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Capa do romance A Herdeira Virgem e o Garoto de Programa

A Herdeira Virgem e o Garoto de Programa

Vincenzo Bianchi trocou sua criação religiosa rígida pela exploração dos prazeres mundanos na faculdade. Já Sol Ávila, herdeira de um império, cresceu isolada em um convento após um trauma na infância. Ao assumir o legado da família, ela decide recuperar o tempo perdido e contrata Vincenzo para ser seu guia sexual. Entre aulas de prazer e um contrato de trinta dias, a conexão entre opostos desafia a regra de não se apaixonar. Um romance intenso sobre desejo e cura.
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Capítulo 2

O carro nos esperava para me levar a aula. Dessa vez, papai não iria conosco, teve que sair cedo para uma reunião na empresa. Mas ele me buscaria, tínhamos planos para comemorar seu aniversário de quarenta e dois anos. Como a data caiu na semana, decidimos jantar juntos para comemorar antes da festa oficial no fim de semana. Ele era o que mais gostava de festas. Mamãe costumava chamá-lo de “mulher da relação” porque ele gosta de novelas, detesta futebol, e em nada se parece com seus amigos e colegas de trabalho. Foge ao estereótipo. Gosto disso.

Mas hoje eu não estava muito satisfeita. Aliás nada me agradava. Era o período da minha menstruação. Mesmo que mamãe dissesse que é uma coisa especial, só consigo pensar que está sangrando entre as minhas pernas, mesmo não incomodando sei que tem um absorvente ali, e ainda tem essa cólica dos infernos que parece ser blindada contra remédios.

O motorista abriu a porta e fui logo entrando. Ele não parecia o senhor Ferraz, o que dirigia para o meu pai desde que me entendo por gente. Devia ser novo.

— Pode faltar aula hoje se quiser. — Mamãe disse e entrou no carro sem nem olhar para o motorista. Apenas desejou bom dia. Estava procurando seu passaporte na bolsa. Em breve viajaríamos de férias e ela não conseguia lembrar onde deixou. Se eu soubesse o quanto minha vida mudaria por esse simples detalhe.

Não respondi. Eu iria para a escola sim e não seria uma porcaria de menstruação que me impediria de ver o meu namorado lindo.

— Não está aqui. Tenho que achar. Não quero ter que tirar uma nova via — mamãe resmungou fechando a bolsa.

— O senhor é novo? — perguntei ao motorista enquanto ele dirigia saindo da casa.

Ele olhou pelo retrovisor e sorriu.

— Sim. Comecei hoje.

— Onde está o Ferraz? — mamãe perguntou com um tom assustado que nunca vi. Ela olhava do lugar do motorista para a porta ao seu lado alternadamente. Parecia desesperada.

— Não pode trabalhar hoje. Houve um acidente. Pelo que soube, ele foi atropelado. Por sorte não...

— Pare o carro! — mamãe gritou. Olhei para ela assustada. Ela gritou novamente. — Pare o carro! — E começou a gritar sem para e a tentar abrir a porta.

Eu soube o motivo dos gritos dela quando o homem apenas riu e continuou dirigindo, dessa vez em alta velocidade, como se acreditasse que ela teria coragem de saltar do carro comigo.

— O que está acontecendo? — agarrei o braço da minha mãe. Cólica era um assunto esquecido.

— Calma, minha filha. Vai ficar tudo bem.

— Como vai ficar tudo bem? A senhora está apavorada. — Me virei para o motorista. — Senhor, pare o carro, por favor. A minha mãe não está bem.

Ele riu. Como se eu fosse ingênua demais. Talvez eu fosse. Fui educada para ser boa. Não tinha ideia do que estava acontecendo.

Estávamos em uma parte sem residências, e ele realmente parou o carro.

Suspirei aliviada.

— Obrigada! — disse vendo-o destravar as portas e sair do carro. Ele abriu a porta do lado da minha mãe. — Vai ficar tudo be...

Eu estava falando quando aquele homem agarrou minha mãe pelos cabelos, puxando-a para fora do carro.

Minha mãe gritava e tentava bater nele. Parecia um animal furioso.

Sai do carro, só consegui fazer isso. Eu era uma inútil paralisada enquanto via minha mãe ser agredida.

— Não machuque a minha filha. — A ouvi implorar.

Foi nessa hora em que eu descobri o quanto o ser humano pode ser cruel com o outro. Aquele homem virou a minha mãe na minha direção.

— É o que vai acontecer com você se contar para alguém.

“Mãeeeee!” o grito ficou preso na minha garganta, enquanto na garganta da minha rainha entrava um punhal que acompanhei em cada movimento.

Vi o momento em que minha mãe parou de debater. Vi quando ela desabou no chão sem vida. Vi os passos do homem se aproximando de mim.

Ele segurou o meu rosto com força. Sua mão grande apertando minhas bochechas. Pude ver de perto a cicatriz pequena em seu queixo.

— Seus olhos têm o mesmo tom de medo da sua mãe. Que decepção. — Me soltou tão violentamente que cai no chão. — Quando menos esperar, estarei de volta. Temos grandes planos.

Enquanto ele caminhava e entrava em um carro de luxo que apareceu do nada, finalmente tive forças para me arrastar até o corpo da minha mãe. A abracei com força, meu corpo balançando com os soluços do choro incontrolável.

Como era possível? Como podia acontecer tamanha maldade com alguém que sempre foi um anjo? Onde estava a justiça? Onde estava o deus que amava sua criação?

Perdi a noção do tempo. Não vi nem ouvi as pessoas que se aproximavam. Até que fui arrancada de sobre a minha mãe.

Como se estivesse presa em um pesadelo, me vi sendo levada para o hospital. Meu pai estava ao meu lado, mas não me consolava, parecia perdido. Era como se alguém o tivesse jogado no meio do deserto sem saber qual direção tomar.

***

No dia seguinte acordei com meu pai sentado ao lado da minha cama no hospital.

— Pai. — Chamei sua atenção.

— Como se sente, Sol?

Sol? Ele só me chamava assim quando estava zangado.

— É minha culpa o que aconteceu com mamãe? — perguntei entendendo que seu jeito de me chamar se devia a isso.

— Claro que não, minha filha.

Ele parecia estar mentindo, mas eu não sei se teria forças para ouvir a verdade.

Um médico entrou no quarto, fez algumas perguntas e exames. Logo em seguida entraram dois homens uniformizados que se apresentaram como policiais e começaram a fazer algumas perguntas.

— Não consigo. — Senti as lágrimas descendo enquanto me esforçava para recordar o rosto do agressor. Eu recordava do uniforme de motorista, das luvas pretas, mas quando chegava no rosto era como se houvesse apagado todos os traços, só havia uma estrutura lisa. — Por que não consigo?

— Calma! É comum depois de um trauma. Você vai lembrar com o tempo. — O médico me tranquilizou. E não passou despercebido a apatia do meu pai. Só o corpo dele parecia estar ali, não a alma, não o coração.

Aos poucos todos foram saindo do quarto, inclusive meu pai que alegou precisar tratar de assuntos da minha alta. Voltei para casa naquele mesmo dia. Mas não via mais aquela mansão como o castelo de uma princesa, aquele lugar agora me parecia sombrio.

A rainha estava morta, o rei apático, e a princesa mergulhada em tristeza.

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