
A Prisão Dourada do Marido Obsessivo
Capítulo 2
Ponto de Vista de Alice:
A vida parecia completa. Eu estava grávida. De gêmeos.
As palavras da médica ecoavam na sala silenciosa.
— Uma surpresa rara e linda, Alice.
Meu coração inchou com uma alegria que eu não sabia ser possível.
Eu mal podia esperar para contar a Arthur. Meu marido.
Ele estava em uma viagem de negócios, como sempre. Sempre ocupado, sempre voando.
Decidi fazer uma surpresa. Um voo espontâneo para o outro lado do país.
Imaginei o rosto dele. O sorriso largo, a maneira como seus olhos se enrugavam nos cantos.
Entrei furtivamente em sua suíte de hotel, minha mala rodando suavemente atrás de mim. A porta estava entreaberta.
A voz dele chegou até mim da sala de estar. Baixa e casual. Voz de homem.
Congelei. Minha mão ainda na maçaneta.
— Ela é boazinha demais — disse Arthur.
Suas palavras foram como um peteleco casual, mas me atingiram com força bruta.
— Como um chiclete que perdeu o gosto.
Minha respiração falhou. O ar de repente parecia rarefeito.
— Falta nela... aquele fogo — ele riu, um som que torceu algo dentro de mim.
Bruno, seu melhor amigo, riu de volta.
— É, sua ex-mulher tem fogo de sobra.
Meu estômago revirou. A alegria de momentos atrás azedou.
A voz de Bruno era provocativa.
— Ela te cansou nesses últimos dias, não foi?
Arthur Prado deu um sorriso presunçoso. Eu podia ouvir em seu tom, ouvir a arrogância.
— Ela? — ele zombou. — Ela só me usa como um vibrador de luxo.
Uma onda de náusea me atingiu. Mais forte do que qualquer enjoo matinal.
Meu corpo se rebelou. Minha cabeça girou.
O quarto de hotel, antes um símbolo de surpresa e amor, tornou-se uma jaula. As palavras ecoavam, me prendendo.
Meu amor. Meu lindo e frágil amor. Era uma mentira.
Uma performance cuidadosamente construída. Ele era um ator, e eu era sua plateia involuntária.
Ele não merecia meu amor. Ele não merecia a nós.
Os gêmeos se agitaram dentro de mim, um lembrete gentil de um futuro agora manchado.
A traição foi um golpe físico. Ela me esmagou.
Meu mundo perfeito se estilhaçou. Poeira dançava na fresta de luz da porta aberta.
Isso não era apenas um obstáculo no caminho. Era o fim. O fim absoluto.
Pressionei a mão na boca, lutando contra o gosto amargo que subia na minha garganta. Eu não conseguia respirar.
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