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Capa do romance A Mentira do Treinador, Minha Verdade Final

A Mentira do Treinador, Minha Verdade Final

Alina enfrentava o fim de sua carreira e uma doença terminal quando descobriu a traição do marido e treinador. Enquanto ela sofria com lesões, ele exibia uma nova vida ao lado de uma mulher grávida. No hospital, após ser humilhada e ignorada por ele, Alina percebeu que não tinha mais nada a perder. Com pouco tempo de vida restante, ela decide abandonar o casamento tóxico e viajar pelo mundo, buscando viver intensamente seus últimos meses de existência.
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Capítulo 2

As palavras saíram, afiadas e desesperadas, mas em vez de alívio, uma onda de náusea me invadiu. Minhas mãos começaram a tremer de novo, desta vez incontrolavelmente, e tive que me segurar na beirada da cama para me firmar. Meu corpo parecia estar desligando. Minha cabeça latejava, um tambor surdo acompanhando meu coração acelerado. Isso não podia estar acontecendo. Essa não podia ser a minha vida.

Uma nova mensagem de Larissa apareceu. Meus olhos, ainda embaçados pelas lágrimas, focaram na tela. "Me encontre no Café da Pista em uma hora. Precisamos conversar." Um encontro. Uma confrontação cara a cara. Meu estômago se revirou, mas uma determinação fria e dura começou a se formar no meu peito. Eu não ia me esconder. Eu merecia respostas.

Saltei da cama, ignorando a nova onda de dor no meu tornozelo machucado. Cada passo era uma luta, um lembrete gritante da carreira à qual Heitor supostamente se dedicava. Agora, ele se dedicava a ela. O pensamento enviou uma nova onda de gelo pelas minhas veias. Vesti as primeiras roupas que encontrei — uma calça de moletom e um capuz velho — minha aparência era a última das minhas preocupações. Meu cabelo era um emaranhado, meus olhos vermelhos e inchados. Eu parecia tão quebrada quanto me sentia.

O curto trajeto de carro pareceu interminável. Cada curva do volante me aproximava do inevitável, mais perto de estilhaçar a pouca ilusão de vida normal que me restava. Minhas palmas suavam, meu coração martelava contra minhas costelas. O que eu diria? O que ela diria? Heitor estaria lá? A ideia de vê-lo com ela, juntos, em público, me deixava sem ar. Uma parte de mim queria voltar, se esconder, fingir que nada daquilo era real. Mas a parte maior, a que sempre lutou por cada vitória no gelo, me empurrou para frente. Eu precisava saber. Eu precisava entender.

Quando entrei no estacionamento, meu olhar imediatamente se fixou neles. Lá estavam eles, sentados em uma mesa perto da janela, banhados pelo brilho amarelado e doentio do interior do café. Heitor, com seu rosto bonito e familiar, e Larissa, seu cabelo loiro brilhando sob as luzes. Ela era mais jovem que eu, mais alta, com um corpo magro e atlético que gritava "patinadora". Seus olhos, mesmo à distância, pareciam brilhar com um triunfo malicioso. Ela era tudo que eu costumava ser, tudo que eu estava perdendo.

Eles estavam rindo. A mão dele repousava no braço dela, um gesto tão casual, tão íntimo, que abriu um novo buraco no meu peito. Ele olhava para ela com uma adoração que antes era reservada apenas para mim. A cena foi devastadora, uma dor agonizante que tomou conta de mim. Minha visão embaçou. O mundo pareceu encolher, focando apenas neles, na traição deles.

Empurrei a porta do café, o sino acima anunciando minha chegada com um som estridente. A risada deles morreu. A cabeça de Heitor se virou bruscamente, seus olhos se arregalando de choque ao me ver. Larissa, no entanto, apenas sorriu de canto, um sorriso lento e ciente se espalhando por seu rosto. Minha voz, quando falei, era um sussurro trêmulo. "Heitor?"

Ele rapidamente retirou a mão do braço de Larissa. Seu rosto, geralmente tão composto, se contorceu em uma máscara de irritação. "Alina? O que você está fazendo aqui?" Ele parecia irritado, até mesmo enojado. Larissa recostou-se na cadeira, a imagem da satisfação presunçosa. Seus olhos, frios e calculistas, encontraram os meus, me desafiando.

Heitor então se levantou, colocando-se entre Larissa e eu. Um gesto protetor. Para ela. Não para mim. Era uma linha clara traçada na areia. "Por que você está aqui?", ele repetiu, sua voz mais áspera desta vez, carregada de uma impaciência que me cortou por dentro.

"Por que eu estou aqui?" Minha voz tremia, mas a raiva estava borbulhando, quente e incontrolável. "Como assim, por que eu estou aqui? Quem é essa, Heitor? O que está acontecendo?" Apontei um dedo trêmulo para Larissa.

"Saia daqui, Alina", ele disse, me empurrando com a mão no meu ombro. Não foi um empurrão gentil. Foi desdenhoso, forte. "Você está fazendo um escândalo. Está sendo dramática. Olha o seu estado." Suas palavras foram como pedras, cada uma machucando meu coração já frágil.

"Dramática?", gritei, a palavra rasgando minha garganta. Minha voz estava rouca, crua. "Você some por dias, ignora minhas ligações, e eu te encontro aqui com... com ela! E eu sou dramática? O que aconteceu com a gente, Heitor? O que eu fiz?"

Ele zombou, um som sombrio e sem humor. "O que você fez? Você se machucou, Alina. Você desmoronou. Deixou de ser a pessoa por quem me apaixonei." Seus olhos, antes cheios de calor, agora estavam frios, acusadores. "Você é um desastre. Isso é patético."

As palavras me atingiram com mais força do que qualquer golpe físico. *Você se machucou*. Como se fosse uma escolha, um ato deliberado da minha parte. Como se minha dor, meu corpo quebrado, de alguma forma me tornassem indigna de seu amor. Minha visão embaçou novamente, mas desta vez, não eram apenas lágrimas. Era uma raiva sufocante.

"Patético?", cuspi, encontrando uma súbita onda de força. "Você me chama de patética? Depois de tudo que eu te dei? De tudo que construímos? Você é o patético, Heitor! Escondendo seu caso, abandonando sua esposa, enquanto eu estava em casa, doente e machucada, me perguntando se você estava vivo!" Meu grito ecoou no café subitamente silencioso. Todos os olhos estavam em nós. Eu não me importava.

"Cala a boca, Alina!", ele sibilou, o rosto avermelhando. "Só cala a boca. Cansei disso. Cansei de você." Ele agarrou a mão de Larissa. "Vamos embora." Ele nem olhou para trás. Apenas a puxou em direção à saída, suas costas uma linha rígida de rejeição.

Ele a conduziu para fora, abrindo a porta do carro para ela, um cavalheiro, do jeito que costumava ser comigo. Ele não me dedicou um único olhar. Nem um último olhar. Apenas uma dispensa fria e vazia. O carro acelerou, me deixando sozinha no café, o cheiro de café velho e traição pairando pesado no ar.

Meu corpo estava dormente, oco. A dor no meu peito era tão intensa que eu não conseguia respirar. Minhas pernas pareciam gelatina. Olhei meu reflexo na janela do café. Uma mulher magra e pálida com olhos assombrados me encarava de volta. Meu cabelo estava desgrenhado, minhas roupas amassadas. Eu parecia um fantasma. O contraste com a patinadora vibrante e confiante que eu já fui, a mulher que Heitor supostamente amava, era gritante e cruel.

Saí cambaleando do café e de alguma forma encontrei o caminho de casa, a curta caminhada agora uma maratona agonizante. A casa estava escura, silenciosa, exatamente como eu a deixei. Heitor não estava aqui. Ele não voltaria para casa. Desabei no sofá, me encolhendo em uma bola apertada, os calafrios voltando com força total. Meu olhar pousou em uma orquídea em vaso na mesa de centro, suas flores antes vibrantes agora murchas e marrons. Eu não a regava há dias. Assim como nosso casamento, ela havia murchado por negligência.

Uma necessidade desesperada e infantil de conforto surgiu dentro de mim. Minha mãe. Ela saberia o que fazer. Ela faria tudo ficar bem. Peguei meu celular, meus dedos desajeitados. "Mãe", mandei uma mensagem, a única palavra um apelo. "Preciso de você."

A resposta dela foi quase imediata. "Alina? O que há de errado, querida? É o Heitor? Vocês brigaram?" Minha centelha inicial de esperança morreu uma morte rápida e brutal. Não era conforto que ela oferecia, mas julgamento.

"Alina, você precisa ser razoável", dizia sua próxima mensagem. "Heitor é um bom homem. Ele te sustentou, te deu tudo. Vocês foram feitos um para o outro. Não jogue tudo fora por uma briguinha boba."

Briguinha boba? Ele estava tendo um caso! "Ele está com outra mulher, mãe", digitei, minha voz rouca, embora ela não pudesse ouvir.

"Ah, Alina, homens são assim mesmo às vezes. Você só precisa ser mais compreensiva. Ele está sob muita pressão com a sua lesão. Você precisa perdoá-lo. Você precisa lutar pelo seu casamento." Suas palavras eram uma pílula amarga, dissolvendo qualquer calor restante em mim. Ela não se importava com a minha dor, apenas com a fachada. Apenas com o que os outros pensariam. A fachada da minha vida perfeita, do meu casamento perfeito, era mais importante do que a minha realidade em ruínas.

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