Capa do romance O Plano de Divórcio de 100 Pontos

O Plano de Divórcio de 100 Pontos

8.4 / 10.0
Por três anos, usei um diário para subtrair pontos do meu casamento sempre que Bernardo priorizava Ariane, seu antigo amor. O limite chegou a zero quando sofri um acidente grávida. No hospital onde ele é cirurgião, Bernardo recusou-se a autorizar meu socorro emergencial por telefone, sem saber quem eu era. Para não desviar recursos da ex-namorada em um caso simples, ele condenou a mim e ao nosso próprio filho, selando o fim definitivo da nossa união.

O Plano de Divórcio de 100 Pontos Capítulo 1

Durante três anos, documentei a lenta morte do meu casamento em um diário preto. Era meu plano de divórcio de 100 pontos: para cada vez que meu marido, Blake, escolhia seu primeiro amor, Ariana, em vez de mim, eu deduzia pontos. Quando a pontuação chegasse a zero, eu iria embora.

Os últimos momentos se perderam na noite em que ele me deixou sangrando após um acidente de carro. Eu estava grávida de oito semanas do filho pelo qual havíamos orado.

Na sala de emergência, as enfermeiras ligaram freneticamente para ele — o cirurgião renomado do próprio hospital onde eu estava morrendo.

"Doutor Santos, temos uma paciente, Jane Doe, tipo sanguíneo O negativo, com hemorragia grave. Ela está grávida e corremos o risco de perder os dois. Precisamos que o senhor autorize uma transfusão de sangue de emergência."

Sua voz soou pelo alto-falante, fria e impaciente.

"Não posso. Minha prioridade é a Srta. Whitfield. Faça o que puder pela paciente, mas não posso desviar nada agora."

Ele desligou o telefone. Condenou o próprio filho à morte para garantir que a ex-namorada tivesse recursos disponíveis após um procedimento simples.

Capítulo 1

Blake Santos jamais imaginou encontrar o caderno.

Ele procurava seus botões de punho de platina favoritos, um presente do pai, no fundo do armário compartilhado. Seus dedos roçaram um diário encadernado em couro guardado em uma caixa de sapatos, escondida atrás das botas de inverno de Caroline. Não era dela; os diários dela eram sempre coloridos e cheios de esboços arquitetônicos. Este era preto, sem nenhuma decoração. A curiosidade, uma emoção rara para ele, o dominou. Ele o abriu.

A primeira página tinha o título escrito com a caligrafia impecável e precisa de Caroline: O Plano de Divórcio em 100 Pontos.

Blake franziu a testa. Ele leu as regras escritas abaixo.

Pontos de partida: 100.

Para cada ação que comprove que este casamento é um erro, pontos serão deduzidos.

Quando a pontuação chegar a zero, entrarei com o pedido de divórcio. Sem exceções.

Ele soltou uma risada curta e sem humor. Um jogo. Devia ser algum jogo bobo que sua esposa estava jogando. Ele folheou as páginas. Cada entrada era datada, um registro meticuloso de suas supostas transgressões.

-1 ponto: Ele se esqueceu do nosso aniversário. De novo. Ele estava jantando com a Ariana.

-2 pontos: Ele cancelou nossas férias porque o cachorro da Ariana estava doente. Ele passou o fim de semana no apartamento dela.

-1 ponto: Ele me chamou de Ariana por engano.

-3 pontos: Ele comprou a última garrafa de um vinho vintage que eu estava procurando, só para dá-la de presente para a Ariana no aniversário dela.

A lista continuava, página após página. Uma crônica detalhada e dolorosa de sua negligência. Blake sentiu um lampejo de irritação, não de culpa. Ele a via não como um registro de seus fracassos, mas como um testemunho da obsessão de Caroline por sua amizade com Ariana Whitfield. Ariana foi seu primeiro amor, aquela que o despedaçou quando o deixou anos atrás.

Caroline sabia disso. Ele havia se casado com ela por impulso, uma escolha conveniente e estável, vinda de uma boa família, alguém que pudesse administrar a casa dos Santos enquanto ele se concentrava na carreira e, se fosse honesto, curava seu coração partido.

Ele fechou o caderno, a irritação se transformando em fria indiferença. Jogou-o de volta na caixa. Uma lista ridícula e infantil. Não significava nada. Pegou seus botões de punho e fechou a porta do armário, o caderno já se apagando de sua mente. Tinha coisas mais importantes em que pensar. Carregava um colar feito sob medida para Ariana em sua pasta. A galeria de arte dela teria sua grande inauguração, e ele precisava estar lá.

