
A escrava comprada pelo príncipe
Capítulo 2
AMÉLIE
Eu vi quando Ava voltou para casa, ela parecia frustrada. O grande dia do casamento de Ava chegou e eu estou preparando junto com várias outras cozinheiras contratadas pelo Duque Vitório I, estamos aqui faz horas a senhora Alba quer tudo perfeito para o casamento da filha, ela já deixou avisado que servirei bebidas para os convidados.
Na hora que o casamento começou eu fiquei escondida para assistir, a senhorita Ava estava linda desta vez, destacando ainda mais a sua beleza, a Duquesa escolheu o vestido dela porque o que ela tinha escolhido era tenebroso, as outras mulheres do vilarejo estavam invejando-a, todas estavam disputando pelo príncipe, mas foi a senhora Ava que conseguiu fisgar ele. Eles fizeram os votos e saíram com um grande sorriso, acredito que este casamento vai ser muito próspero.
— Escrava, temos que começar a servir a comida, para de ficar vigiando o casamento, você está aqui para trabalhar. — A cozinheira estava um pouco brava.
— Sim senhora.
Eu sempre me calei e respondi “Sim, senhora” para tudo, eu sou completamente submissa porque tenho medo de ser jogada no lixo de novo, hoje eu estou com uma roupa mais apropriada, estou me sentindo uma dama de companhia pena que é só até o casamento acabar.
Servi vinho, sucos de todos os tipos, logo me entregaram bandejas com bolos, biscoitos. As pessoas cumprimentavam o lorde e a Ava que agora é uma Lady. Eu estava tão atenta observando tudo que não percebi uma mulher que vinha na minha direção dançando e esbarrou em mim, eu caí e a bandeja de bolo que eu segurava acabou caindo toda no meu rosto. — Olha por onde anda, faça seu trabalho direito. — A moça estava muito brava com o ocorrido, mas a bandeja caiu em cima de mim e não dela.
— Amélie, limpa tudo isso agora não me faça passar vergonha no casamento da minha filha.
— Mil perdões senhora, vou arrumar tudo o mais rápido possível.
Todos voltaram a dançar como se nada tivesse acontecido, no final do casamento uma carruagem buscou Ava e Vitório e os levaram para Laska, Alba estava chorando feito um bebê — Minha menina foi embora, agora eu estou sozinha nesta casa. — O senhor Gerald tentava acalmá-la dizendo que ela está com um bom homem, agora nada lhe faltará.
A casa agora parecia mais vazia, realmente a senhora Ava está fazendo falta, o quarto dela está vazio. Comecei a perceber que os olhares do senhor Gerald para mim estavam se intensificando, aquilo estava me deixando muito incomodada, às vezes ele vinha até a cozinha e ficava me observando e depois ia embora. Hoje o dia amanheceu diferente, um sentimento de medo surgiu em meu coração, fui para a cozinha fazer o café da manhã e o senhor Gerald chegou bêbado.
— Você cresceu Amélie, quando seu pai vendeu você, você era bem pequena, agora consigo ver seus seios marcando pelo vestido.
Meu coração pulou pela boca ao escutar tais palavras saindo da boca do senhor Gerald.
— O senhor está bêbado, não acha melhor descansar no seu quarto?
— Você quer mandar em mim? A escrava aqui é você.
— Desculpe senhor, não foi isso que eu quis dizer.
Meu coração começou a bater mais forte quando o senhor Gerald se aproximou de mim, apertou o meu rosto me pressionando na pia da cozinha com sua enorme barriga, sentia que eu iria desmaiar a qualquer segundo.
— Ande tire esse vestido rasgado, quero te ver.
— Senhor, por favor, eu não quero fazer isso.
— Quem manda em você sou eu.
Eu não fiz o que ele mandou, então ele tentou tirar, mas eu segurava a minha roupa com as últimas forças que eu tinha, do meu lado tinha uma garrafa de vidro, eu peguei rapidamente e bati na cabeça dele muito forte, a garrafa quebrou, ele caiu e o sangue começou a jorrar.
— Meu Deus, o que eu fiz? — Por sorte ele estava vivo, começou a se levantar de vagar e Alba chegou.
— Gerald o que houve com você? — Perguntou Alba.
— Essa escrava tentou me matar.
— Senhora não é isso o que está pensando, seu marido tentou tirar a minha…— Alba não deixou com que eu terminasse a frase e me deu um belo tapa no rosto, em seguida me encheude tapas apenas no rosto.
— Eu te dei tudo o que pude para você, você tem teto, tem comida e é assim que você me agradece?
Ela falava e me batia com socos e tapas, depois ela me puxou pelo cabelo me levando até a praça.
— Agora você vai ver como é sofrer, vou te vender para uma família que vai te tratar com uma escrava de verdade.
— Não senhora Alba, me perdoe.
Ela me colocou no centro da praça e começou a realizar um leilão com os homens que estavam lá. — Vendo essa escrava, por uma moeda de bronze.
Uma moeda de bronze? Eu me perguntava, o mais barato, estou com tanto medo.
— Dou três moedas de bronze — levantou a voz um homem velho.
— Dou dez moedas de bronze pela moça — outro homem barrigudo com os dentes amarelos, rindo olhando para o meu corpo.
— Compro a escrava por uma moeda de ouro. — Todos olharam com um olhar de surpresa, o homem estava com uma capa preta e capuz, não dava para ver seu rosto.
— Você quer dar uma moeda de ouro para uma escrava como esta, sem valor? — Perguntou incrédula a senhora Alba.
— É isso mesmo que você escutou.
— Então está vendida.
Eu comecei a clamar pela senhora Alba — Não por favor, não faça isso comigo. — O homem me puxou pelo braço me levando embora, meu coração parecia explodir de tanto medo, eu nunca conheci o mundo fora da casa da senhora Alba.
— Para onde está me levando, quem é você?
Eu perguntava sem parar e o homem não me respondia, minha respiração estava ofegante, chegamos em uma casa que era bem maior que a da senhora Alba.
— Quem é essa mulher? Um homem perguntou.
— Minha esposa.
— Sua mãe não vai gostar nada de saber disso, agora você será exilado de vez.
— Eu dei a eles a condição de escolher a mulher e eles deixaram, se eu não me casar com ela não me caso com ninguém.
Casar-se? Do que eles estavam falando, o homem me sentou no enorme sofá da sala, se aproximou do meu rosto e tirou o capuz.
ERIK
Eu decidi que na viagem de volta para casa eu iria conhecer um pouco mais dos vilarejos, mas não quero ser reconhecido senão eu não terei paz — Benny Quero parar no próximo vilarejo para comer alguma comida típica do local. — Sim senhor, estamos chegando no vilarejo Lina. — A viagem demorou alguns dias, mas tem passado tão rápido que eu nem percebi, passei a viagem toda lendo livros. — Chegamos senhor. — Coloquei minha capa, e comecei a andar pelo vilarejo, as pessoas daqui eram simpáticas e acolhedoras, o queijo deles é um dos mais gostosos que eu já comi, logo depois seguimos viagem e chegamos em Raste, coloquei o meu capuz e fui visitar o vilarejo.
Eu estou impressionado com a beleza deste lugar, o sol chegando nas montanhas me deixava deslumbrado, muitas coisas eram vendidas neste local, as mulheres daqui são realmente belas. Um barulho chamou minha atenção, uma senhora levando pelos cabelos uma escrava, eu cheguei perto para ver melhor, a moça estava com uma roupa rasgada, o rosto todo vermelho e cheia de marcas pelo corpo, o choro dela era de dar pena, os homens no local estavam rindo e se maravilhando com a situação, a mulher começou a leiloar a escrava por um valor que nenhum ser humano devesse ser vendido. A escrava era baixinha, os seus olhos eram verdes como de uma esmeralda, uma linda esmeralda triste como se tivesse sofrido por muito tempo, os homens olhavam a menina como um objeto mordendo os lábios para comprá-la, aquilo deixou meu coração apertado então eu cheguei perto e decidi comprar a menina. — Compro a escrava por uma moeda de ouro. — A escrava começou a implorar pelo perdão da senhora, como pode ela querer ficar com uma mulher que trata ela feito lixo, levei ela comigo, estou decidido, farei dela minha esposa.
Quando cheguei em casa, sentei ela no sofá, me aproximei do seu rosto e tirei o capuz.
— Príncipe? — Ela perguntou.
— Eu mesmo, em carne e osso.
— Por que diabos um príncipe se casaria com uma escrava? Me conte os seus planos.
— Não tem planos, me deu pena te ver daquele jeito, você agora não é mais uma escrava.
Os olhos verdes dela brilhavam, me fazia querer saber mais.
— O que aconteceu para você ser humilhada daquela forma?
— Eu bati na cabeça do meu senhor com uma garrafa de vidro.
— Eu te entendo, tenho certeza de que ele fez alguma coisa para você agir dessa forma.
Ela está com medo, toda vez que me aproximo sinto o som do seu coração batendo mais rápido, pedi para Benny preparar um quarto para ela, quando ela chegou no quarto ficou assustada olhando tudo, parecia criança ganhando doce.
— Tem certeza de que este quarto é para mim senhor? — Perguntou a moça.
— Me chama de Erik, este é seu quarto até amanhã, vamos sair bem cedo, toma um banho e desce para o jantar.
— Tomar banho naquela banheira?
— Claro, não sabe? Quer ajuda com isso?
— Não. — Ela ficou toda vermelha.
— Não precisa ficar com vergonha, eu estou brincando, vou deixar umas roupas minhas para você usar, amanhã compro algumas roupas para você.
Fui ao meu quarto pegar alguma roupa que coubesse nela, minhas roupas são gigantes vou levar meu terno de reis, sei que é impróprio uma mulher usar tais roupas mas eu não tenho escolha agora, entrei no quarto e quando abri a porta ela estava de costas completamente nua, eu sei que era errado olhar mais meus olhos não conseguia se desviar de tal beleza, ela não escutou o barulho da porta abrir, sua cintura é tão fininha, ela entrou na banheira toda desengonçada dava para perceber que ela nunca entrou em uma, deixei a roupa em uma mesa de madeira que tinha perto da porta e sai, aquela visão me fez lembrar que faz tempo que não vejo uma linda mulher nua.
Ela desceu e veio para sala de jantar, o terno cobria o corpo dela por inteiro, o rosto dela agora sem sujeira, cabelo molhado com um lindo dourado escuro, a boca dela rosada estava tão aparente para mim.
— Eu não posso me sentar aqui príncipe, sou apenas uma escrava.
— Você agora é a futura princesa de Armir, se meus pais aprovarem é claro.
— Eu não acho que eles vão aprovar isso — disse Benny com muita certeza.
Eu sei que vai ser difícil fazer com que os meus pais aceitem, mas se eles não aceitarem eu não me caso com mais ninguém, não suporto as mulheres que eles arranjam para mim.
— Qual seu nome? — Perguntou o príncipe.
— Amélie.
Ela pegou os talheres errado, não conseguia cortar a carne, — Eu corto para você. — Cortei para ela, que me olhou profundamente nos olhos.
— Por que quer se casar comigo? — Perguntou Amélie.
— Meus pais querem me forçar a me casar com alguém que eu não quero, prefiro alguém que eu escolha, e você não precisa ter nada comigo se não quiser, pode ser minha amiga.
— Senhor, você não pode ter amigas, o reino precisa de herdeiros.
— Benny não se meta nos meus assuntos. Já que terminamos de comer vamos subir para dormir, amanhã teremos uma viagem longa.
Benny comprou algumas roupas para Amélie e depois seguimos viagem para o Vilarejo Ouro, ela estava sentada comigo na carruagem, ela ficava observando os livros que eu estava lendo.
— Quer ler algum?
— Eu não sei ler senhor.
Eu já imaginava que ela não soubesse ler, seus olhos se desviaram para a janela da carruagem observando as lindas paisagens, a carruagem bateu em um buraco ela caiu em cima de mim, seu rosto estava quase na minha boca.
— Desculpa por isso, meu senhor.
— Já falei para parar de me chamar assim.
— Desculpa Erik.
— Senhor chegamos em Ouro, quer descer?
Vendo a curiosidade dela pelo lugar, decidi descer, — Vamos sim Benny. — Ele deixou a carruagem em um lugar mais escondido para ninguém ver a gente chegando, coloquei meu capuz e coloquei um nela também, vamos tomar cuidado para ninguém te ver.
— Nossa aqui é tão lindo, tem tantas joias que eu nunca vi algo assim. — Amélie estava deslumbrada com tudo o que ela via.
— Você quer algum presente daqui?
— Não, eu não posso aceitar, deve ser tudo tão caro.
Eu comprei mesmo assim uma pulseira para ela de esmeralda, as cores combinam perfeitamente com a cor dos seus olhos, ela ria intensamente com tudo que ela olhava, a curiosidade dela me fazia querer levar ela em todos os lugares de Ouro.
— Olha isso Erik uma pedra em formato de cavalo.
— Eu estou vendo.
Ela é muito inocente, deve ter passado por muitas coisas ruins ao longo da vida, mostrar tudo para ela estava sendo legal mas temos que voltar, preciso chegar o quanto antes no castelo.
— Amélie precisamos voltar agora.
— Eu adorei este lugar, espero vir aqui de novo.
O que ela não sabe é que depois de casada terá que visitar estes lugares diversas vezes. Estávamos quase chegando no Reino, e Benny precisou parar porque o rio que precisamos atravessar está cheio, parece que vamos ter que passar a noite aqui.
AMÉLIE
O príncipe estava olhando bem de perto para mim, mais perto do que eu podia imaginar, aqueles olhos azuis mar são realmente bonitos, mas eu esposa de um príncipe? Ele só pode estar louco. Essa foi a primeira vez que visitei o Vilarejo de Ouro, este lugar esbanja riqueza, nunca imaginei que eu estaria aqui, a carruagem parou.
— Vamos ter que passar a noite aqui, por sorte os bancos da carruagem viram cama, eu vou dormir lá fora com Benny e você pode ficar aqui.
— Não, pode ficar, eu que deveria ir dormir lá fora.
— Jamais faria uma dama dormir no frio da noite.
— E eu jamais poderia fazer um príncipe dormir no frio da noite.
— Então podemos dormir os dois juntos aqui, o que acha?
— Por mim tudo bem.
Deitamos os dois juntos lado a lado, estávamos com os olhos abertos nos observando.
— Eu vou me deitar para o outro lado.
Tive que virar porque não aguentava olhar para aqueles olhos penetrantes. Quando eu o acordei ele ainda estava dormindo, o cabelo loiro estava caindo pelo seu rosto, fui tirar uma mecha que estava por cima dos seus olhos, na hora que eu o toquei ele segurou meu braço.
— É melhor você não me tocar porque eu não sei o que sou capaz de fazer.
Eu não entendi o que ele quis dizer com isso, conseguimos atravessar o rio, algumas horas depois chegamos em um grande portão de prata, guardas reais abriram o portão assim que o príncipe Erik deu o sinal, quando descemos da carruagem fiquei impressionada com a imagem do lindo castelo que estava bem na minha frente, era enorme maior do que tudo que já vi na minha vida entramos, vários guardas estavam na porta esperando nossa entrada, um senhor com uma linda coroa de ouro com pedras brilhantes e uma senhora com uma linda coroa de pedras brancas nas quais eu não sei onome, esperavam a gente na porta, assim que nos aproximamos o suficiente para ver nossos rostos a senhora olhou pra mim e desmaiou, o príncipe preocupado correu.
— Mamãe, mamãe…
As damas de companhia colocaram um algodão com álcool no seu nariz e ela se levantou.
— Erik, o que isso? — A rainha perguntou quase matando o príncipe.
— É a minha esposa, lembra do que a gente combinou?
— É claro que eu lembro, mas você disse que iria trazer uma Duquesa ou Lady, o que você trouxe uma? Uma dama de companhia?
— Não senhora, eu sou uma escrava — disse Amélie inocentemente. — O príncipe olhou para ela balançando a cabeça.
— Uma escrava? — Perguntou a rainha, desmaiando novamente.
A rainha acordou incrédula com que ela estava escutando, o rei parecia não se importar muito com a minha imagem, mas não sei se isso faria ele aprovar esse casamento.
— Erik, a moça é bonita e você está se deixando levar por isso, mas nem eu e nem a sua mãe podemos aceitar o nosso filho casado com uma escrava.
— Eu já disse que se não for com quem eu escolher não vai ser com mais ninguém.
A rainha acordou mais uma vez, me olhou atentamente e mandou uma de suas damas de companhia me levar até um quarto do reino, o quarto era três vezes maior do que o quarto que eu estava no vilarejo.
— Você precisa de um banho.
— Eu tomei banho ontem rainha — disse Amélie.
— Aqui você precisa tomar banho todos os dias.
— Sim senhora, onde eu morava antes eu não podia tomar muitos banhos.
— Essa é Wanda, agora ela será sua dama de companhia.
— Eu não preciso senhora, eu sei fazer tudo sozinha.
— Faça o que eu mando.
A dama de companhia estava tentando tirar as minhas roupas.
— O que você está fazendo? — Perguntei
— Você precisa tomar banho e trocar as suas roupas. — Eu posso fazer isso sozinha.
— É o meu dever ajudar a senhorita.
Não adiantava criticá-la, mesmo assim ela tirou as minhas roupas, eu entrei na banheira e ela começou a passar uma esponja nas minhas costas, a água tinha um cheiro muito bom. Ela colocou em mim um vestido enorme, mangas gigantes, e puxava as cordas atrás do vestido até eu ficar sem ar.
— Eu vou puxar bem o corset para você ficar bonita.
Em seguida descemos para jantar, a mesa era enorme com várias cadeiras, o príncipe me chamou para sentar-se do lado dele, o rei estava sentado na ponta, do outro lado da mesa estava a rainha e um homem.
— Muito prazer em conhecê-la, eu sou Valark Rocher, irmão do futuro rei de Armir, qual o seu nome?
— Meu nome é Amélie.
— Sobrenome?
— Eu não tenho sobrenome.
— Seu irmão trouxe uma escrava para se casar — reclamo a Rainha.
— Nossa, irmão você é realmente muito estranho, sabe que a união de um príncipe e uma princesa é a forma mais importante de unir riquezas.
— Mas eu não me importo com isso, não vou me casar com quem a minha mãe escolheu.
A comida chegou e eu não sabia cortar a carne, eu estava morrendo de vergonha, Erik vendo a minha situação cortou a carne para mim.
— Parece que você precisa ter aulas de etiqueta, senhorita Amélie, amanhã você começa.
— Sim senhora rainha.
— Até que você é bonita, acho que foi por isso que meu irmão te escolheu.
— Cala a boca Valark — disse Bravo o príncipe Erik.
O dia começou e a dama de companhia está colocando em mim essas roupas apertadas de novo, acho que vou ter que usar isso todos os dias, desci pelas enormes escadas do castelo fui para o lado de fora sentir a brisa fresca, o jardim daqui é realmente muito grande, de longe pude ver o príncipe sentado lendo, resolvi me aproximar.
— O que você está lendo?
— Nossa você me assustou, estou lendo um livro de história sobre o passado do reino, preciso aprender isso para se tornar um bom rei.
— Nossa que legal, gostaria muito de um dia poder ler isso também.
— Você quer que eu te ensine a ler?
— Sim, eu adoraria.
O príncipe começou a me mostrar as letras, e me mandava repetir cada uma delas, na hora de formar as sílabas estava um pouco complicado.
— Faz assim, fecha um pouco a boca para conseguir pronunciar a vogal. — O príncipe mostrava como eu deveria fazer apertando as minhas bochechas, ele estava bem pertinho do meu rosto, na hora de virar as páginas nossas mãos se tocaram, eu senti uns arrepios que eu nunca senti na vida.
— Você aprende rápido futura rainha.
— Eu não acho que serei a futura rainha.
— Eu farei o possível para te tornar uma.
Ele ficou me ensinando várias palavras e os seus significados. Nossos olhos se encontraram, ficamos nosolhando por alguns minutos até que fomos atrapalhados com a rainha me chamando.
— Não era para você estar aqui, você precisa aprender muitas coisas, venha comigo.
— Desculpa, senhora rainha.
A rainha me sentou em uma mesa, com vários talheres, foi trazendo comidas diferentes e ensinando cada uma delas, eu realmente não entendo por que não posso usar o mesmo talher para tudo.
— Você errou de novo, preste atenção — disse a rainha Judite gritando.
— Desculpa senhora. — As lágrimas estavam escorrendo pelo meu rosto.
— Por que você está chorando?
— Eu sei que não sou ninguém, apenas uma escrava, eu nãonasci para isso não sei porque o príncipe me escolheu, eu não tenho potencial nenhum.
— É nisso que você quer acreditar?
— Como não posso acreditar nisso? Meus pais me venderam quando eu era apenas uma criança.
— A vida não é fácil para todo mundo, mas você está tendo a oportunidade de ser a rainha mais importante de todos os reinos e você vai simplesmente jogar fora porque se sente uma fraca?
— Mas foi isso que eu escutei a vida toda.
— Então mostra para essas pessoas que elas estavam erradas, se você realmente quer ser uma rainha de respeito precisa se impor, se você não fizer isso então entenderei que você não é para o meu filho.
Eu limpei as lágrimas do meu rosto e comecei a fazer tudo o que a rainha mandava eu fazer, ela colocou um enorme livro na minha cabeça e me ensinou a andar, eu caia todas as vezes que eu tentava.
— Pode ir descansar agora, amanhã você terá aulas de francês, e de arranjo de flores, evita ficar com o príncipe sozinha para evitar falácias.
— Sim senhora rainha.
As aulas de francês são longas e chatas, eu não sei por quepreciso aprender outra língua, depois das aulas de francês fui levada para aprender a fazer arranjos de flores, confesso que adoro as flores, tinham outras moças comigo.
— Amélie, essas moças são filhas de Duques, espero que você aprenda alguma coisa com elas.
— Sim senhora rainha.
— Você é nova aqui?
— Sou sim, não entendo nada de arranjo de flores, meu nome é Amélie é o seu?
— Eu sou Vic, meu pai é Duque, ele quer que eu aprenda a fazer buquês, escrever com perfeição para conquistar o coração de um dos príncipes, se fosse o futuro rei seria melhor ainda, eles ainda não anunciaram se ele encontrou alguém.
— Você é muito bonita Vic, acredito que conquistaria o coração do rei se quisesse.
— E você, o que está fazendo na casa de sua majestade, acredito que seja algum membro da família real.
— Sou apenas uma visitante.
Eu não me senti à vontade para dizer que o príncipe me comprou e me quer como sua esposa, ela faz arranjos tão bonitos que sinto vergonha de ser uma escolha do príncipe.
— Amélie, está vendo como as meninas estão escolhendo as flores perfeitamente, quero que faça do mesmo jeito.
— Sim senhora rainha.
— Fica tranquila, a minha primeira vez também foi terrível, logo você pega prática.
Vic é uma pessoa maravilhosa, ela me ajudou nos meus arranjos, depois de horas fazendo isso finalmente a aula terminou, não sabia que se casar seria tão difícil.
— Amélie, amanhã terá aula de costura.
Eu preciso de ar fresco, minha cabeça está doendo, as árvores que ficam depois do jardim são todas linda, entrei em um bosque com grandes árvores que me chamaram atenção e me fizeram adentrar mais ainda, encontrei rosas espinhosas pelo caminho, até que cheguei em um grande riacho com muitas pedras, coloquei o pé na água e ela estava um pouco gelada, é verão e eu nunca entrei em um riacho antes. Fui jogando minhas roupas pelo chão, o vestido era difícil de tirar,mas eu consegui, tirei os sapatos e entrei na água, ô céus a água estava tão maravilhosa, eu podia sentir as pedras debaixo dos meus pés. Depois daquele belo banho eu saí da água e comecei a colocar a minha roupa, coloquei os sapatos… escutei um barulho vindo das árvores. — Quem está aí? —Perguntei morrendo de medo.
— Calma, não precisa ficar com medo, sou eu.
— Erik, o que faz aqui?
— Estou acostumado a caçar por esses lados da floresta, e você o que faz aqui sozinha?
— Eu acabei chegando aqui por acaso e decidi entrar na água, você não está aqui a muito tempo, né?
— Não, eu acabei de chegar, escutei um barulho e vi você aí sentada, seu vestido está desamarrado atrás, quer ajuda?
— Se não for um incomodo, pode me ajudar.
O príncipe chegou por trás de mim, pegou as linhas gentilmente e puxou, mas desta vez diferente da Dama de companhia, o aperto dele é bom, eu não sei explicar o que estou sentindo agora, sinto a respiração ofegante dele no meu pescoço, fica mais forte com cada puxada.
— Pronto amarrei.
— Obrigado.
— Seu cabelo está muito molhado, se minha mãe vê vai ficar brava com você, melhor você sentar e esperar um pouco o vento secar.
— Você está certo, farei isso.
— Tenho um pano aqui me deixa secar seu cabelo.
Ele jogou o pano em cima da minha cabeça e começou a secar, o pano deslizava sobre o meu pescoço, descia para os meus braços e voltava.
— Eu secaria suas pernas também, mas sei que é impróprio, por isso não farei.
Estou sentindo uma sensação estranha por debaixo do meu vestido que me faz querer dizer sim, passe seu pano nas minhas pernas.
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