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Capa do romance A Herdeira Virgem e o Garoto de Programa

A Herdeira Virgem e o Garoto de Programa

Vincenzo Bianchi trocou sua criação religiosa rígida pela exploração dos prazeres mundanos na faculdade. Já Sol Ávila, herdeira de um império, cresceu isolada em um convento após um trauma na infância. Ao assumir o legado da família, ela decide recuperar o tempo perdido e contrata Vincenzo para ser seu guia sexual. Entre aulas de prazer e um contrato de trinta dias, a conexão entre opostos desafia a regra de não se apaixonar. Um romance intenso sobre desejo e cura.
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Capítulo 1

AVISO

Olá, você que está começando a leitura.

Passando para avisar que o tema religião/fanatismo é tratado de maneira fantasiosa. Não pretende ensinar, menos ainda ofender. Se considerar que seja um tema sensível, mesmo nesses termos, aconselho a não prosseguir com a leitura.

Talvez você encontre gatilhos durante a leitura, talvez não. Deixo avisado porque o que pode ser gatilho para alguns não é para outros.

No mais, boa leitura!

Beijos e abraços,

Gray

Sol Ávila

— Papai, olha! — dei uma rodadinha fazendo com que meu vestido de princesa fosse visto enquanto rodava.

— Está linda, minha princesa! — papai se abaixou e abriu os braços. Corri para abraçá-lo toda sorridente.

— Vamos, meus amores. — Mamãe passou por nós sorrindo. Tive vontade de tocar suas covinhas. Minha mãe era a mulher mais linda do mundo. Uma rainha. E o meu pai era o rei. Por isso vivíamos em um castelo.

Era o meu primeiro dia na escola. Apesar do vestido bonito, da mochila cor de rosa e do carinho dos meus pais, eu estava com muito medo. Meus únicos amigos eram os filhos dos empregados, pois meus pais decidiram me ensinar em casa até que eu estivesse pronta para começar o ensino fundamental. Não conhecia ninguém de fora dos domínios dos meus pais. E eu queria muito conhecer mais pessoas, ao mesmo tempo que não queria. Era um medo muito grande do desconhecido. Como se eu fosse encontrar um monte de monstros no caminho.

Assim que o carro parou na entrada do colégio, segurei a mão da minha mãe com força.

— Calma, Moranguinho! Prometo que você vai fazer um monte de amigos e brincar muito.

— E se ninguém gostar de mim? Se forem maus?

— Tenho certeza que todos vão te amar — respondeu com sua voz macia.

— Mas e se me odiarem? — insisti medrosa.

— Ai, a mamãe vem e te leva.

— Pode ir tranquila, bebê. Leva meu telefone. E quando sentir saudades, pode ligar para o trabalho do papai ou da mamãe. — Papai entrou na conversa.

— Só que precisa ser corajosa e ir até lá. O medo atrapalha. Igual quando te ensinamos a andar de bicicleta. Você estava com medo, mas foi forte e agora anda melhor que seu pai ou eu.

— Tá bom!

Minhas mãos estavam suadas quando peguei o telefone das mãos do meu pai e coloquei na mochila.

Meus pais seguiram comigo até a porta da minha sala. E ali eu descobri um novo mundo, repleto de amigos e descobertas. Foi muito bom enfrentar o medo. Minha mãe estava certa como sempre.

Eu ia para a escola todos os dias com um dos meus pais. E com o tempo passei a visitar a casa dos meus coleguinhas e a receber a visita deles. Eles me chamavam de Moranguinho, porque no primeiro dia contei que meus pais me chamavam assim por causa das minhas sardas e também porque quando eu era bebê eles diziam ter vontade de me morder. Acabou que o apelido pegou. Foi uma revelação inocente de uma menina que não sabia o que dizer ao ser colocada na frente da sala para me apresentar aos meus colegas.

Passaram dias, meses, anos.

No meu aniversário de treze anos, meus pais decidiram fazer uma festa e pude convidar todos os meus colegas, inclusive Fábio, o garoto mais lindo da escola. Sempre tive uma “queda” por ele e minhas amigas me contaram que ele está interessado, e que quer me dar um beijo na festa. Passei os dias que antecederam entre ansiosa e medrosa. Se acontecesse mesmo seria o meu primeiro beijo.

Durante a festa tentei não demonstrar tanto nervosismo. Até o momento de cantar os parabéns e cortar o bolo, meus pais ficaram presentes, depois deixaram as crianças se divertirem no espaço da festa.

— Moranguinho... — arrepiei toda ao ouvir a voz de Fábio atrás de mim. Meu coração disparou.

Quando me virei, vi que ele estava perto demais.

Jaqueta de couro preta, jeans rasgado, cabelo rebelde; o típico bad boy dos programas juvenis.

— Oi!

— Posso te dar o meu presente agora? — segurou o meu queixo suavemente.

Quem disse que eu tinha força para responder?! Apenas deixei seu rosto se aproximar do meu lentamente, seus lábios tocarem os meus. Foi um beijo suave, me fez sentir como se andasse sobre nuvens.

Quando acabou, abri os olhos lentamente. Ele me encarava com um sorriso presunçoso.

— Quer ser minha namorada?

Eu não conseguiria falar facilmente. Balancei a cabeça concordando.

— Sim. — Minha voz saiu baixa.

Ele ia me beijar novamente, pude ver em seu olhar, mas nossos amigos atrapalharam com suas graças sobre o novo casal; nós.

Não consegui mais ficar sozinha com ele, nem na despedida porque meus pais estavam presentes.

Mas ele sussurrou em meu ouvido na hora da despedida: “Na escola.”

Não disse o que aconteceria na escola, mas pude adivinhar.

***

Naquela primeira manhã de aula onde eu tinha um namorado, me arrumei como se minha vida dependesse disso, ao mesmo tempo em que tentava não exagerar. Não queria que Fábio me achasse uma estranha. Queria que ele me achasse linda.

— Sinto que alguém conheceu o primeiro amor. — Mamãe entrou no quarto com aquele sorriso que só uma mãe é capaz de dar. Claro que ela sabia. Eu contei para ela que ele me pediu em namoro e me beijou.

— Mãe! — tapei o rosto com as mãos.

— Seu pai vai querer conhecê-lo. Devemos contar para ele.

— Estou com medo. Será que papai vai ficar contra?

— Eu cuido dele. Desde que a senhorita seja responsável. Já conversamos. Quero que me mantenha informada e não faça nada só para agradar aquele rapaz.

— Eu sei.

Mamãe falou um pouco mais sobre as mudanças no meu corpo, os avanços dos meninos da minha idade. Tudo que ela vinha me explicando desde a minha primeira menstruação.

Eu sempre escutava minha mãe, mas dessa vez minha mente viajava sobre como seria ao chegar na escola e encontrar Fábio.

Foi incrível, ele estava me esperando na entrada. Assim que me aproximei, ganhei um selinho, ele segurou a minha mochila e entramos de mãos dadas. Ao nosso redor um monte de burburinho. Me senti aquelas líderes de torcida nos filmes que namora o jogador mais importante.

Pode uma vida mais maravilhosa que a minha? Pais incríveis, amigos maravilhosos, um namorado perfeito.

Cada dia que passava, me sentia cada vez mais feliz.

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