Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A noviça e o Conde Viúvo

A noviça e o Conde Viúvo

Criada em um convento, a noviça Maria Clara assume o papel de educadora no Solar Alencastro, sob as ordens do enigmático Conde Álvaro. Em uma mansão marcada pelo luto e regras rígidas, ela deve lidar com crianças rebeldes e a frieza de um homem que nunca amou. Enquanto sua doçura transforma o lar e atrai o viúvo, mistérios sobre a morte da antiga condessa ressurgem, revelando que a tragédia esconde segredos muito mais sombrios do que se imaginava.
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

O sol ainda nem havia tocado as janelas altas do Instituto Santa Bárbara quando a música começou a preencher os corredores antigos. Era sempre assim, antes mesmo de as irmãs terminarem as orações da madrugada, Maria Clara já estava sentada ao velho piano da capela, deixando que os primeiros acordes despertassem o dia.

A melodia era suave, quase uma prece. Sua voz cristalina e suave ecoava como se pertencesse a alguém que não era deste mundo. 

O som atraía as irmãs que atravessavam o claustro para suas orações e rotina. 

- Nossa menina canta como um anjo - murmurou Irmã Rosália. - Deus colocou música nessa menina, sinto tanta paz quando ela canta.

Era ali, entre aquelas paredes de pedra, que ela cresceu. 

Órfã desde bebê, nunca soube quem eram seus pais. Mas sabia que tinha sido amada por aquelas mulheres que dedicaram a vida ao cuidado de outras vidas. E, mesmo agora, com seus vinte e cinco anos, formada professora e responsável pelas aulas das jovens internas e também pelo orfanato mantido pelas freiras, ela ainda se sentia parte daquela grande família silenciosa, regida por orações, disciplina e afeto.

Quando a última nota se dissolveu no ar, Maria Clara fechou o piano e respirou fundo. Um novo dia começava. Ela se levantou para preparar as atividades das meninas, mas antes que pudesse sair da capela, ouviu passos apressados.

Era a Madre Superiora, trazendo em mãos uma carta lacrada com um brasão dourado.

- Filha - disse a madre Constância. - Precisamos conversar.

- Claro, Madre. Aconteceu algo?

A madre respirou fundo, observando-a por um instante.

- Recebi um pedido... muito especial. E acredito que Deus escolheu você para essa missão.

Ela estendeu a carta. O selo era imponente, antigo, carregado de história. Um "A", entrelaçado com folhas de acanto. O brasão da família "Alencastro".

Maria Clara franziu o cenho.

- A família Alencastro... a casa nobre da Serra das Hortênsias?

A madre assentiu.

- O Conde Álvaro Alencastro perdeu a esposa há dois anos. Desde então, tem se afastado de tudo: da sociedade, de Deus... e, infelizmente, dos próprios filhos. A governanta escreveu relatando a situação. As crianças estão indisciplinadas, emocionalmente instáveis, e já fizeram várias preceptoras desistirem. Ele precisa de alguém competente... mas também alguém com luz, paciência e fé.

Maria Clara se encolheu levemente.

- Madre... não sou babá. Talvez eles queiram uma...

- Eles querem mais que uma babá. Uma professora educada e culta que ensine os primeiros anos de escola em casa. A família Alencastro tem muita tradição na região e gostam de manter a discrição. - A madre sorriu. - Além do mais, o conde tem nos ajudado com o orfanato.

Maria Clara sentiu as mãos tremerem.

- Eu... não sei se sou capaz.

- Deus sabe. - A madre a tocou no ombro. - E eu também.

- E quanto aos meus votos? - Maria Clara tinha o desejo de se tornar uma freira. Ela amava Deus e a vida do convento. 

Silêncio.

Do lado de fora, o sino da primeira oração matinal soou. Maria Clara olhou para o brasão mais uma vez e percebeu que algo dentro dela se movia: medo, curiosidade, talvez um chamado. 

- Querida, cumpra essa missão e depois veremos.

O olhar da madre era de como uma mãe que olha para a filha e dizia "Eu sei o que estou fazendo".

- Quando devo ir? - ela perguntou por fim.

- Hoje mesmo - respondeu a madre. - O carro chegará ao meio-dia.

O coração de Maria Clara disparou.

Tudo... tão rápido.

- Prepare-se, filha. - A madre segurou suas mãos. - Tenho certeza que Deus tem algo reservado para você naquela casa.

Apesar de morar com as freiras, a madre nunca a aceitou além do noviciado. Segundo ela, a vocação de Maria Clara não estava nos votos e sim em algo mais além daqueles grandes muros altos.

Quando Maria Clara completou seus estudos, ela conseguiu uma bolsa para estudar línguas e música no exterior. Fez amizades, até mesmo chegou a ter um namoro rápido e inocente, mas a saudade do único lugar que conhecia como lar a fez voltar para o convento onde passou dar aulas no internato para moças de família rica, mas também como professora no orfanato onde ela cresceu.

Maria Clara era muito educada, culta e com coração puro. Com um semblante calmo em um rosto angelical com grandes olhos verdes cor de esmeralda, a pele clara e aveludada como pêssego, tinha cabelos castanhos claros longos e ondulados com mechas que emolduravam seu belo rosto.

Apesar de usar roupas modestas para uma jovem de sua idade, ela era alta e tinha um corpo esguio e elegante.

