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Capa do romance A Noiva Comprada do Ceo

A Noiva Comprada do Ceo

Isadora surgiu na trajetória de Dario estritamente por causa de um acordo formal. Ele era um homem inabalável, agindo como uma fortaleza emocional, enquanto ela representava apenas parte de um planejamento estratégico. No entanto, o destino subverteu as regras desse contrato frio. Ao enfrentarem a força de um sentimento inesperado, ambos perceberam que o vínculo mais profundo entre dois corações não depende de papéis, mas da coragem de se entregar ao amor.
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Capítulo 3

Capítulo 3 – "Contrato em Carne Viva"

Narrado por Isadora Vilela

GALERIA DE ARTE ABANDONADA – RIO DE JANEIRO

A madeira do chão rangia sob meus saltos. Cada passo era um estalo melancólico que ecoava pelo espaço vazio e empoeirado da galeria. Eu a conhecia de cor. Cada parede nua, cada mancha de tinta esquecida, cada rachadura no teto que já abrigou exposições aclamadas. Minhas exposições.

Agora, tudo ali cheirava a mofo, a fracasso, a fim.

Olhei ao redor. O vitral central ainda deixava a luz da tarde pintar o chão em cores suaves. Era quase poético, se não fosse trágico. Um símbolo da artista que eu fui antes de virar uma estatística, a mulher traída, humilhada e falida.

A rescisão do casamento saiu em tempo recorde. Talvez porque Henrique quisesse se livrar de mim com a mesma pressa que tirou a Camila da calcinha naquela sauna maldita. Vendi tudo, quadros, móveis, joias, a galeria. Até o carro foi embora ontem, rebocado como se levasse meus últimos resquícios de dignidade.

Tudo para pagar as dívidas que Henrique deixou em meu nome. O apartamento que morávamos estava no nome dele, claro. A casa de praia também. E a empresa de eventos que abrimos juntos? Descobri tarde demais que era só fachada para lavagem de dinheiro dos sócios dele.

Meu advogado sugeriu ir atrás de compensações. Eu preferi ir atrás de silêncio.

Estava cansada de escândalo e exausta de amar errado.

Agora, eu era só uma mulher com malas no porta-malas de um táxi alugado e o orgulho esmigalhado entre os dentes.

Saí da galeria pela última vez sem olhar para trás.

MANSÃO FERRAZ – ALTO LEBLON

O endereço era exclusivo. Um dos poucos lugares do Rio onde a vista do mar não precisava dividir espaço com prédios feios ou buzinas infernais.

A mansão era branca, geométrica, cercada por colunas de vidro e silêncio. O tipo de lugar que sussurrava poder com elegância, e não precisava gritar para impor respeito.

A corretora me esperava na entrada. Sorriu com nervosismo.

- O comprador quer conversar pessoalmente antes da assinatura. Disse que faz parte do... pacote.

- Pacote? - franzi o cenho. - Isso é uma mansão ou um casamento arranjado?

Ela engoliu seco.

- Talvez seja... as duas coisas.

Entrei. A sala era impecável. Sofás em tons neutros, quadros contemporâneos, aroma discreto de madeira e canela.

E ali, no centro, como se fosse o dono do mundo e talvez fosse mesmo, estava ele, Dario Ferraz.

De perto, era ainda mais perigoso. Terno preto sob medida, barba por fazer, olhar de quem já viu o inferno e decidiu dominá-lo. Não sorria, não tentava parecer gentil. Só me analisava, como se me desmontasse peça por peça com os olhos.

- Isadora Vilela - disse, com voz grave e firme. - Finalmente nos conhecemos.

- Você é o comprador?

Ele assentiu.

- E você é a mulher mais comentada do país desde que jogou uma taça de vinho no mármore de Cancún. Parabéns. Sua humilhação viralizou.

Cruzei os braços.

- Está tentando me ofender ou impressionar?

- Nem um, nem outro. Estou tentando fazer negócios.

Ele apontou para a poltrona em frente. Sentei com a espinha ereta.

- Negócios? Eu vim assinar a venda da casa.

- Você veio conhecer uma proposta melhor.

Pisquei, confusa. Ele abriu uma pasta de couro e colocou o contrato sobre a mesa de centro. Era grosso, impresso em papel timbrado. Tão formal quanto um pacto com o diabo.

- Quero que seja minha esposa. Por um ano.

Ri alto. Depois parei, porque ele não estava brincando.

- Isso é uma piada?

- Um contrato. Um milhão na sua conta no ato da assinatura, mais bônus por aparições públicas, entrevistas, ensaios fotográficos. Uma aliança de ouro branco, cobertura em Paris, viagens internacionais e, claro... - seus olhos desceram lentamente pelo meu corpo - ... noites de prazer.

Levantei da poltrona.

- Isso é prostituição.

- Não - ele respondeu, sem perder o tom calmo. - Isso é sobrevivência. Com orgasmos incluídos.

Me aproximei dele com raiva.

- Por que eu?

- Porque você é linda, destruída e precisa tanto quanto eu.

- Você quer vingança, é isso? Quer aparecer com uma mulher fodida só pra esfregar na cara da sua ex?

Ele deu de ombros.

- Eu quero encenar um casamento perfeito. Mostrar ao mundo que venci. Que amo, que sou estável. Preciso disso por... questões de imagem. Mas não tenho tempo para mentiras românticas. Você sabe fingir, eu também.

- E por que eu fingiria por você?

Ele se aproximou. A energia mudou, o ar ficou denso, elétrico.

- Porque você não tem onde cair morta. Porque, no fundo, sabe que essa proposta é a melhor coisa que já te aconteceu desde que disse "sim" pro homem errado.

Fechei os olhos por um instante. Minha mente gritava "não", mas meu corpo... meu corpo gritava outro nome.

Ele, Dario Ferraz.

O homem que me olhava como se soubesse exatamente como me fazer gemer.

- O que acontece se eu topar? - sussurrei.

- Você muda pra cá amanhã. Começa a aprender a ser minha esposa de fachada. Sorrir para as câmeras, parecer apaixonada. E à noite... - ele se aproximou, colando a boca no meu ouvido - ...a gente aprende o resto no escuro.

Eu deveria ter recusado. Deveria ter cuspido na cara dele, gritado que meu corpo não estava à venda.

Mas eu estava cansada de ser pobre e orgulhosa.

Peguei a caneta, olhei nos olhos dele e assinei.

Assinei e vendi a alma com prazer.

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