
A Prisão Dourada do Marido Obsessivo
Capítulo 3
Ponto de Vista de Alice:
— A senhora tem certeza absoluta, Sra. Prado? — A voz da médica era gentil, quase uma súplica. Seus olhos continham uma profunda preocupação.
— Gravidez de gêmeos é muito rara, sabe. Uma verdadeira bênção. — Ela fez uma pausa, deixando as palavras pairarem no ar.
Assenti, com a garganta apertada.
— Tenho certeza, doutora. — Minha voz era um sussurro plano e oco.
Ela suspirou, um som suave e triste.
— Como desejar. Vamos preparar tudo.
Voltei para a cobertura, o silêncio ecoando meu vazio interior. Cada canto, cada móvel caro, gritava a decepção dele.
Balões flutuavam perto do teto. Uma faixa luxuosa proclamava: "Feliz Aniversário, Meu Amor!"
Meu coração parecia uma ameixa seca. A ironia era uma piada cruel.
— Surpresa! — Arthur surgiu de trás do sofá, com um sorriso largo e deslumbrante no rosto. Ele correu em minha direção.
Ele me envolveu em um abraço apertado. Seus braços pareciam pesados, sufocantes.
Ele beijou minha testa, depois meus lábios. Parecia errado. Sujo.
— Você voltou cedo — consegui dizer, as palavras com gosto de cinzas na minha boca.
— Não poderia perder o aniversário da minha esposa, poderia? — Ele piscou, me levando até uma mesa cheia de presentes.
A mão dele roçou a minha. Foi quando eu vi. Um pequeno curativo cor de pele no dedo indicador.
Meu olhar se prendeu naquilo. Uma pequena centelha de suspeita, fria e afiada.
Ele puxou a mão de volta, um pouco rápido demais.
— Vidro quebrado — murmurou ele, com um aceno desdenhoso.
Mas o formato daquilo... Não era um corte. Era uma indentação perfeita, em forma de meia-lua. Uma marca de mordida.
De Eduarda. Sua ex-mulher. O "fogo".
Ele gesticulou para uma caixa de veludo na mesa.
— Abra, meu amor. — Sua voz era suave, confiante.
Levantei a tampa. Um colar repousava lá dentro. Diamantes, brilhando contra uma almofada de veludo escuro.
Ele o pegou, seus dedos roçando meu pescoço enquanto o fechava em mim. Um arrepio de repulsa percorreu minha espinha.
Ele ajeitou meu cabelo, os lábios roçando minha orelha.
— Lindo, assim como você. — Sua voz era um murmúrio suave.
Eu vi então, no reflexo do espelho do outro lado da sala. O colar. Parecia familiar.
Eduarda tinha usado um igualzinho. Um presente rejeitado, provavelmente. Uma sobra do "fogo" dele.
Suas palavras, destinadas a serem doces, pareciam veneno. Eu queria arrancá-lo do pescoço.
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