor amigo se não sentia o mesmo. Isso só iria estragar nossa amizade.

Não conseguia entender por que para as outras pessoas era tão fácil se apaixonar, enquanto para mim era como ganhar na mega-sena, uma chance em um milhão. Estranhamente, estava começando a achar que não era desse planeta.

No dia seguinte, nem cogitei a possibilidade de me levantar da cama. Tudo o que eu menos queria era ir para o colégio e dar de cara com Eduardo. Mas, para meu azar, fui surpreendida pelas minhas amigas insistentes. Minha mãe, como sempre, sabia usar minhas amizades para me persuadir a seu favor. Eu estava coberta até a cabeça, mofando embaixo do cobertor, quando a porta se abriu.

— Ela está ali. Vejam se, para vocês, ela conta o que aconteceu, porque para mim, parece que estou falando com uma parede. - Bufou, saindo do quarto.

— Vitória! Pode desembuchar e contar agora por que não quer ir à escola. - A primeira a gritar e pular em cima de mim foi a Bia, seguida da Bruna e da Estefani.

— Me deixem, não quero dizer.

— Ah, mas você vai dizer sim. Foi o Eduardo, não é? O que aquele cretino te fez? - Bruna falou brava, e eu voltei a chorar compulsivamente, sendo tomada pela culpa.

— Não disse?! Eu vou agora quebrar os dentes dele!

— Não! - Joguei a coberta para longe. - Eduardo não fez nada. Fui eu.

— Você? - Estefani, que até então apenas observava, resolveu se pronunciar.

— Sim, nós terminamos porque eu não consigo sentir nada por ele. - Falei desolada.

— Oh, Vick! - As três me abraçaram juntas.

— Me diga, o que tem de errado comigo? Por que não consigo me apaixonar? Hum?

— Ai, amiga, talvez o erro não esteja em você, e sim, você não encontrou o cara certo. - Bia me consolou.

— Errado, o erro está nos homens. Todos iguais. - Bruna disse carrancuda, ela novamente tinha brigado com o namorado. — Às vezes, você apenas não tem opções suficientes, sabe? No nosso colégio, são sempre os mesmos alunos, não tem novidades. Você precisa encontrar pessoas novas.

— E como eu faria isso? Se nem saio de casa.

— Adivinha? Existe um novo aplicativo que foi lançado. Chama-se "Encontros às Cegas". Digo, não tão às cegas assim, porque você vê a foto do perfil da pessoa e seus gostos pessoais. Se tiver interesse, você aceita o convite e vão para um encontro romântico juntos. O que acha? - Bruna comenta empolgada.

— Deixa-me ver isso! - Bruna toma o celular da sua mão.

— Loucura! Da onde tirou que Vitória vai aceitar um absurdo desses?!

— Eu topo! - Comentei animada.

— Não disse. O quê? Você topa? - Bruna me olhou incrédula.

— Sim, eu topo. Quem sabe aqui está o grande amor da minha vida? - Peguei o celular bisbilhotando.

— Não brinca?! Nossa, Vitória está se tornando adulta. - Bia zomba, me abraçando, e reviro os olhos.

— Eu só quero me apaixonar. Impossível, com tantas opções interessantes, eu não gostar de ninguém.

— Certo! Mas vamos começar com uma pequena mentira. Eu andei olhando esses aplicativos, e os caras mais bonitos têm vinte e cinco anos para cima.

— Universitários? Ficou louca, Estefani? Não saímos com universitários.

— Não saímos ainda, mas você vai sair. Eles são gatos, é o sonho de qualquer garota da nossa idade.

— Eles são mais velhos! - Rebato impertinente.

— E daí? Quanto mais velho, melhor, como um bom vinho. E você, Vitória, faz dezoito este ano, não está tão ruim assim.

— Tá bom que seja, mas por favor, não tão velho! E nem tão cafajeste. Quero alguém do meu tipo. - Falei determinada, e ela deu um sorrisinho. Terminei de fazer o meu perfil de forma exigente, recebendo algumas críticas das minhas amigas.

— Ah, você é tão careta. Dificilmente alguém vai concordar em sair com você. - Bia disse, e lancei um olhar fulminante na sua direção.

— Não ligue para ela, seja você. Quem tem que gostar, que goste como é. Não mude por homem nenhum. - Bruna disse, e concordei.

— Fica tranquila. Com a mudança que vou fazer nas fotos, vai parecer uns cinco anos mais velha. Qualquer homem vai babar, prontinho! Opa! Não falei? Temos um interessado.

— O quê!? Já? - Espiei surpresa.

— Esse daqui parece perfeito para você. Ele já a convidou para sair, rápido, não? - Mostrou a foto de um rapaz lindo de cabelos castanhos claros, corpo bronzeado, olhos azuis e sobrancelha marcante. Era realmente um Deus grego, mas tinha um sorriso cafajeste nos lábios. Olhei seus gostos pessoais, e eram totalmente o oposto do que eu procurava em um homem.

— Não, esse não. Tem cara de ser um garanhão, fajuto e galinha.

— Ops! Já aceitei o convite. Foi sem querer! - Estefani sorriu provocativa.

— Nãooo! Estefani, por que fez isso? - Pulei em cima dela, tirando o celular da sua mão.

— Não tem como desfazer, Vitória. Já que aceitou essa experiência, que seja algo totalmente inusitado. Você sempre conviveu com os garotos do nosso colégio. Talvez seu amor seja alguém maduro e mais velho. - Nego apavorada, tentando desfazer.

— Ou, de acordo com a Estefani, talvez ele não tenha nascido. Não precisa ir se não quiser. Essas duas são loucas.

— Para de ser chata. Por isso seu namorado não aguenta. Vai por mim, ele é gato. Pelo menos vai ter a chance de dar alguns beijos em alguém mais velho e gostoso. Se ele for muito cafajeste, não precisa se encontrar de novo. - Respiro fundo, desistindo.

— Tudo bem, eu vou. Mas tenho certeza de que esse cara definitivamente não é o amor da minha vida. Zero chance de ser. - Apontei para sua foto no celular com veemência.

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