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Capa do romance A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela

A Mentira Perfeita Dele, A Verdade Perversa Dela

Durante cinco anos, acreditei ser a esposa de Bruno Monteiro, enfrentando tratamentos de fertilidade dolorosos. Ele era meu porto seguro após um trauma universitário me deixar estéril. Contudo, descobri que nossa união era uma farsa jurídica. Bruno fez vasectomia e me enganou para proteger Bruna, a mulher que causou meu sofrimento. Quando ela feriu meu irmão, a devoção virou vingança. Agora, finjo ser a esposa dócil enquanto planejo destruir a vida deles.
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Capítulo 2

POV Eloísa:

Meus olhos estavam secos, sem piscar, enquanto eu o encarava. O choque inicial em seu rosto deu lugar a uma máscara cuidadosamente construída de preocupação.

"Eloísa? O que você está fazendo aqui?", ele perguntou, sua voz tensa, uma tentativa desesperada de normalidade.

Eu me levantei lentamente, meus membros pesados. "A Ana ligou", eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "Ela disse que você estava com problemas. Fiquei preocupada."

Seu olhar piscou para a pequena pasta azul escura que eu segurava. O folheto da clínica de fertilidade. Ele provavelmente pensou que eu ainda estava envolvida na minha ignorância feliz.

"Estou bem, querida", ele disse, dando um passo em minha direção, sua mão se estendendo. "Apenas um desentendimento familiar. Nada para você se preocupar."

Seus olhos, no entanto, continuavam a se desviar para o celular. Vibrou novamente, um tremor silencioso em seu bolso. Ele era um péssimo mentiroso, agora que eu sabia o que procurar.

Eu vi o sorriso forçado, a ansiedade fugaz em suas pupilas. Era tudo uma performance, um eco da vida que havíamos construído sobre mentiras.

"Você parece exausto", eu disse, fingindo preocupação. "Talvez você devesse ir. Eu... eu vou esperar pela Ana."

Ele hesitou, uma batalha clara travando-se por trás de seus olhos. A ligação de Bruna versus manter as aparências. Bruna venceu.

"Tem certeza?", ele perguntou, sua voz ainda carregada de falsa preocupação. "Eu posso ficar."

"Não, vá", insisti, uma pressão sutil em meu tom. "Ela precisa de você."

Ele assentiu, um movimento rápido, quase imperceptível. Então ele se foi, um borrão de terno caro e urgência frenética, me deixando sozinha no silêncio ecoante do hall de mármore.

No momento em que a porta da frente se fechou, a máscara que eu usava se estilhaçou. Uma onda de náusea me invadiu, do tipo que vem de uma traição profunda e avassaladora.

Meus olhos caíram sobre uma grande porta de carvalho no final do corredor. O escritório particular de Bruno. O único lugar nesta casa em que eu era proibida de entrar sem sua permissão explícita.

Parecia um desafio, uma provocação. Caminhei em direção a ela, meus passos anormalmente altos no chão polido.

A porta estava destrancada. Eu a abri.

A sala estava mal iluminada, pesada com o cheiro de couro velho e seu perfume. Em sua enorme mesa de mogno, uma fotografia emoldurada se destacava. Era Bruna, seu cabelo selvagem, seus olhos brilhando, rindo para a câmera. Uma foto de anos atrás, antes que ela tivesse aperfeiçoado seu ato frágil.

Meu olhar estava frio, vazio. Estendi a mão, meus dedos roçando a moldura. Houve um clique fraco.

Uma trava escondida.

A parte de trás da moldura se abriu, revelando um pequeno compartimento recesso. Dentro, empilhadas ordenadamente, havia mais fotografias. Todas de Bruna.

Minha respiração ficou presa na garganta, não de surpresa, mas de uma confirmação arrepiante. Preto e branco, tons de sépia, cores vibrantes. Uma linha do tempo de sua devoção secreta.

Peguei uma. Era Bruna, radiante, segurando uma taça de champanhe. A data estampada no canto me deu um choque, frio e agudo. 15 de outubro, cinco anos atrás. Nosso aniversário de casamento.

Naquele dia, eu havia surpreendido Bruno com um pequeno bolo, esperando um jantar tranquilo. Ele me disse que tinha uma viagem de negócios urgente, lamentando não poder estar lá. Ele até mandou flores. Mandando flores, percebi agora, enquanto estava com ela.

Outra foto. Bruna em uma camisola de hospital, parecendo pálida, mas serena, um pequeno sorriso brincando em seus lábios. Abaixo, uma nota manuscrita na caligrafia familiar de Bruno: "Minha garota corajosa. Você finalmente está segura." A data: 2 de março, dois anos atrás.

