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Capa do romance A Herdeira Que Ele Tentou Destruir

A Herdeira Que Ele Tentou Destruir

Após dez anos com Collin, fui abandonada no altar por causa de Haylee. Ela me atropelou, tirando a vida do meu bebê, e Collin me chantageou para protegê-la, ameaçando a dignidade da minha mãe. Mesmo cedendo, perdi minha mãe para a crueldade deles. Traída e sem nada, recebi uma proposta de um rival para assumir uma nova identidade e o poder necessário para me vingar. Forjei minha morte e agora o homem que tentou me destruir pagará por cada dor causada.
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Capítulo 1

No dia do meu casamento, meu noivo de dez anos me abandonou no altar por outra mulher. Ele enviou uma mensagem de texto simples: "Haylee precisa de mim."

Horas depois, essa mesma mulher me atropelou com o carro dela, fazendo-me perder nosso bebê. Mas quando acordei no hospital, meu noivo estava ao meu lado com uma exigência de gelar o sangue.

"Retire as acusações contra a Haylee", disse ele, com a voz fria. "Ela é sensível demais para a prisão. Você é forte, Kira. Você aguenta isso."

Para garantir que eu obedecesse, ele ameaçou divulgar um vídeo humilhante da minha mãe, que sofria de demência. Eu cedi, apenas para descobrir que Haylee já havia atormentado minha mãe com sussurros cruéis, levando-a ao suicídio.

A traição foi absoluta. Ele não apenas destruiu meu corpo e nosso filho, mas também orquestrou a morte da minha mãe para proteger seu novo amor.

Ele achou que tinha me destruído, me deixando sem nada.

Mas enquanto eu jazia despedaçada naquela cama de hospital, um e-mail chegou do seu maior concorrente. Eles me ofereceram uma nova identidade, uma nova vida e o poder de fazê-lo pagar por tudo. Eles queriam que eu forjasse minha própria morte.

Chapter 1

O vestido de noiva estava pendurado no quarto principal, uma cascata de seda branca e renda. Era para ser o dia mais feliz da minha vida, o auge de dez anos com Collin, meu melhor amigo, meu parceiro, meu tudo. Mas o vestido estava imóvel, e eu também. Meu celular vibrou contra a bancada de mármore polido. Era uma mensagem de Collin. Não uma mensagem de amor, não uma confissão de última hora de devoção eterna. Apenas três palavras: "Haylee precisa de mim."

Meu coração parou. Não batia mais. Apenas ficou ali, pesado e inútil no meu peito. Ele tinha me deixado. No dia do nosso casamento. Por Haylee Acosta, uma mulher dez anos mais velha que eu, mas que agia como uma criança. Ela se autodenominava "Haylee-boo". Era nauseante.

Haylee era uma caricatura de desamparo. Ela se jogava em cima de Collin, piscando os cílios, falando com uma voz aguda e infantil. Ela era intelectualmente vazia, mal conseguia formular uma frase coerente sem dar uma risadinha, mas tinha uma astúcia maliciosa que fervilhava sob seu olhar vago. Collin, o brilhante CEO de tecnologia, via uma donzela em perigo. Eu via uma predadora. Ele, o homem que construiu um império com meu código e minhas estratégias, agora estava obcecado por sua inocência fingida. Minha competência, meu intelecto, minha determinação... tudo isso só o fazia se sentir pequeno. Haylee, com sua necessidade infinita de sua "proteção", o fazia se sentir um deus.

Ele a adorava, uma indulgência doentia que revirava meu estômago. Ele havia comprado para ela um ridículo conversível rosa, alegando que ela precisava de algo "fofo e fácil de dirigir". Ele havia contratado um assistente pessoal para ela porque ela "não conseguiria de jeito nenhum gerenciar a própria agenda". Ele chegou a cancelar reuniões importantes com investidores porque Haylee teve um "pesadelo" e precisava que ele a abraçasse. Cada ato absurdo era um soco no meu estômago, uma percepção lenta e agonizante de que o homem que eu amava tinha desaparecido, substituído por um estranho que eu mal reconhecia.

Meu mundo se partiu quando o encontrei no estacionamento do DMV. O vestido branco parecia uma mortalha. "Collin", minha voz era quase um sussurro, embargada pela incredulidade. "O que você está fazendo?"

Ele se virou, seus olhos vidrados com uma energia frenética que eu nunca tinha visto. Haylee estava sentada no banco do passageiro de seu conversível rosa, mascando chiclete, totalmente alheia. "Kira. É... é o teste de direção da Haylee. Ela está tão nervosa. Eu só preciso estar aqui para ela."

"Nosso casamento", engasguei, apontando um dedo trêmulo para o tecido branco imaculado do meu vestido. "Hoje é o dia do nosso casamento."

Ele olhou para mim, depois para Haylee, e de volta para mim, um lampejo de algo que poderia ter sido vergonha passando por seus olhos antes de se acomodar novamente naquela obsessão desconcertante. "Ela bateu o carro da primeira vez. Ela é delicada. Você é forte, Kira. Você entende."

Eu não entendia. Minhas mãos se fecharam em punhos. "Não, eu não entendo. Saia desse carro, Collin. Agora."

Haylee, finalmente percebendo a tensão, interveio com sua voz açucarada: "Oh, olhe, é a Kira! Você veio me desejar boa sorte, docinho?"

Foi a gota d'água. O último fio se rompeu. Marchei em direção ao carro, minha visão embaçada. "Sua manipuladorazinha-"

Antes que eu pudesse terminar, Haylee gritou. Seu pé pisou fundo no acelerador, não no freio. O conversível rosa avançou bruscamente. Fiquei paralisada, como um cervo diante dos faróis. O impacto foi brutal. Um estalo medonho de metal contra osso, e então a escuridão.

Acordei com as luzes brancas e ofuscantes do hospital e uma dor que me roubava o fôlego. Minhas pernas pareciam porcelana estilhaçada. Uma enfermeira, com o rosto sério, explicou a extensão dos meus ferimentos. Múltiplas fraturas, hemorragia interna. E então, as palavras que me assombrariam para sempre: "Você perdeu o bebê, Sra. Blair. Fizemos tudo o que podíamos."

O bebê. Nosso bebê. Aquele que Collin e eu havíamos planejado, a pequena vida que eu carreguei por semanas, sonhando silenciosamente com nosso futuro. Tinha acabado. Por causa de Haylee. Por causa de Collin. Quando a polícia chegou, contei tudo a eles. O abandono, o confronto, a direção imprudente de Haylee. Mas Collin, sempre um passo à frente, apareceu no meu quarto de hospital antes que eu pudesse sequer processar as acusações.

Ele ficou ao lado da minha cama, sem nenhum pingo de remorso no rosto. "Kira. Retire as acusações contra a Haylee."

Eu o encarei, minha garganta arranhada de tanto gritar. "Você está louco? Ela... ela matou nosso bebê. Ela quebrou meu corpo!"

Ele suspirou, apertando a ponte do nariz como se eu estivesse sendo irracional. "Haylee é sensível demais para a prisão. Ela é frágil. Você, Kira, você é forte. Você aguenta isso." Ele fez uma pausa, sua voz baixando para um tom grave e arrepiante. "Mas sua mãe aguenta?"

Minha mãe. Minha doce e confusa mãe, afundando cada vez mais na névoa da demência precoce. "Do que você está falando?", sussurrei, um pavor gelado se infiltrando em meus ossos.

"Eu tenho um vídeo, Kira. Um vídeo da sua mãe, bastante... vulnerável. Um momento de confusão que ela não gostaria que o mundo visse." Ele ergueu o celular, um brilho sombrio nos olhos. "Se você levar isso adiante, ele viraliza. O último pingo de dignidade da sua mãe, perdido. E eu vou garantir que todos saibam que foi sua culpa por forçar a barra."