*****

O resto da manhã passou como num sopro: despedidas calorosas e as meninas protestando por perder sua professora favorita e as irmãs deixando pequenos presentes.

Ao meio-dia, quando o portão do convento se abriu, revelando um carro preto reluzente enviado pelo conde, Maria Clara sentiu o peso do desconhecido.

- Deus abençoe, filha - disse a madre, segurando-lhe o rosto. 

Maria Clara sorriu, ainda que com os olhos cheios de lágrimas. 

O motorista que não deveria ter mais de quarenta anos se aproximou polidamente e pegou a única mala que ela levava e colocou no porta malas.

Ao entrar no carro, respirou fundo quando o motor ligou.

A estrada que levava à Serra das Hortênsias serpenteava entre campos abertos, bosques e pequenas propriedades rurais. Maria Clara observava, silenciosa, a paisagem que ficava cada vez mais densa e fria, típica da região sul do Brasil.

Quando atravessaram um portão de ferro ornamentado, ladeado por colunas antigas, ela prendeu a respiração. O motorista, que não falou uma única palavra durante todo o trajeto, apenas murmurou:

- Bem-vinda à propriedade Alencastro, senhorita.

A estrada interna era ladeada por hortênsias azuis e lilases e um vasto gramado formava uma visão arrebatadora, quase melancólica.

E então, depois de uma curva suave, o solar surgiu. Imponente. Silencioso. 

O Solar Alencastro era uma construção centenária, mistura de arquitetura europeia com toques colonial. Era belo, mas havia algo nela que causava um arrepio.

Uma bandeira da família tremulando no topo da fachada exibe o brasão herdado pelos Alencastro desde a época do Império. Afinal, apesar de o título não ter validade legal, a tradição permanecia viva no sobrenome e no sangue.

Ao descer do carro, o motorista fez um leve aceno e colocou a bagagem na entrada, depois se afastou tão silencioso quanto discreto.

Maria Clara ficou parada diante da imponência do lugar e sentiu um frio percorrer-lhe, como se ao entrar naquele palácio algo iria mudar para sempre e ela nunca mais seria a mesma.

Você pode gostar

Capa do romance A Filha Esquecida: Meu Novo Destino
9.2
Após renascer no fatídico dia da morte de seu irmão, Maria revive o trauma de ver Pedro baleado e ser ignorada pela própria mãe, a cirurgiã Lúcia. Acusada injustamente pela família, ela percebe que a tragédia esconde segredos sombrios envolvendo Sofia e o misterioso Ricardo. Munida de memórias do futuro e avisos deixados por Pedro, Maria decide não mais se calar. Agora, ela busca desmascarar os culpados e expor a verdade por trás da podridão que destruiu sua vida.
Capa do romance A irmã do meu namorado
7.9
Ao conhecer a irmã de Lucas, Brenda, fui imediatamente cativada. Seus olhos castanhos claros e seu sorriso radiante superavam a beleza do próprio namorado. Enquanto Lucas a apresentava como sua irmã mais nova, Brenda me surpreendeu com um abraço caloroso e um beijo no rosto, deixando-me sem jeito. Diante de tamanha elegância, que lembrava a de Cleópatra, tentei retribuir a gentileza, encantada pela beleza e pelo nome daquela que acabara de conhecer.
Capa do romance A Traição do Don, Minha Ascensão Imparável
8.9
Dante De Luca me usou como substituta por sete anos após ser abandonado por Isabella. Quando ela retorna, o Don do Sindicato me humilha e me encarcera injustamente para agradá-la. Após ser descartada e chamada de lixo, decido partir. Agora, aliada ao maior rival de Dante, assumo o cargo de Diretora de Design. Usarei meus próprios projetos, roubados por ele, para destruir seu império e erguer o meu, provando que nunca fui uma peça descartável.
Capa do romance Ao seu lado
7.9
Ava amadureceu cedo após perder a mãe e lidar com o vício do pai em jogos, que destruiu o patrimônio da família. Mesmo com dois empregos, ela não consegue quitar as dívidas acumuladas. Quando seu irmão se envolve em sérios problemas, surge uma chance desesperada: um magnata traído pela noiva oferece ajuda. Contudo, o preço é alto. Para salvar sua família e pagar o que deve, Ava é forçada a aceitar um casamento de conveniência com o bilionário.
Capa do romance Jogo de Sedução do CEO
7.9
Lorenzo Bernazzi domina o mundo gastronômico e a mídia, mas fracassa em atrair Amanda Rios. Mesmo cercado de admiradoras, ele nunca superou o desinteresse da única mulher que o rejeitou. Determinado, o CEO decide aplicar sua garra empresarial em um último plano de sedução. Para mudar a má impressão de Amanda, Lorenzo a envolve em uma aposta arriscada. Agora, ele usará todo seu charme para conquistar o coração dela e não aceitará perder esse desafio.
Capa do romance Meo Ceo Controlador
9.3
Criada em um orfanato, Sarah encontrou o afeto que lhe faltava em Nicholas, um jovem marcado pelo abandono materno. O primeiro amor floresceu entre eles de forma mágica, mas mentiras e segredos devastadores forçaram uma separação cruel. Anos depois, o destino promove um reencontro onde revelações chocantes mudam tudo. Sarah agora precisa descobrir se o sentimento do passado é forte o suficiente para superar as barreiras e obstáculos do presente.