2 de março. O dia em que eu desmaiei, agarrando meu abdômen em agonia, os médicos lutando para controlar uma hemorragia interna de meus intermináveis tratamentos de fertilidade. Bruno ficou inacessível por horas, depois ligou de volta, sua voz grossa de preocupação, dizendo que estava preso em uma reunião crítica e não programada.

Ele nunca esteve preso. Ele nunca esteve preocupado. Ele estava sempre com ela, sempre a colocando em primeiro lugar. Estas não eram meras fotos; eram carimbos de data e hora do meu abandono, evidências de sua crueldade calculada.

Um vazio profundo se espalhou por mim, entorpecendo tudo. Ele não apenas me traiu; ele me apagou sistematicamente de sua vida, substituindo-me por ela em todos os momentos cruciais.

Meus dedos tremeram, segurando as fotos. Eu precisava me mover. Eu precisava agir.

Peguei meu celular, discando um número que não usava há anos. "Alô, Dr. Esteves? Estou ligando sobre a transferência do Felipe. Gostaria de agilizar o processo para a instalação especializada em Campos do Jordão. Imediatamente."

Em seguida, enviei uma mensagem concisa e codificada para um contato discreto, um velho amigo da universidade que agora se especializava em perícia digital. "Preciso de todas as informações que você puder encontrar sobre Bruna Bittencourt, retrocedendo dez anos. Foco em transações financeiras, comunicações e quaisquer incidentes relacionados a uma 'agressão' ou 'trote' durante nossos anos de faculdade. Não deixe pedra sobre pedra. Discrição absoluta necessária. A compensação será... significativa."

O relógio de pêndulo no corredor bateu meia-noite. O carro de Bruno entrou na garagem.

Rapidamente, recoloquei as fotos, ajeitei a moldura e saí do escritório. Corri para o nosso quarto, deslizando para debaixo das cobertas, fingindo dormir. Meu coração martelava contra minhas costelas, um tambor caótico contra o silêncio.

Ele entrou no quarto silenciosamente. Senti a cama afundar enquanto ele se despia, depois o roçar de sua mão enquanto ele tentava me mover, me puxar para mais perto.

Eu me encolhi, um movimento brusco e involuntário. Meu celular, ainda em minha mão sob as cobertas, escorregou, sua tela piscando com o último e-mail que eu havia enviado. "Assunto: Urgente – Investigação Bruna Bittencourt."

Ele parou. "Eloísa?" Sua voz era baixa, cautelosa. "O que você está fazendo com seu celular?"

Meus olhos se abriram, fingindo sonolência. "Apenas checando e-mails", murmurei, puxando o celular de volta rapidamente. "Coisas do trabalho. Coisas de arquiteta. Você sabe."

"Deixe-me cuidar disso para você", ele ofereceu, sua mão ainda pairando sobre a minha. "Você teve um dia longo."

Minha respiração engatou. Ele tinha visto? Não, impossível. Balancei a cabeça levemente. "Não, está tudo bem. Apenas um projeto atrasado. Eu consigo."

Ele não insistiu, mas senti seu olhar demorar. Um lampejo de suspeita, rapidamente mascarado. "Você esteve na mansão hoje, não foi?" Sua voz estava calma, calma demais. "Mamãe disse que você saiu abruptamente."

"Ah", eu disse, virando-me para encará-lo, minha expressão cuidadosamente neutra. "Sim. Eu só... me senti um pouco mal depois da viagem. Não queria incomodar ninguém."

Olhei para ele, meus olhos cheios de uma preocupação fabricada. "Você saiu tarde. Está tudo bem? Com... sua amiga?"

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo. "É complicado. Ela é... delicada. Precisa de muitos cuidados."

"Claro", eu disse, uma nota suave e compreensiva em minha voz. "Ela sempre precisou. Talvez... seria mais fácil se ela ficasse aqui? Conosco?"

Bruno congelou, seus olhos se arregalando em descrença. Ele me encarou, sua boca ligeiramente aberta.

"É o mínimo que podemos fazer", continuei, minha voz doce, uma borda oculta de aço por baixo. "Ela é da família, afinal. E ela realmente precisa de você. Nós dois sabemos disso."

Ele me puxou para um abraço apertado, enterrando o rosto em meu cabelo. "Eloísa", ele sussurrou, sua voz grossa de emoção. "Você é verdadeiramente a mulher mais compreensiva que eu já conheci."

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