Capa do romance A Cunhada, Meu Inferno

A Cunhada, Meu Inferno

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No dia do altar, meu casamento virou um pesadelo. Caio, meu noivo, me abandonou diante do padre para socorrer Camila, sua cunhada grávida. Ele a tratou como prioridade máxima, alegando ser seu dever honrar o irmão falecido. Mesmo arrasada, aceitei suas promessas de amor e tentativas de reconciliação. No entanto, ao chegar em nossa futura casa, percebi a amarga verdade: as malas dela já estavam lá, ocupando o espaço que deveria ser meu.

A Cunhada, Meu Inferno Capítulo 1

As portas da igreja se abriram e o dia do meu casamento se estilhaçou.

Meu noivo, Caio, virou-se para longe de mim no altar, seus olhos fixos em sua cunhada grávida, Camila.

Ele a conduziu pelo corredor como se ela fosse a noiva, me deixando para trás, uma estátua de renda branca.

Ele implorou para que eu ficasse, prometendo seu amor, alegando um dever para com seu irmão falecido.

Tola, eu acreditei nele, apenas para encontrar as malas de Camila já em nossa nova casa.

Capítulo 1

As portas da igreja se abriram.

A luz do sol entrou, capturando os grãos de poeira que dançavam no ar. Por um instante, foi lindo.

Então Alícia Dantas viu a figura parada na entrada, recortada contra a luz. Era uma mulher, também em um vestido branco. Uma mulher muito grávida.

Era Camila Viana, sua cunhada. Sua cunhada viúva e grávida.

Um murmúrio percorreu os convidados. A mão de Alícia, segurando o buquê, tremeu. Ela olhou para o homem ao seu lado no altar, seu noivo, Caio Sampaio.

O rosto dele ficou pálido como cera. Seu sorriso desapareceu.

Seus olhos estavam cravados em Camila.

Sem uma palavra para Alícia, Caio se virou e desceu o corredor. Ele não correu, mas cada passo estava cheio de um propósito que arrancou o ar dos pulmões de Alícia. Ele caminhou direto para Camila.

Ele a alcançou, pegou seu braço com delicadeza e começou a conduzi-la pelo corredor como se ela fosse a noiva. Os convidados olhavam, seus sussurros cada vez mais altos. Alícia ficou sozinha no altar, uma estátua de renda branca. O buquê pareceu pesado, depois inútil.

Caio levou Camila até o primeiro banco, reservado para a família. Ele a acomodou, sua mão demorando em seu ombro. Ele a olhou com uma expressão de profunda e dolorosa preocupação.

Então, alguém na multidão, um amigo da família Sampaio, começou a aplaudir.

— Isso mesmo, Caio! Cuidando da viúva do seu irmão!

Os aplausos se espalharam, uma onda de validação por sua atitude. Eles viam um herói, um homem honrando seu irmão morto. Alícia via apenas o homem que acabara de estilhaçá-la publicamente. Ele estava sendo celebrado por sua humilhação.

Ela se virou e caminhou em direção à porta lateral da igreja. Não conseguia respirar ali. Precisava sair. Aquele casamento, aquele matrimônio, tinha acabado antes de começar.

Ela ouviu os passos dele atrás dela, rápidos e desesperados desta vez.

— Alícia, espere!

Caio agarrou seu braço, virando-a. Seus olhos estavam selvagens, suplicantes.

— Não vá. Por favor.

— Me solta, Caio. — Sua voz era vazia. Morta.

— Não posso! Não posso te perder. — Ele fez a única coisa que sabia que ela não conseguiria combater. Ele caiu de joelhos, bem ali no chão polido. Ele se agarrou à mão dela, a cabeça baixa. — A culpa é minha. Meu irmão... ele morreu me salvando. Eu devo a ela. Eu devo ao filho dele. Por favor, Alícia. Não me faça escolher.

Ele estava chorando. Seus ombros tremiam. Ele parecia patético e quebrado, e ela odiava que ainda amava o homem que ele deveria ser. Sua determinação vacilou. A imagem do irmão dele, corajoso e partido cedo demais, brilhou em sua mente.

— Eu te amo, Alícia — ele sussurrou, a voz embargada pelas lágrimas. — Eu juro, é só você. Só... só me dê tempo para fazer o certo por ele. Pela memória dele.

Ele era um mestre em usar sua culpa como arma. Explicou que Camila estava frágil, perdida, sem ter para onde ir. Disse que era seu dever, sua penitência por ter sobrevivido quando seu irmão não sobreviveu.

E como uma tola, Alícia acreditou nele. Ela escolheu confiar na promessa em seus olhos em vez da traição que acabara de testemunhar. Ela o deixou levá-la de volta para a frente da igreja, seu coração uma pedra fria e pesada no peito.

Eles terminaram a cerimônia. O beijo foi oco.

O verdadeiro choque veio quando voltaram para sua nova casa. As malas de Camila já estavam no quarto de hóspedes.

— Ela vai ficar com a gente — Caio anunciou, não como uma pergunta, mas como um fato.

— Caio, acabamos de nos casar. Esta é a nossa casa.

— Ela não tem ninguém, Alícia! Ela está carregando o filho do meu irmão. Não posso simplesmente jogá-la na rua. É só até o bebê nascer. — Ele a olhou com aquela mesma expressão suplicante e culpada. — Por favor. Por mim.

Então ela suportou.

Os meses seguintes foram um inferno silencioso e insidioso. Camila interpretava perfeitamente o papel da viúva desamparada e enlutada. Precisava de um copo d'água no meio da noite, e só Caio podia pegar. Tinha um desejo por alguma comida exótica, e Caio dirigia pela cidade à meia-noite para encontrá-la.

Alícia ficava sentada na sala de estar, um fantasma em sua própria casa, enquanto Caio massageava os pés inchados de Camila. Eles conversavam em voz baixa, compartilhando memórias de seu irmão, um mundo do qual Alícia era deliberadamente excluída.

Uma noite, Alícia estava em um jantar formal da empresa de Caio. Estava sentada na mesa principal quando o telefone de Caio tocou. Era Camila.

— Minhas costas doem — Camila choramingou suavemente no viva-voz, sua voz alta o suficiente para a mesa ouvir. — Caio, estou com tanto medo. E se algo estiver errado com o bebê?

Caio desapareceu em um instante, deixando Alícia para enfrentar os olhares simpáticos e piedosos de seus colegas. Ele a deixou para dar desculpas por ele, para fingir que aquilo era normal, que ela não estava sendo lentamente apagada.

Então, uma manhã, tudo mudou. Uma onda de náusea atingiu Alícia, e uma esperança frágil e aterrorizante floresceu em seu peito.

Ela estava grávida.

O teste deu positivo. Por um momento, a alegria eclipsou todo o resto. Esta era a resposta. Isso os consertaria. O próprio filho deles. Uma razão para Caio finalmente ver o que era real, para finalmente escolhê-la.

Ela planejou contar a ele naquela noite, fazer um jantar especial. Chegou em casa mais cedo, o coração leve pela primeira vez em meses.

Ela parou no corredor. Ouviu vozes do quarto principal. O quarto deles.

— Oh, Caio, bem aí — Camila gemeu, um som de puro prazer. — É tão bom.

O sangue de Alícia gelou. Ela empurrou a porta.

Camila estava deitada na cama deles, a blusa levantada, sua barriga de grávida exposta. Caio estava ajoelhado ao lado dela, passando óleo em sua pele. Suas mãos se moviam em círculos lentos e íntimos.

— Que porra você está fazendo? — A voz de Alícia era um sussurro rouco.

Caio saltou para trás, o rosto uma máscara de culpa. — Não é o que parece. Ela estava com estrias. O médico disse que óleo ajudaria.

A desculpa era tão absurda, tão insultuosa, que quebrou algo dentro dela.

— Tire ela da nossa cama, Caio. Tire ela da nossa casa.

— Alícia, não seja assim — ele começou, sua voz assumindo um tom cansado e paternalista.

— Eu quero ela fora. Agora. — A voz de Alícia se elevou, tremendo com uma raiva que ela não sabia que possuía. — Eu não vou mais viver assim.

Ela se virou para sair, para fazer uma mala, para fugir do veneno daquela casa.

