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Capa do romance A Cunhada, Meu Inferno

A Cunhada, Meu Inferno

No dia do altar, meu casamento virou um pesadelo. Caio, meu noivo, me abandonou diante do padre para socorrer Camila, sua cunhada grávida. Ele a tratou como prioridade máxima, alegando ser seu dever honrar o irmão falecido. Mesmo arrasada, aceitei suas promessas de amor e tentativas de reconciliação. No entanto, ao chegar em nossa futura casa, percebi a amarga verdade: as malas dela já estavam lá, ocupando o espaço que deveria ser meu.
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Capítulo 3

Alícia levantou-se lentamente, um sorriso amargo tocando seus lábios. Ela pegou a foto da mão dele e a ergueu para que ele visse claramente.

— Você é arquiteto, Caio. Você é bom com plantas e projetos. O que isso parece para você?

Seus olhos se arregalaram quando ele finalmente processou a imagem. Ele viu a pequena forma enrolada. O vislumbre de uma vida. Ele olhou da foto para ela, sua boca abrindo e fechando, mas nenhuma palavra saiu. Ele parecia completamente perdido.

Ela não esperou por sua resposta. Passou por ele para a sala de estar e sentou-se no sofá, de costas para ele. O couro frio parecia aterrador.

Ele a seguiu, seus passos hesitantes. Podia sentir uma parede entre eles, espessa e fria. Isso o aterrorizava.

— Alícia — disse ele, a voz mal um sussurro. Ele se ajoelhou ao lado do sofá, tentando encontrar o olhar dela. — Me desculpe. Sinto muito, muito mesmo. Por favor, não seja assim. Fale comigo.

Ele alcançou a mão dela, seu toque um apelo desesperado.

Nesse exato momento, a porta da frente se abriu.

Camila entrou, envolta em um dos caros casacos de caxemira de Caio. Ela estava sorrindo, as bochechas coradas.

— Caio, querido, esqueci minha bolsa — ela cantarolou. Parou quando os viu, seus olhos captando a cena. Seu sorriso vacilou para um olhar de preocupação. — Oh. Estou interrompendo alguma coisa?

Sua pergunta foi uma performance perfeita de inocência.

Caio parecia encurralado, dividido entre a mulher que amava e a mulher a quem estava ligado pela culpa.

Os olhos de Camila se encheram de lágrimas. — Sinto muito. Sei que sou um fardo. É que... se meu marido ainda estivesse aqui... — Ela deixou a frase no ar, uma obra-prima de chantagem emocional.

O rosto de Caio se contraiu de dor. Ele olhou para Alícia, sua expressão uma mistura de desculpa e desamparo.

— Alícia — ele começou, a voz tensa. — Você pode... esperar aqui por mim? Vou levá-la para casa e volto logo.

Alícia olhou para ele, o rosto uma máscara em branco. — Tudo bem — disse ela. Sua voz estava calma, tão calma que era arrepiante.

A calma dela o perturbou mais do que qualquer gritaria poderia. Ele hesitou, sentindo um profundo pressentimento.

— Volto em uma hora. Prometo — disse ele, como se isso pudesse consertar alguma coisa.

— Tudo bem — ela repetiu. Ela virou a cabeça e puxou um cobertor sobre si, escondendo o rosto dele.

Ele saiu. Ela ouviu seus passos, depois os de Camila, se afastando. A porta da frente se fechou com um clique. A casa ficou em silêncio.

No momento em que o silêncio se instalou, a calma se quebrou. Uma onda de agonia, aguda e feroz, rasgou seu abdômen. A dor de sua queda, do aborto espontâneo, voltou com força total.

Ela ofegou, encolhendo-se em uma bola no sofá. Tentou pedir ajuda, mas sua garganta estava apertada. O único nome que veio a seus lábios foi um sussurro quebrado.

— Caio.

Lá fora, ela ouviu a risada leve e feliz de Camila enquanto entravam no carro. O som foi uma reviravolta final e cruel.

Ela se lembrou de uma vez em que Caio cuidou dela assim. Quando ela teve um simples resfriado, ele ficou acordado a noite toda, abraçando-a, fazendo chá para ela. Aquele homem se fora. Seu amor, seu cuidado, tudo pertencia a outra pessoa agora. Pertencia à sua esposa. Sua esposa de verdade.

A percepção foi o golpe final. A dor, tanto física quanto emocional, era demais. Seu corpo cedeu, e ela mergulhou na inconsciência.

Ela sonhou que estava flutuando em um espaço escuro e frio.

Quando acordou, Caio estava sentado ao lado de sua cama, o rosto gravado de preocupação. Ele a havia carregado até ali.

— Alícia, você acordou — disse ele, o alívio inundando sua voz. — Você me assustou. Deve ter pegado um resfriado. Você está um pouco quente.

Ela quase riu. Um resfriado. Ele achava que ela tinha um resfriado.

— Você terá um grande futuro com ela — disse Alícia, a voz vazia. — Ela é muito boa em cuidar das pessoas.

Ele não percebeu o sarcasmo. Sorriu, aliviado por ela estar falando com ele. — Ela é. É uma boa pessoa. — Ele apertou a mão dela. — Mas é com você que eu quero construir um futuro. Deveríamos começar a tentar ter um bebê em breve. Um menininho ou uma menininha para encher esta casa grande.

Seu corpo ficou rígido. O ar em seus pulmões se transformou em ácido. Um bebê. Ele queria um bebê com ela, depois de ter acabado de matar o deles.

— Estou cansada — disse ela, afastando a mão. — Quero descansar.

Ele pareceu magoado, mas assentiu. — Tudo bem. Vou deixar você dormir. — Ele se inclinou e beijou sua testa. O toque de seus lábios em sua pele parecia uma marca de ferro. Então ele saiu, fechando a porta suavemente atrás de si.

Ela não dormiu. Ficou ali, olhando para o teto, repassando cada mentira, cada traição. Pensou em seu filho perdido, um fantasma que ela carregaria para sempre.

Mais tarde, incapaz de suportar o confinamento do quarto, ela se levantou e saiu para o ar frio da noite no quintal. Precisava respirar.

Ela encontrou Camila perto da piscina, uma silhueta ao luar.

Alícia se virou para voltar para dentro, mas a voz de Camila a deteve.

— Espere.

Camila caminhou em sua direção, seus passos surpreendentemente rápidos para uma mulher grávida. — Alícia. Precisamos conversar.

— Não temos nada para conversar — disse Alícia, a voz fria.

— Ah, mas temos sim — disse Camila, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. — Caio te ama. Eu sei disso. Mas ele tem um dever para comigo e para com este bebê. O bebê do irmão dele.

Seus olhos brilharam no escuro. — Não estou pedindo para você ir embora. Estou apenas pedindo para você aceitar o seu lugar. Seja a amante dele. Eu serei a esposa dele. Todos nós podemos conseguir o que queremos.

A mente de Alícia girou. A audácia daquilo. A pura crueldade sociopata. Ela pensou em seu próprio bebê, aquele que nunca nasceria. Pensou neste bebê, aquele que Camila estava usando como escudo e espada.

Uma estranha sensação de paz se instalou sobre ela. Era a paz de uma decisão final.

— Você está certa — disse Alícia, a voz uniforme. — O bebê é a coisa mais importante.

Camila olhou para ela, um lampejo de suspeita em seus olhos. Ela não confiava nesse acordo fácil.

— Fico feliz que você veja as coisas dessa forma — disse Camila lentamente.

Para selar sua vitória, para provar seu poder, Camila deu um passo mais perto. Ela agarrou o braço de Alícia, seu aperto surpreendentemente forte.

— Então você vai entender por que não posso mais ter você chateando o Caio.

E então, em um movimento tão rápido e calculado que foi aterrorizante, Camila deixou seu corpo amolecer, puxando Alícia para fora do equilíbrio. Ela tropeçou para a frente, sua outra mão se agitando, e soltou um grito agudo enquanto caía para trás na piscina.

— Socorro! Caio, me ajude! Ela me empurrou!

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