Capa do romance A noviça e o Conde Viúvo

A noviça e o Conde Viúvo

9.6 / 10.0
Em A noviça e o Conde Viúvo, Maria Clara deixa o convento para educar os filhos de Álvaro Alencastro. Neste romance de mistério, ela enfrenta segredos do passado e a frieza do conde. Descubra a verdade por trás de tragédias familiares nesta cativante fiction fantasy romance books.
Resumo de A noviça e o Conde Viúvo
Criada em um convento, a noviça Maria Clara assume o papel de educadora no Solar Alencastro, sob as ordens do enigmático Conde Álvaro. Em uma mansão marcada pelo luto e regras rígidas, ela deve lidar com crianças rebeldes e a frieza de um homem que nunca amou. Enquanto sua doçura transforma o lar e atrai o viúvo, mistérios sobre a morte da antiga condessa ressurgem, revelando que a tragédia esconde segredos muito mais sombrios do que se imaginava.
Ler Mais

A noviça e o Conde Viúvo Capítulo 1

O sol ainda nem havia tocado as janelas altas do Instituto Santa Bárbara quando a música começou a preencher os corredores antigos. Era sempre assim, antes mesmo de as irmãs terminarem as orações da madrugada, Maria Clara já estava sentada ao velho piano da capela, deixando que os primeiros acordes despertassem o dia.

A melodia era suave, quase uma prece. Sua voz cristalina e suave ecoava como se pertencesse a alguém que não era deste mundo. 

O som atraía as irmãs que atravessavam o claustro para suas orações e rotina. 

- Nossa menina canta como um anjo - murmurou Irmã Rosália. - Deus colocou música nessa menina, sinto tanta paz quando ela canta.

Era ali, entre aquelas paredes de pedra, que ela cresceu. 

Órfã desde bebê, nunca soube quem eram seus pais. Mas sabia que tinha sido amada por aquelas mulheres que dedicaram a vida ao cuidado de outras vidas. E, mesmo agora, com seus vinte e cinco anos, formada professora e responsável pelas aulas das jovens internas e também pelo orfanato mantido pelas freiras, ela ainda se sentia parte daquela grande família silenciosa, regida por orações, disciplina e afeto.

Quando a última nota se dissolveu no ar, Maria Clara fechou o piano e respirou fundo. Um novo dia começava. Ela se levantou para preparar as atividades das meninas, mas antes que pudesse sair da capela, ouviu passos apressados.

Era a Madre Superiora, trazendo em mãos uma carta lacrada com um brasão dourado.

- Filha - disse a madre Constância. - Precisamos conversar.

- Claro, Madre. Aconteceu algo?

A madre respirou fundo, observando-a por um instante.

- Recebi um pedido... muito especial. E acredito que Deus escolheu você para essa missão.

Ela estendeu a carta. O selo era imponente, antigo, carregado de história. Um "A", entrelaçado com folhas de acanto. O brasão da família "Alencastro".

Maria Clara franziu o cenho.

- A família Alencastro... a casa nobre da Serra das Hortênsias?

A madre assentiu.

- O Conde Álvaro Alencastro perdeu a esposa há dois anos. Desde então, tem se afastado de tudo: da sociedade, de Deus... e, infelizmente, dos próprios filhos. A governanta escreveu relatando a situação. As crianças estão indisciplinadas, emocionalmente instáveis, e já fizeram várias preceptoras desistirem. Ele precisa de alguém competente... mas também alguém com luz, paciência e fé.

Maria Clara se encolheu levemente.

- Madre... não sou babá. Talvez eles queiram uma...

- Eles querem mais que uma babá. Uma professora educada e culta que ensine os primeiros anos de escola em casa. A família Alencastro tem muita tradição na região e gostam de manter a discrição. - A madre sorriu. - Além do mais, o conde tem nos ajudado com o orfanato.

Maria Clara sentiu as mãos tremerem.

- Eu... não sei se sou capaz.

- Deus sabe. - A madre a tocou no ombro. - E eu também.

- E quanto aos meus votos? - Maria Clara tinha o desejo de se tornar uma freira. Ela amava Deus e a vida do convento. 

Silêncio.

Do lado de fora, o sino da primeira oração matinal soou. Maria Clara olhou para o brasão mais uma vez e percebeu que algo dentro dela se movia: medo, curiosidade, talvez um chamado. 

- Querida, cumpra essa missão e depois veremos.

O olhar da madre era de como uma mãe que olha para a filha e dizia "Eu sei o que estou fazendo".

- Quando devo ir? - ela perguntou por fim.

- Hoje mesmo - respondeu a madre. - O carro chegará ao meio-dia.

O coração de Maria Clara disparou.

Tudo... tão rápido.

- Prepare-se, filha. - A madre segurou suas mãos. - Tenho certeza que Deus tem algo reservado para você naquela casa.

Apesar de morar com as freiras, a madre nunca a aceitou além do noviciado. Segundo ela, a vocação de Maria Clara não estava nos votos e sim em algo mais além daqueles grandes muros altos.

Quando Maria Clara completou seus estudos, ela conseguiu uma bolsa para estudar línguas e música no exterior. Fez amizades, até mesmo chegou a ter um namoro rápido e inocente, mas a saudade do único lugar que conhecia como lar a fez voltar para o convento onde passou dar aulas no internato para moças de família rica, mas também como professora no orfanato onde ela cresceu.

Maria Clara era muito educada, culta e com coração puro. Com um semblante calmo em um rosto angelical com grandes olhos verdes cor de esmeralda, a pele clara e aveludada como pêssego, tinha cabelos castanhos claros longos e ondulados com mechas que emolduravam seu belo rosto.

Apesar de usar roupas modestas para uma jovem de sua idade, ela era alta e tinha um corpo esguio e elegante.

*****

O resto da manhã passou como num sopro: despedidas calorosas e as meninas protestando por perder sua professora favorita e as irmãs deixando pequenos presentes.

Ao meio-dia, quando o portão do convento se abriu, revelando um carro preto reluzente enviado pelo conde, Maria Clara sentiu o peso do desconhecido.

- Deus abençoe, filha - disse a madre, segurando-lhe o rosto. 

Maria Clara sorriu, ainda que com os olhos cheios de lágrimas. 

O motorista que não deveria ter mais de quarenta anos se aproximou polidamente e pegou a única mala que ela levava e colocou no porta malas.

Ao entrar no carro, respirou fundo quando o motor ligou.

A estrada que levava à Serra das Hortênsias serpenteava entre campos abertos, bosques e pequenas propriedades rurais. Maria Clara observava, silenciosa, a paisagem que ficava cada vez mais densa e fria, típica da região sul do Brasil.

Quando atravessaram um portão de ferro ornamentado, ladeado por colunas antigas, ela prendeu a respiração. O motorista, que não falou uma única palavra durante todo o trajeto, apenas murmurou:

- Bem-vinda à propriedade Alencastro, senhorita.

A estrada interna era ladeada por hortênsias azuis e lilases e um vasto gramado formava uma visão arrebatadora, quase melancólica.

E então, depois de uma curva suave, o solar surgiu. Imponente. Silencioso. 

O Solar Alencastro era uma construção centenária, mistura de arquitetura europeia com toques colonial. Era belo, mas havia algo nela que causava um arrepio.

Uma bandeira da família tremulando no topo da fachada exibe o brasão herdado pelos Alencastro desde a época do Império. Afinal, apesar de o título não ter validade legal, a tradição permanecia viva no sobrenome e no sangue.

Ao descer do carro, o motorista fez um leve aceno e colocou a bagagem na entrada, depois se afastou tão silencioso quanto discreto.

Maria Clara ficou parada diante da imponência do lugar e sentiu um frio percorrer-lhe, como se ao entrar naquele palácio algo iria mudar para sempre e ela nunca mais seria a mesma.

Continue Lendo

A noviça e o Conde Viúvo de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Flor no Túmulo Esquecido
8.5
Lia esgotou-se para custear o tratamento de Tiago, o herdeiro que acreditava estar inválido por salvá-la. Contudo, descobre que a doença dele é uma farsa vingativa. Na Nazaré, flagra-o com Sofia e ouve o seu plano cruel: ele culpa-a pela morte dos pais. Sem dinheiro ou abrigo e traída pelo homem que amava, Lia decide fugir para Paris. Mal sabe ela que as mentiras sobre Sofia e o passado estão prestes a causar uma reviravolta no destino de ambos.
Capa do romance Amor e Ódio na Tempestade
8.3
Após morrer em um incêndio que ela mesma causou para punir sua filha adotiva traidora e os pais biológicos gananciosos dela, Maria desperta no passado. Ela retorna ao dia em que a nevasca mortal começou, antes de perder o marido e a filha biológica para a crueldade dos Silva. Com memórias nítidas da tragédia e do porão onde foi trancada, Maria agora encara Ana. Diante do pedido para abrigar os vilões, ela decide mudar o destino e buscar vingança.
Capa do romance Assombrada: A perseguição incansável de seu amante impiedoso
9.5
Cláudia dedicou sete anos de sua vida a Eddie, acreditando que seu amor seria finalmente correspondido. Ao perceber que vivia uma ilusão, ela decidiu partir em silêncio, sem exigir nada além de sua liberdade. No entanto, sua busca por paz é interrompida de forma drástica. No dia de seu casamento com outro homem, Eddie ressurge implacável e tomado pelo ciúme, confrontando o noivo para reivindicar um lugar que ele acredita que ainda lhe pertence por direito.
Capa do romance Meu CEO Insuportável
8.2
Sophia Carson é uma secretária eficiente que costuma esconder a frustração com seu chefe. Samuel Heughan, um CEO arrogante e irresponsável, vive arrastando Sophia para seus próprios problemas pessoais. Desta vez, ele entrega à funcionária uma responsabilidade encantadora que mudará a dinâmica entre eles. Esse novo desafio promete unir a dupla de forma inesperada, dando início à formação de uma doce família enquanto superam as diferenças.
Capa do romance O bilionário possessivo
9.2
Eduardo Villa-Lobos é um bilionário influente que domina o cenário empresarial com sua riqueza e poder. Acostumado a conquistar tudo o que deseja ao redor do mundo com apenas um gesto, o magnata brasileiro vive rodeado de luxo e mulheres. No entanto, sua trajetória de sucessos absolutos encontra um obstáculo inesperado. O homem que tem o mundo aos seus pés enfrenta um desafio inédito ao tentar ganhar o coração da única mulher que o resiste: Camila Cavalcanti.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar