Capa do romance Acompanhante, ao seu dispor

Acompanhante, ao seu dispor

8.1 / 10.0
Nikola Vladislav Ivanova odeia o pai e faz de tudo para provocá-lo. Para conter a rebeldia do herdeiro da máfia búlgara, Teodor exige que o filho se case com uma mulher respeitável ou perderá sua herança. Sem intenção de ceder, Nikola muda de ideia ao cruzar com a acompanhante de luxo Rayna Petrova. Ele decide usá-la em um plano audacioso: um casamento de fachada com uma desconhecida para humilhar o patriarca e desestabilizar os planos da família.

Acompanhante, ao seu dispor Capítulo 1

SÓFIA, BULGÁRIA.

– Por quanto tempo mais vou precisar passar por esse tipo de coisa? Esse trabalho maldito vai acabar me matando algum dia – resmungo para mim mesma enquanto ando apressada, os cliques do meu Saint Laurent no chão são como música para os ouvidos de qualquer um, inclusive para os meus, mas eu estou profundamente irritada na noite de hoje e não estou andando com a elegância que uso normalmente. Tudo que uma pessoa perceberia ao olhar para mim hoje é a pressa. Pressa de ficar longe do meu cliente.

É a segunda vez que esse cliente me dá dor de cabeça e eu estou cheia dele. Mesmo que me pague 1 milhão de levs, ainda não vou aceitar sair com ele outra vez, vou deixar isso bem claro na minha agência.

– Srta. Rayna! Srta. Rayna, espere! – ouço o Sr. Peev me chamando ao longe, mas não lhe dou atenção alguma. Aprendi a ignorar esse tipo de coisa com maestria. Se eu der atenção todas as vezes que eles me chamarem, vou acabar com um cachorrinho. Eu não sou um.

Desço as escadas rapidamente e já estou no salão do hotel quando ele finalmente me alcança, me segurando pelo braço.

É claro que isso chama a atenção de todos os presentes, que nos fitam com curiosidade e alguns com censura por nosso barulho exagerado. Ou será que devo atribuir isso a minha beleza? Que seja, não me importa nesse momento.

– Não pode ir embora agora, nós não acabamos – ele diz entredentes tentando disfarçar a ordem com um sorriso que ele dirige aos outros em forma de desculpa.

– Está errado, eu posso e vou embora agora. Você me pagou por um jantar, se quiser que eu vá para a cama com você vai precisar me pagar muito mais, coisa que você não fez. Eu tenho um contrato assinado que prova que nosso acordo não inclui sexo, você quebrou as regras então eu estou totalmente livre para te deixar a nenhuma e ir embora. Alguma dúvida? – as palavras saem rapidamente da minha boca e eu não me importo em ser fria e calculista. – Se não tem, vou embora agora. Boa noite.

Eu gostaria que as coisas fossem diferentes pelo menos uma vez na vida, mas não me surpreendo quando ele me segura pelo braço mais uma vez, antes que eu dê metade de um passo. Todos fazem isso, eles simplesmente não conseguem se tocar.

– Escute aqui, você acha que eu pagaria para ter sexo com você? Só quem é maluco paga por algo que se pode conseguir de graça – eu já esperava que isso saísse da boca dele. É isso que todos os homens dizem quando percebem que não vão conseguir concluir seus planinhos em relação a mim.

Sou uma acompanhante cara e a maioria dos homens que me procuram é apenas para ser exibida em um jantar de negócios ou uma ocasião formal, são poucos que querem sexo. O sr. Peev é um desses poucos, apesar de não ter dinheiro.

Com um sorriso, jogo meu cabelo loiro para o lado e sorrio da forma mais meiga que consigo para ele.

– Bem, não parece que você está conseguindo de graça, afinal me contratou para jantar com você e tentou comer muito mais do que a comida, não é mesmo? – tudo isso é dito no meu tom mais meigo e ele abre a boca, incrédulo.

– Ora, sua… sua puta – ele grita em meio ao salão lotado. Para a sua surpresa, eu sorrio e dou de ombros.

– Era para ser uma ofensa? – Questiono inocentemente. – Receio que não funcionou muito bem.

Ele não tem tempo para me responder porque um tiro soa lá fora e as pessoas começam a correr para a saída. Olho ao redor e vejo que há homens se aproximando de nós enquanto todos os outros estão indo em direção a saída, eles estão entrando ainda mais no estabelecimento.

O Sr. Peev olha ao redor e quando seus olhos batem nos homens que se aproximam, ele arregala os olhos e eu percebo o problema imediatamente. Ele é o procurado da vez.

– Ele vai fugir! Rápido! – alguém grita e eu constato que estão certos. Eu normalmente não me meto em assuntos pessoais, mas o Sr. Peev realmente tirou minha paciência hoje.

Rapidamente, antes que o sr. Peev consiga correr, coloco meu pé entre as suas pernas e lhe dou uma rasteira que o faz cair no chão como um saco de batatas.

– O que está fazendo?! Não pode me entregar para eles, vou morrer se fizer isso – ele diz desesperado tentando se levantar e fugir, mas o Sr. Peev já não é mais tão novo e não tem mais a agilidade que pensava que tinha porque ele mal consegue ficar de joelhos quando se vê rodeado de homens.

– Não estou te entregando, é o karma. Parece que não sou a única pessoa que você tenta passar para trás hoje – respondo simplesmente. – Esse é o seu castigo por querer algo que não consegue pagar.

– Espero que morra entalada – ele diz e cospe no chão com desprezo. Pela sua expressão, consigo imaginar com o quê ele está desejando que eu me engasgue. Não parece uma morte tão ruim para mim.

– Como se eu me importasse com o que você espera – faço pouco-caso e olho para os homens ao meu redor. – Posso ir embora?

O que parece ser o líder deles assente, então com uma jogada de cabelo, eu saio andando para longe do Sr. Peev, pensando no meu apartamento e num banho relaxante na minha banheira.

Pode parecer cruel o que acabei de fazer, mas é melhor que seja ele do que eu. Aprendi a não deixar meus sentimentos atrapalharem meu trabalho e esse é o segredo do meu sucesso.

Enquanto andava para fora de um dos melhores hotéis de Sófia, Rayna não percebeu que estava sendo observada por um homem que estava no andar de cima, ao pé da escada, assistindo tudo que ela tinha feito desde que saiu do quarto onde estava com o Sr. Peev. Ela não sabia ainda, mas o encontro daquela noite estava destinado a acontecer.

Continue Lendo

Acompanhante, ao seu dispor de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance Amor antes do pôr do sol
9.2
Após três anos, ela retorna e acaba nos braços de Chi Yan. Ele não a reconhece, mas fica obcecado pela mulher que conheceu naquela noite. Ao questioná-lo sobre o antigo noivado, ele a rejeita friamente, alegando que os votos foram apenas para confortá-la durante um tratamento. Decidida a esquecê-lo, ela tenta partir, mas Chi Yan se desespera. Ajoelhado, ele implora que ela fique, mas ela o ignora, lembrando que agora é apenas sua irmã.
Capa do romance Cinco Anos, Um Nome Esquecido
8.4
Breno recordava detalhes fúteis, mas ignorava a alergia mortal de Eliza. Após cinco anos, o descaso dele transbordou ao presentear Isabela, sua prioridade óbvia. Em um evento, ele sequer lembrou o nome real de Eliza, revelando o vazio da relação. Abandonada por ele em uma estrada escura com o tornozelo quebrado por se recusar a pedir desculpas à rival, ela finalmente encara o desperdício de sua dedicação enquanto ele parte, deixando-a ferida e sozinha na noite.
Capa do romance DECLÍNIO
8.3
Raul, o duque da aviação, aceita uma última missão sobre o Mediterrâneo antes de seu casamento. O que seria um voo simples torna-se um desastre devido a tempestades e à imperícia do copiloto. No avião está Maria Luíza, uma jovem obstinada em busca de seus sonhos. Após a queda, ambos lutam pela sobrevivência em uma ilha deserta. Isolados, a paixão desafia a lógica, mas a descoberta da identidade da noiva de Raul coloca tudo em risco.
Capa do romance O Dia em Que Ele Escolheu Outra
9.7
No parto do pequeno Leo, Pedro abandonou a esposa para doar sangue à ex-namorada, Sofia. Sozinha e traída, ela enfrenta o desprezo do marido e da sogra, que a chamam de egoísta. Contudo, uma mensagem de Marta, irmã de Sofia, revela que o heróico sacrifício de Pedro esconde manipulações cruéis e mentiras sombrias. Diante de uma verdade devastadora sobre o caráter do vilão, a protagonista decide lutar na justiça para proteger seu filho e recuperar sua dignidade.
Capa do romance Pecadora
9.4
Eu ri, deitada ao lado da minha irmã, ambas apertadas na minha cama de solteiro, como costumávamos fazer nas manhãs de domingo. Era engraçado como Rebeca sempre me fazia sentir livre e solta como normalmente eu não era. Eu sempre tinha sido tímida e quieta; ela, extrovertida e espalhafatosa. - Você​ri?​-​Ela​me​empurrou​com​o​ombro, pressionando-me contra a parede. Empurrei-a de volta, e ela quase caiu. Gargalhamos. Então ela envolveu minha cintura com um braço e ergueu o rosto, olhando para mim e dizendo, inesperadamente: - Estou grávida. Gelei, muda. Virei minha cabeça sobre o travesseiro e busquei os olhos dela, pensando ser mais uma brincadeira. Mas ela estava séria. Deixou a cabeça cair no meu travesseiro e ficamos nos encarando. Senti medo por ela. Minha irmã é quase dois anos mais velha do que eu, mas ainda assim tinha só dezoito anos. Ameacei chorar, mas me segurei. Murmurei, angustiada: - Meu Deus... - Deus não tem nada a ver com isso, Isabel. Ou talvez tenha... - Ela deu de ombros. - Você vai ser titia. - Rebeca, você sabe que isso vai ser uma tragédia aqui em casa. - Eu me ergui e me sentei, tensa. - Papai e mamãe... - Vão querer me matar. Ou melhor, me casar - brincou ela, de novo. Ela se sentou também, passando a mão pelo cabelo curto, na altura do pescoço, em cachos desconexos. Era totalmente diferente do meu, que passava da cintura, como fora o dela um dia, antes de se revoltar e cortar tudo, episódio que quase lhe custara uma surra do nosso pai. - Casar com quem? Quem é o pai do bebê? - Como vou saber, Isa? - debochou ela. - Pode ser qualquer um dos dez ou vinte com quem transei nos últimos tempos. - Ah, Rebeca! - Segurei suas mãos, nervosa. Não concordava com muitas das loucuras dela, mas, no fundo, eu a entendia. E me preocupava, por sua causa e por nossos pais. - Você faz isso só para confrontar os dois! - Faço porque quero! Sou livre! Sou maior de idade e trabalho. Vou contar a eles sobre a gravidez, alugar um quarto e sair daqui. Vou me livrar dessa loucura toda! - Não é loucura. - Tentei justificar. - Papai é pastor e... - Loucura! - repetiu, irritada. - Opressão! É isso o que ele faz com essa igreja que ele criou. Isso não é religião, Isabel. Deus não é essa infelicidade toda que somos obrigadas a suportar. Conheço muita, muita gente cristã que está longe de viver oprimida como nós. Uma parte de mim pensava como ela. Mas, criada desde pequena de maneira rígida, eu tinha medo daqueles pensamentos. Temia também pela salvação da minha irmã, que eu amava mais do que tudo. - Escute... - Coloquei a mão em seu rosto, com carinho e preocupação. - Não precisa dessa revolta toda. Você se machuca e magoa nossos pais, Rebeca. Pode falar o que quiser sem... - Falar o que quero? Desde quando? Não me faça rir, Isa! - Ela suspirou, mas não se afastou. - Sabe que eles não aceitam! É aquela religião maldita deles. - Não diga isso - briguei com ela. - É a nossa religião!
Capa do romance Renascimento em Seus Braços
9.5
No fim da vida, João Carlos lamenta ter ignorado o amor puro de Maria Clara para viver um casamento amargo após ser traído pela noiva, Ana Lúcia. Ao morrer, ele desperta misteriosamente no dia do seu casamento, décadas antes. Diante da chance de mudar seu destino, ele interrompe a cerimônia e rejeita a mulher que o humilhou. Para o choque de todos, João se ajoelha perante Maria Clara, decidido a valorizar quem sempre o amou e recomeçar sua história.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar