
A babá virgem da bebê do viúvo
Capítulo 2
RAFAEL A loira de peitos enormes, a bunda nem tanto, está de quatro no meio de uma cama com lençóis brancos. O ambiente é todo em tons neutros, o que torna a cena mais sedutora e puxa todo o foco de quem vê e vai se excitar para o casal. Nada além do casal. O homem negro tem mais de dois metros de altura e um pau monstro. Sim, o meu trabalho engloba manjar a pica de outros. Já fiz tanto isso que não é algo que me deixa particularmente sensível. Ele se posiciona de joelhos atrás da mulher, que não é tão bonita, assim como a maioria na indústria não é, e começa a passar a cabeça da rola entre as dobras gordas da boceta que não fodi porque não quis. Amber Picoli, assim como as outras do cast, tentou com afinco uma noite comigo, mas eu, seletivo até na hora de escolher as transas de uma noite, tenho a máxima de que onde se ganha o pão não se come a carne. É claro que já comi e fui contra as minhas próprias regras, mas, hoje em dia, aos quarenta e dois anos, procuro bocetas que não me fazem questionar se os gemidos não são encenação. Algo supervalorizado para conseguir o passe para uma segunda noite. Simon Arturo, nome artístico, porque todos eles usam, como a direção pede, soca seus vários centímetros na boceta da loira, que geme alto demais e empina a bunda mais para trás. Do lado de fora do estúdio, através do vidro, observo a cena com o olhar crítico de um diretor, que hoje não exerce a função. — Assim, gostoso, soca esse pauzão todinho na minha boceta — Amber fala com uma voz safada e gemida. A cena está perfeita, eu olho para o meu colo e nada. O meu membro está mortinho. Abro um sorriso de canto, dando-me conta mais uma vez de que estou curado do tesão juvenil. Lembro-me de como no início era difícil não sentir tesão, não ficar duro vendo casais e trios fodendo de todas as formas possíveis. — Eu vou gozar, porra! Vou gozar! — A loira grita no final da cena, cuja maior parte aconteceu enquanto eu estava perdido em devaneios. Eu não sou de agir assim, mas hoje o dia está estranho. Não sei definir em que, mas está. Saio de onde estou e me aproximo do set de filmagens, cujos cenários mudam constantemente, e me aproximo da equipe com câmeras gigantes, que há pouco estavam quase entrando nos órgãos genitais do casal. — Como ficou? — pergunto para Bruno, um dos diretores da SexHard, a minha produtora de filmes eróticos. — Vamos precisar regravar alguma parte? Eu sempre penso que essa deve ser a pior parte. Os atores sabem que precisam de certa preparação para entrarem no clima para foder, principalmente os homens, que não podem gravar as cenas com o pau mole, e apesar de as reclamações não chegarem aos meus ouvidos, sei que não ficam satisfeitos quando têm que fingir algo que não sentem. — Ficou ótimo. Agora, o material vai para a edição — ele diz, mas não olha para mim. Está com os olhos compridos na atriz que veste um roupão de seda azul por cima do seu corpo nu. Diferente de mim, Bruno ainda tenta trepar com atrizes da produtora, e louco do jeito que é, não duvido que tente com atores também. — Que bom — falo com alívio ao olhar para o relógio. — As pautas das cenas que serão ensaiadas amanhã e gravadas na quinta estão na sala da Ivone. Dê uma passada por lá, pegue o material e dê uma lida para se familiarizar. — Eu preciso que você me fale sobre como fazer o meu dever de casa? — pergunta com uma sobrancelha arqueada, pois temos essa liberdade um com o outro. — É claro que precisa — rebato, e viro-lhe as costas. — Não quer esticar a noite tomando cerveja em um bar qualquer? Posso chamar algumas garotas — propõe. Não é estranho que ele se sinta à vontade para fazer esse tipo de convite, sabendo que fiquei viúvo há apenas cinco meses? Essa é fácil de responder. Não, não é estranho. Não para quem conhece a minha história e o meu casamento como ele. O motivo da recusa está longe de ser o luto e a tristeza por não ter mais uma esposa. — Eu não posso, a Lia está na casa dos meus pais, e os velhos já devem estar uma fera por causa do meu atraso. Eles acreditam que estou distante demais da minha bebê — comento. Os meus olhos passeiam pelo ambiente, enquanto homens e mulheres caminham de um canto a outro guardando todo o equipamento e desmontando o cenário usado na gravação. Simon e Amber, que não estão usando mais do que roupões finos por cima dos corpos nus, se beijam sem a voracidade vista em cena agora há pouco. Estou certo de que vão para algum lugar mais discretos e sem câmeras. Eles querem foder sem serem filmados de todos os ângulos. Não é tão difícil de acontecer. Às vezes é só trabalho, em outras, como é o caso dos dois, que todos sabem que têm um caso, o tesão da cena tem a necessidade de ser satisfeito fora das câmeras. — E o que você acha? — Sobre o quê? — devolvo, voltando a minha atenção para a conversa. — Sobre o seu tempo com a Lia. — Não acho nada. Os meus pais estão irritados e com razão. Eles não têm idade para cuidar de um bebê, e eu preciso parar e procurar uma babá para a minha filha — digo. Mas sei que o meu problema não é só falta de tempo, por me dedicar demais à empresa. Eu tento compensá-la de alguma forma, deixando que conviva com os avós. A pobrezinha não tem culpa de ter perdido a mãe um mês depois de ter vindo ao mundo, e nem pelo pai relapso que a vida lhe deu. Não sou o tipo de homem cego que não enxerga os próprios erros, mas ainda não sei como agir diferente. — Então procure — ele fala como se fosse fácil, e talvez seja mesmo. — Eu… — O meu celular toca, eu olho o visor e atendo. — Mamãe, sei que estou atrasado para pegar a Lia, mas já estou a caminho. Sim, tudo bem, não vou esquecer de comprar mais fraldas. Depois que desligo, olho para o Bruno, que está sorrindo discretamente. — Segure as pontas? — E não é isso que eu sempre faço? — ele rebate. — O que justifica o seu salário exorbitante. — Dou dois tapinhas no seu ombro e saio para o estacionamento. Enquanto dirijo, começo a pensar em como a minha vida mudou. Quando a minha esposa engravidou, mas porque ela queria do que por um grande desejo meu, me convenci de que seria fácil criar um filho. Talvez eu estivesse errado e não fosse fácil de maneira nenhuma, mas não seria tão desafiador se não tivesse ficado viúvo. Eu, que nunca fui particularmente familiarizado com bebês, tenho que ser o pai e a mãe de uma, além de ser o dono e o diretor de uma grande produtora de filmes para o entretenimento adulto. O meu casamento com a Nora não era convencional em nenhum aspecto. Nos conhecemos em uma premiação, como o Oscar dos filmes pornôs, e sentimos uma atração louca um pelo outro. Hoje, eu acredito que não deveríamos ter seguido em frente só porque passamos um mês trepando como dois coelhos no cio. Mas ambos estávamos com trinta e cinco anos de idade, estávamos vendo as pessoas à nossa volta se aquietando e decidimos que queríamos brincar de casinha. O milionário da indústria pornográfica e a filha mimada de um figurão do ramo automobilístico se casaram meses depois do início do namoro. As pessoas não falavam nada, mas eu via que todos acreditavam que não daria certo. E não deu, não muito. Ou, talvez, tenha dado certo do nosso jeito torto de ser por um tempo. Logo nos primeiros meses de casados, senti desejo por outra mulher, e não pude disfarçar esse fato. Como gostava de enxergar tudo como uma espécie de jogo, a minha bela esposa não conseguia tirar os olhos de mim e sabia o que estava rolando naquele evento. Eu achei que ela estava jogando quando apareceu com a morena que eu queria ao lado e a colocou nas minhas mãos. Disse que eu poderia ficar com a gata, desde que ela também pudesse. E foi a nossa primeira transa à três. Nora não tinha o menor problema de tocar em mulheres. Era ela quem chupava peitos enquanto eu metia no cu, ou na boceta das minhas fodas. Era ela quem passava a língua habilidosa nas vaginas, enquanto eu era chupado. E quando eu invertia as coisas e começava a comê-las, a minha esposa se permitia ser chupada em todos os lugares. Lembro-me de como ia ao delírio quando era