A traição foi um golpe físico, pior do que qualquer um dos meus ferimentos. Minha visão se encheu de lágrimas. Este não era o homem que eu amava. Ele era um monstro. As memórias da nossa década juntos, de construir a Brewer Tech a partir de uma startup de garagem, de noites em claro movidas a café e sonhos compartilhados, se transformaram em uma paródia grotesca. Eu havia lhe dado minha juventude, meu brilhantismo, minha lealdade inabalável. Eu acreditei nele quando ninguém mais acreditava. Eu criei os próprios algoritmos que tornaram sua empresa uma potência, sempre contente em ser sua sócia silenciosa, sua arma secreta. Eu acreditava que nosso amor era construído com base no respeito mútuo. Agora, ele estava ameaçando destruir minha mãe doente para proteger uma mulher que havia estilhaçado minha vida. Ele não apenas quebrou meu corpo; ele pisoteou minha alma.

"Não", implorei, minha voz falhando. "Não se atreva."

Collin permaneceu impassível. "A escolha é sua, Kira. Justiça por um acidente tolo, ou a paz da sua mãe. Haylee vai ficar bem. Você vai se curar. Sua mãe... ela pode não se recuperar da humilhação pública." Ele olhou para o relógio, uma impaciência cruel em seus olhos. "Preciso de uma resposta até amanhã de manhã." Ele se virou para sair, dispensando-me com um aceno de mão.

"Collin", chamei, um apelo desesperado. "Por quê? Por que ela? O que ela tem que eu não tenho?"

Ele parou na porta, um sorriso fraco, quase piedoso, em seus lábios. "Ela precisa de mim, Kira. Você nunca precisou de verdade." Com isso, ele se foi, deixando-me sozinha no quarto estéril, cercada pelos fantasmas de um futuro despedaçado. Fiquei ali, entorpecida, a escolha posta diante de mim, um cálice envenenado. Minha mãe. Sempre minha mãe. Eu a protegeria, mesmo que isso significasse sacrificar o último pedaço de mim mesma. O mundo girou em seu eixo, e eu não senti nada além de uma determinação fria e dura se instalar em meu âmago. Ele achava que eu era forte. Ele não tinha ideia de quão forte eu poderia ser quando não tivesse mais nada a perder.

Na manhã seguinte, liguei para meu advogado e retirei as acusações. O suspiro de alívio de Collin ao telefone foi como um vento gelado. Ele achou que tinha vencido. Ele achou que tinha me destruído. Ele estava errado. Algo dentro de mim havia morrido, mas outra coisa, algo muito mais perigoso, havia despertado.

Então o telefone tocou novamente. Não era Collin. Era a polícia. Minha mãe. Eles a encontraram no jardim. Ela havia tirado a própria vida. Um bilhete jazia ao seu lado, rabiscado com uma mão trêmula: "Eu não suportava ser um fardo, minha querida Kira. Haylee-boo me disse... que eu te envergonho."

Haylee. Minha mãe tinha ouvido. A humilhação, a manipulação, os sussurros cruéis. Era tudo real. Collin não hesitou em usar seu poder para proteger Haylee e, ao fazer isso, assinou a sentença de morte da minha mãe. A dor me atingiu como um golpe físico, mas meus olhos permaneceram secos. As lágrimas não vinham. Minha alma parecia esvaziada, uma paisagem árida onde o amor e a esperança um dia floresceram.

Horas depois, enquanto eu olhava fixamente para o teto, meu corpo despedaçado um testemunho do meu sofrimento, meu celular apitou. Era um e-mail da YC Corp, uma concorrente feroz da Brewer Tech. O assunto dizia: "Um Novo Começo. Uma Nova Identidade. Um Novo Poder." Uma centelha de algo, frio e afiado, se acendeu na escuridão dentro de mim. Eles sabiam sobre meu avanço em IA, aquele que Collin havia descartado como "ambicioso demais". Eles sabiam do meu valor. Eles me ofereceram uma saída, uma maneira de desaparecer e reconstruir, uma maneira de me tornar algo que ele jamais esperaria. Uma maneira de fazê-lo pagar. Eles queriam que eu forjasse minha própria morte. A ideia era inebriante.

Minha visão turvou, não com lágrimas, mas com uma exaustão súbita e avassaladora. Meu corpo, já devastado, finalmente cedeu. A dor, tanto física quanto emocional, tornou-se insuportável. O quarto branco e estéril girou e depois escureceu. Acolhi a inconsciência. Era uma fuga temporária, uma pausa antes que a guerra começasse.

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