
A Noiva Comprada do Ceo
Capítulo 2
Capítulo 2 – "Humilhado no Altar"
Narrado por Dario Ferraz
IGREJA DE SÃO CONRADO, RIO DE JANEIRO
O altar estava sufocante.
Não pelo calor da manhã abafada no Rio, nem pelas centenas de olhos grudados em mim. Era por dentro. Um aperto no peito que eu não sabia explicar.
Melissa estava atrasada.
Não era novidade. Melissa sempre foi o tipo de mulher que gostava de entrar depois da música acabar, de todos se virarem, de fazer drama, mas quinze minutos? Isso já era escárnio. Começavam os murmúrios, os olhares trocados. As damas de honra se entreolhavam, tentando sorrir. Meus padrinhos já estavam com o celular na mão, como se pudessem resolver alguma coisa.
- Calma, cara - murmurou Felipe, meu melhor amigo e sócio. - Deve ser só o cabelo. Você conhece a Mel...
Conheço, sim. Conheço cada cena ensaiada, cada suspiro falso, cada pose. Eu sabia que Melissa não me amava, e, para ser bem honesto, eu também não a amava. Mas a gente funcionava bem no Instagram, nos jantares de negócios, nas manchetes sociais.
Era uma farsa que vendia e eu estava pronto para assinar esse contrato.
Só que então...
O som de notificação encheu a igreja. Depois outro e outro.
Como uma corrente elétrica invisível, os celulares começaram a vibrar. Um dos padrinhos arregalou os olhos e virou a tela pra mim.
O vídeo começou sem som, mas não precisava.
Melissa estava nua, de quatro, gemendo e quem a enfiava com vontade era Felipe.
Meu sócio, meu melhor amigo.
A igreja explodiu em sussurros. A mãe dela desmaiou, um dos fotógrafos largou a câmera.
E eu?
Eu sorri.
Não um sorriso feliz, mas um daqueles sorrisos secos, frios, de quem acaba de ter a alma arrancada e ainda agradece por ter acontecido em público. Melhor ali, diante de duzentas testemunhas, do que anos mais tarde com um filho no berço e um coração ainda mais destruído.
Fechei os olhos por dois segundos.
Quando abri, tudo estava claro.
Melissa não viria e se viesse, sairia dali com sangue nos joelhos e vergonha nos olhos.
- Apaga tudo - murmurei.
- O quê? - Felipe tentou fingir surpresa. - Dario, eu posso explicar...
- Apaga tudo - repeti, encarando-o com tanto ódio que ele recuou.
Peguei o microfone do padre.
- A festa foi cancelada, mas fiquem à vontade para comer e beber. Afinal, o amor pode ter morrido, mas o buffet é por minha conta.
Joguei o microfone no chão. Peguei o convite de casamento do altar, rasguei em dois, e saí da igreja com passos firmes. Cada clique de câmera era um prego na tampa do caixão da minha paciência.
Na porta da igreja, o motorista da limousine me esperava. Abri a porta, entrei e pedi:
- Mansão. Agora.
🔥🔥
A propriedade em São Conrado parecia vazia, embora estivesse cheia de funcionários. A mansão branca, cercada de vidros e palmeiras, refletia exatamente o que eu sentia, frio, exibição, e nenhum pingo de verdade.
Entrei no quarto principal. O terno voou para o chão, os sapatos seguiram o mesmo caminho. No closet, joguei o vestido de noiva de Melissa no chão, tirei o cinto e bati nele até se transformar em trapos de seda.
No banheiro, olhei meu reflexo.
Cabelo impecável, mandíbula tensa, olhos mortos.
Abri o cofre. Peguei a garrafa de uísque mais cara. Dei um gole, outro e outro.
Liguei o som no talo. Metal pesado, volume alto o suficiente para calar os demônios, mas não adiantou.
Meu celular vibrava sem parar, Melissa, Felipe, minha mãe, a imprensa.
Bloqueei todos, até a mim mesmo, se fosse possível.
Abri a varanda, respirei fundo. Lá embaixo, os fotógrafos estavam plantados nos portões.
- Querem um escândalo? - murmurei. - Então vamos dar show.
Liguei para meu assessor de imprensa.
- Prepare uma nota. Diga que o casamento foi cancelado por questões de caráter, sem nomes, mas com ênfase na traição.
- Mas, senhor Dario...
- Sem "mas", e prepare também o encerramento da sociedade com o senhor Felipe. Imediatamente.
Desliguei.
Meu coração ainda batia, minha mente ainda planejava, mas algo dentro de mim... morreu naquele altar.
Amar? Nunca mais.
Acreditar? Só no contrato.
Sentir? Apenas o suficiente pra gozar. E só. Ponto final.
🔥🔥
Mais tarde, deitado na cama vazia da suíte que era para ser nossa noite de núpcias, ouvi passos no corredor. Era a minha fiel Governanta-chefe, Clarisse
Trouxe os jornais.
Na capa:
"Herdeiro dos Vasconcellos é traído no altar com o sócio. Vídeo vaza na cerimônia."
"Escândalo milionário: casamento vira pornô público."
Fechei o jornal. Peguei uma caneta e assinei o encerramento da sociedade.
Depois escrevi uma frase no espelho com batom vermelho que peguei na necessaire de Melissa:
"Se é para encenar, que seja com alguém que saiba mentir tão bem quanto eu."
E sorri, um sorriso novo.
Cheio de dor, desejo de vingança e promessas perigosas.
Eu não era mais o noivo abandonado.
Eu era o homem que não acreditava mais em nada.
E isso me tornava absolutamente... livre.
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