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Capa do romance A Indiferença do Meu Marido: Uma Traição Fatal

A Indiferença do Meu Marido: Uma Traição Fatal

No hospital, Lúcia enfrenta o luto de perder o filho aos nove meses de gestação. Enquanto ela sofre, seu marido, Pedro, prioriza o bem-estar de Eva, sua meia-irmã, cujo cão apenas se assustou. Diante da frieza dele, que a chama de dramática em meio à tragédia, Lúcia percebe que a lealdade de Pedro esconde algo sinistro. Entre a dor e a busca pelo divórcio, ela decide investigar se o acidente foi planejado, revelando uma traição obscura e perigosa.
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Capítulo 2

Quando abri os olhos, o cheiro de desinfetante encheu o meu nariz.

A luz fluorescente no teto do hospital era fria e ofuscante.

A minha mãe, Joana, estava deitada na cama ao lado, o rosto pálido como papel, ainda inconsciente da cirurgia de emergência.

O meu marido, Pedro, estava ao telefone no corredor, a voz dele era baixa mas eu conseguia ouvir a raiva contida.

"Eu sei, mãe, eu sei. Ela é sempre assim, a fazer um drama por nada. A Eva está bem, só um arranhão no braço. O problema é o cão dela, o Biscoito, que ficou muito assustado."

Eva era a filha do meu padrasto, a minha meia-irmã.

O meu telemóvel estava na mesinha de cabeceira, o ecrã estilhaçado.

Lembrei-me do acidente de carro, do som de metal a torcer e do meu grito.

Eu estava grávida de nove meses.

Agora, a minha barriga estava vazia.

O bebé, o nosso filho tão esperado, tinha-se ido.

O Pedro entrou no quarto, o rosto dele tenso.

"A minha mãe está preocupada. Ela disse que a Eva não para de chorar."

Eu olhei para ele, a minha voz era um sussurro rouco.

"O nosso filho morreu, Pedro."

Ele desviou o olhar, desconfortável.

"Eu sei, Lúcia. Foi um acidente terrível. Mas não podemos mudar o que aconteceu. Temos de ser fortes."

Ser fortes? Ele não estava lá.

Ele estava a consolar a Eva porque o cão dela estava assustado.

Eu liguei-lhe dezenas de vezes da ambulância, mas ele não atendeu.

O telefone dele estava ocupado. Ele estava a falar com a Eva.

"Eu quero o divórcio," disse eu, a decisão clara e fria na minha mente.

A raiva explodiu no rosto do Pedro, a fachada de calma dele a desmoronar-se.

"Divórcio? Estás a brincar comigo? Depois de tudo o que passámos? Só por causa de um acidente?"

"Não foi só por causa do acidente, Pedro. Foi por tudo. Onde estavas tu quando eu mais precisei de ti?"

"Eu estava a ajudar a minha família! A Eva estava em pânico! O que querias que eu fizesse? Que a deixasse sozinha?"

"E eu? Eu estava a perder o nosso filho. Isso não significa nada para ti?"

As palavras dele foram como um soco no estômago.

"Não sejas dramática, Lúcia. Pessoas sofrem acidentes todos os dias. A Eva é frágil, ela precisa de apoio. Tu és mais forte."

Frágil? A Eva, que passava os fins de semana a fazer escalada e maratonas?

Eu, que acabei de passar por uma cirurgia que me roubou o meu filho, era a forte?

As lágrimas que eu segurei começaram a queimar os meus olhos, mas recusei-me a deixá-las cair.

"Acabou, Pedro. Eu não consigo mais viver assim."

Ele riu, um som amargo e cruel.

"Tu não vais a lado nenhum. Tu amas-me demais para me deixar. E para onde irias? Não tens nada."

Ele virou-se e saiu do quarto, batendo a porta com força.

O som ecoou no silêncio, tão alto como o som do meu coração a partir-se.

Ele tinha razão numa coisa. Eu não tinha para onde ir.

A minha mãe dependia de mim, e agora estávamos as duas presas nesta teia familiar tóxica.

Mas ele estava enganado sobre outra. O amor que eu sentia por ele tinha morrido.

Morreu na beira da estrada, enquanto eu sangrava e chamava por ele em vão.

Morreu quando percebi que o cão da meia-irmã dele era mais importante do que o nosso filho por nascer.

O telemóvel da minha mãe tocou na mesinha de cabeceira.

Era o meu padrasto, Carlos.

A minha mãe mexeu-se, gemendo de dor, e atendeu a chamada, a voz fraca.

"Carlos?"

A voz irritada do meu padrasto explodiu do altifalante, tão alta que todo o quarto ouviu.

"Joana! Que raio se passa com a tua filha? Ela está a tentar destruir a nossa família? Divórcio? Ela enlouqueceu? A Eva está traumatizada por causa dela!"

A minha mãe olhou para mim, os olhos dela cheios de uma dor e resignação que eu conhecia demasiado bem.

Eu tirei o telefone da mão dela e falei, a minha voz surpreendentemente firme.

"A culpa não é da minha mãe. A decisão é minha. E é final."

Desliguei a chamada antes que ele pudesse responder.

O silêncio voltou, mais pesado do que antes.

A minha mãe estendeu a mão e agarrou a minha. A pele dela estava fria.

"Minha filha," ela sussurrou, "o que vamos fazer?"

Eu apertei a mão dela.

"Vamos sair daqui," disse eu. "De uma forma ou de outra."

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