Caio se moveu para bloquear seu caminho. — Podemos conversar sobre isso.

— Não há nada para conversar! — ela gritou, tentando passar por ele.

— Alícia, pare! — ele gritou, agarrando seus ombros.

Da cama, Camila soltou um pequeno suspiro teatral. — Caio, minha barriga... está doendo.

A cabeça de Caio se virou bruscamente. Seu foco mudou instantaneamente de Alícia para Camila. Ele via Alícia como a ameaça, a fonte do problema.

— Olha o que você fez! — ele rosnou para ela. Ele a empurrou, com força, para tirá-la de seu caminho.

Alícia tropeçou para trás, seu calcanhar prendendo no tapete. Ela caiu, seu lado batendo na quina de uma cômoda de madeira com um baque surdo antes de desabar no chão.

Camila sentou-se na cama, o rosto pálido e a mão na barriga. — Caio, acho que estou bem. Me desculpe, Alícia. Não queria causar problemas.

Caio nem olhou para Alícia no chão. Ele correu para a cama, o rosto gravado de pânico. — Tem certeza? Dói em algum outro lugar?

Ele pegou Camila nos braços, aninhando-a como se fosse feita de vidro. Ele a carregou em direção à porta, seus passos firmes e rápidos.

Ao passar, Alícia olhou para cima do chão. Seus olhos se encontraram por uma fração de segundo. Os dele estavam frios, acusadores.

E por cima do ombro dele, os olhos de Camila encontraram os dela. O falso olhar de preocupação havia desaparecido. Em seu lugar, havia um brilho de pura e triunfante vitória. Um pequeno sorriso cruel brincava em seus lábios.

Então eles se foram.

Uma dor aguda e lancinante tomou o abdômen de Alícia. Era uma sensação viciosa, como uma faca se torcendo. Ela olhou para baixo. Uma mancha escura se espalhava pelo tecido claro de seu vestido.

Sangue.

— Caio — ela sussurrou, sua voz um apelo fraco e desesperado. O som foi engolido pelo corredor vazio. Ele não podia ouvi-la. Ele já tinha ido embora.

Ela sentiu o calor se espalhar entre suas pernas, uma maré de perda.

— Caio — ela chamou novamente, mais alto desta vez, um soluço preso na garganta. — Caio, por favor!

A única resposta foi o som do carro dele dando partida na garagem e acelerando para longe.

Sua visão começou a embaçar. A última coisa que se lembrava era a sensação do carpete contra sua bochecha e o cheiro fraco e doce do óleo que ele estava passando na pele de Camila. A memória do primeiro encontro deles, dele prometendo o mundo a ela, brilhou por trás de seus olhos antes que tudo ficasse preto.

Ela acordou em um quarto de hospital branco e estéril. O mundo estava nebuloso e silencioso. Um médico com olhos gentis e tristes lhe disse o que ela já sabia em seus ossos.

O bebê se fora.

Uma dormência oca e dolorosa se instalou sobre ela. Era uma dor tão profunda que era silenciosa.

— Posso ver? — ela perguntou, a voz rouca.

A enfermeira hesitou, depois assentiu. Eles lhe trouxeram uma pequena foto clínica. Uma ultrassonografia. Um pequeno e cintilante fantasma de uma vida que deveria ser deles.

Ela olhou para aquilo por um longo, longo tempo. Era tudo o que lhe restava.

E naquele momento, ela soube. Não haveria mais chances. Não haveria mais perdão.

Ela não contaria a Caio. Ele não merecia lamentar por um filho que ele ajudou a matar. Ele não merecia saber que ele sequer existiu.

Mas ela se certificaria de que ele recebesse um presente. Algo para se lembrar dela.

Ela colocou cuidadosamente a foto da ultrassonografia em uma pequena e elegante caixa de presente que comprara para o aniversário dele. Um lembrete permanente do que ele havia jogado fora.

Então, com uma determinação forjada no poço mais profundo da traição, ela pegou o telefone. Rolou por seus contatos até um nome que havia bloqueado meses atrás, um nome do qual Caio sempre tivera ciúmes, um nome que agora parecia sua única tábua de salvação.

Bruno Sampaio.

Ela apertou o botão de chamada.

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