Ele entrou na sala de estar. Caroline estava no sofá, desenhando em um bloco grande, a testa franzida em concentração. Ela olhou para cima quando ele entrou, com um brilho esperançoso nos olhos que ele há muito tempo deixara de notar.

"Você chegou cedo em casa", disse ela, com voz suave.

"Preciso sair de novo em breve", respondeu ele, afrouxando a gravata. "A inauguração da galeria da Ariana."

O brilho em seus olhos diminuiu. "Ah. Certo."

Ele viu o caderno na mesa de centro, um diferente, um dos cadernos de desenho dela. Deu uma olhada em uma página aberta. Era um desenho de um quarto de bebê, detalhado e cheio de luz suave. Um berço, um móbile com estrelinhas, uma cadeira de balanço. Sentiu uma pontada estranha no peito, uma emoção desconhecida que não conseguia identificar. Eles estavam tentando ter um filho havia mais de um ano.

"Isso é para um cliente?", perguntou ele, com a voz monótona.

Caroline fechou rapidamente o caderno de esboços. "Só uma ideia."

Ele não insistiu. Não se importou. Sua mente estava em Ariana. Olhou para o relógio. Deveria sair logo. Queria ser o primeiro a chegar, para ver o rosto dela ao ver o colar.

Ele ficou ali parado, uma parede silenciosa entre eles, quando seu telefone tocou. Era seu melhor amigo, Mark.

"Blake! Liga a TV! Agora!" A voz de Mark estava frenética.

Blake pegou o controle remoto e ligou a televisão. Um noticiário ao vivo preencheu a tela. Um prédio estava em chamas. Uma densa fumaça preta subia pelo céu noturno. A voz do repórter era urgente.

"Os bombeiros estão no local da nova Galeria Whitfield, no centro da cidade, onde um incêndio de grandes proporções começou apenas uma hora antes da inauguração programada..."

O sangue de Blake gelou.

Ariana.

O mundo se resumiu àquele único pensamento. Ele pegou as chaves, o casaco e saiu correndo pela porta sem dizer uma palavra a Caroline. Não olhou para trás. Não viu a expressão de completa devastação no rosto dela enquanto o observava partir.

Caroline o seguiu. Ela não sabia por quê. Uma parte desesperada e tola dela precisava ver com os próprios olhos. Ela dirigiu pela cidade, as mãos firmemente agarradas ao volante, o coração batendo num ritmo doentio contra as costelas.

Quando ela chegou, a cena era um caos. Barricadas policiais, luzes piscando, o rugido do fogo. Blake havia abandonado seu carro e estava discutindo com um bombeiro, com o rosto tomado pelo pânico.

"Ela está lá dentro! Eu preciso pegá-la!" gritou Blake, tentando passar pelo homem.

"Senhor, é muito perigoso! A estrutura está instável!" gritou o bombeiro de volta.

"Não me importo! Ela está presa!"

Mark estava lá, tentando contê-lo. "Blake, se acalme! Eles vão pegá-la!"

"Eles não são rápidos o suficiente!" A voz de Blake estava rouca, carregada de um desespero que Caroline jamais ouvira dele. Não para ela. Nunca para ela. Ele olhava para o prédio em chamas como se ali estivesse o seu mundo inteiro. Naquele instante, Caroline soube que estava.

Ele empurrou Mark e correu em direção à entrada.

"Minhas mãos!" ele gritou para o bombeiro que o agarrou pelo braço. "Você sabe quem eu sou? Eu sou Blake Santos! Estas mãos são seguradas por milhões! Elas fazem milagres! Mas eu as trocaria, trocaria toda a minha carreira, só para saber que ela está segura! Me solta!"

Foi uma declaração. Uma confissão. Uma verdade tão brutal que pareceu um golpe físico.

Mark viu Caroline então, parada nas sombras, com o rosto pálido. Ele pareceu horrorizado.

"Caroline… eu…"

Ela ouviu Sarah, esposa de Mark, sussurrar para ele: "Meu Deus, Mark, ele é obcecado pela Ariana desde o ensino médio. Achei que casar com a Caroline resolveria o problema, mas ele só piorou."

As palavras de Sarah confirmaram tudo. Não era apenas negligência. Era uma história de amor da qual ela não fazia parte. Ela era apenas um obstáculo. Uma reflexão tardia.

Durante três anos, ela tentou. Ela o amou com todas as suas forças, na esperança de que um dia ele a enxergasse. Ela decorou a casa, cuidou de seus compromissos sociais, o consolou após longas cirurgias e suportou o olhar frio de sua família. Ela acreditava que seu amor poderia, eventualmente, curar suas antigas feridas, que poderia ser o suficiente.

Era uma mentira que ela contara a si mesma. A verdade estivera ali o tempo todo, em cada aniversário perdido, em cada plano cancelado, em cada vez que ele a olhava como se ela fosse feita de vidro.

O plano dos 100 pontos não era uma brincadeira. Era uma tábua de salvação. Uma forma de quantificar a morte lenta e sangrenta do seu amor. Uma maneira de ter uma linha de chegada, uma saída de emergência de um casamento que a estava consumindo por dentro. E esta noite, vendo-o pronto para se sacrificar por outra mulher, ela sentiu uma enorme parte daqueles pontos desmoronar.

Uma ovação ecoou da multidão. Blake emergiu da fumaça, carregando Ariana nos braços. Ela estava consciente, tossindo, mas, fora isso, parecia ilesa. Ele a abraçou como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo, com o rosto enterrado em seus cabelos. Ele a carregou até a ambulância, sussurrando coisas que só ela podia ouvir.

Ele nunca procurou por Caroline.

Após garantir que Ariana estivesse em segurança com os paramédicos, o corpo de Blake finalmente cedeu. A adrenalina passou e ele desabou no chão, inconsciente devido à inalação de fumaça.

Na sala de espera branca e estéril do hospital, com o cheiro forte de antisséptico no nariz, a mente de Caroline vagou para o passado. Ela se lembrou do baile de gala beneficente onde o conheceu. Ele era o homem mais brilhante e cativante que ela já vira. Um neurocirurgião renomado da poderosa família Santos. Ela, uma jovem arquiteta promissora, fora ousada. Ela o cortejou.

Ele estava sofrendo com o casamento de Ariana com outro homem. Ela sabia disso. Mas quando ele a pediu em casamento seis meses depois, ela pensou que tinha vencido. Pensou que sua devoção finalmente havia rompido sua reserva.

A ilusão se desfez um ano após o casamento. Em uma festa, ela ouviu um dos amigos de Blake, bêbado e falando demais, contando a verdade para alguém: "Blake só casou com ela porque Ariana se casou. Ele precisava de uma distração, uma esposa para satisfazer a família. A coitada acha que ele realmente a ama."

Aquele foi o dia em que Ariana se tornou um espinho em seu coração, uma presença constante e dolorosa em seu casamento. Foi o dia em que ela saiu e comprou o caderno preto liso. Foi seu último ato de autopreservação. Uma maneira de medir a dor até que ela se tornasse insuportável.

O retorno de Ariana a Boston, após seu próprio divórcio um ano antes, acelerou tudo. Os itens de sua lista desapareceram com uma velocidade assustadora. Seu coração, antes cheio de esperança, tornou-se frio e pesado.

Um médico aproximou-se dela, tirando-a de seus pensamentos. "Sra. Santos? Seu marido está estável. Ele inalou muita fumaça, mas ficará bem. A Srta. Whitfield também está bem, apenas com alguns arranhões."

Mark e Sarah se aproximaram, com os rostos marcados por pena. "Caroline, ele vai cair na real", disse Sarah, colocando a mão no braço dela. "A família Santos vai garantir que ele te trate bem."

Caroline apenas olhou para eles, com um gosto amargo na boca. Levantou-se e saiu da sala de espera, deixando-os para trás.

De volta para casa, na casa silenciosa e vazia, ela caminhou até o armário e pegou o diário preto. Abriu-o na última página.

-5 pontos: Ele entrou correndo em um prédio em chamas por ela.

-10 pontos: Ele disse que abriria mão da carreira por ela.

Ela destampou a caneta. Sua mão estava firme.

-10 pontos: Ele desmaiou depois de salvá-la, e seu primeiro e último pensamento foi nela, não em mim.

Ela fez as contas. Só restavam alguns pontos. Muito poucos. O fim estava próximo.

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O Plano de Divórcio de 100 Pontos de Conteúdos

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