chupado por duas bocas, duas mulheres alternando, me levando deliciosamente no fundo da garganta até se engasgarem. Recordo-me de gozar em cima de peitos grandes. De vozes suplicando por mais. E quando paro no sinal vermelho, a todo o momento checando o relógio no visor do celular, lembro-me de como foi estranho depois da primeira vez que a minha esposa e eu perdemos o controle. Aquilo poderia ter acabado com o nosso casamento recente. Mas não foi o que aconteceu. Logo que deixou de ser estranho, foi minha vez de fazer um agrado para ela. Teve a ocasião em que fomos jantar em um restaurante perto da nossa casa, grande e extravagante demais para um casal, e assim que tomamos o lugar que eu havia reservado, o garçom apareceu com o cardápio. Eu vi a forma como Nora olhou para o jovem, que era muito mais jovem do que ela. Notei como o desejou naquele instante. Poderia ter me sentido enciumado, mas, surpreendentemente, não me senti. “O que está havendo, querida? Está a fim de dar para o garçom?” Foi a pergunta direta que fiz quando o garoto virou as costas. Ela não se deu ao trabalho de fingir que havia ficado constrangida. “Não precisa ficar constrangida. Se quiser, depois do jantar eu te deixo com o carro. Dessa forma, poderá tentar terminar a noite fodendo com o seu garçom” É óbvio que minha mulher concordou. Eu fui para casa de táxi, ela só voltou na manhã seguinte. Contou para mim tudo o que havia feito com o rapaz na cama, eu me excitei com os relatos e a comi no banho, antes de sair de casa para trabalhar. Dias depois, eu cobrei o favor e transei com uma atriz novata e gostosa que havia acabado de ser contratada. E não foi só uma transa. Mas a minha mulher sabia de todas elas, assim como eu soube de todas as suas aventuras. O nosso casamento era aberto. Transamos com outras pessoas, e levamos pessoas para a nossa cama para o sexo à três mais vezes do que posso contar. Eu me julgava um homem feliz, afinal, atendi aos anseios de uma sociedade hipócrita e me casei. O que ninguém sabia é que por trás do casal perfeito e polêmico, porque é difícil explicar que o meu ganha pão vem através do sexo, havia muita diversão e liberdade. O casamento não me tirou nada, e foi uma boa surpresa. Pelo contrário, ganhei uma parceira para a vida. Alguém com quem conversar antes de dormir, com quem fazer planos futuros, e o sexo matinal ao acordar sempre com tesão. Os anos me fizeram ver que a minha vida não era tão perfeita como parecia. A minha linda esposa gostava de beber e fumar uma erva. Eu também gostava, mas não como ela. Não eram fatos que eu via como iminentes problemas, mas, no fim, acabaram se tornando. Ela já tinha quarenta e um anos, e existia certa pressão para que tivéssemos um filho. Todos os casais felizes precisavam de filhos para completarem a felicidade, certo? Errado! As conversas sobre uma futura gravidez me deixavam tenso, porque eu sabia que a nossa vida teria que mudar. Nada de sexo louco entre a gente e outras pessoas, nada de ervas e balada de gosto duvidoso. Antes mesmo de acontecer, eu já não me sentia bem sobre o futuro próximo. Não sei se amava a minha esposa, mas o que sabia sobre o amor? Era inegável que gostava dela pra caralho, e queria atender ao seu desejo, que eu tinha esperança de que poderia se tornar o meu desejo também. Nora e eu éramos loucos, mas eu ainda tinha um senso de dever e responsabilidade que ela não tinha, e ficou mais evidente depois que conseguiu ficar grávida. Mesmo depois das nossas conversas sobre coisas das quais teríamos que abrir mão, ela precisava ser vigiada para não beber durante a gestação. Eu sei que ela fez isso algumas vezes, já que não podia ficar vigiando-a vinte e quatro horas por dia. Parecia que ela não havia calculado o tamanho das mudanças que sua vida sofreria antes de querer ser mãe e se assustou quando se deparou com uma realidade mais difícil. O nosso relacionamento acabou esfriando durante os nove meses de gravidez, embora eu tenha tentado passar segurança e me aproximar da Nora. O desejo intenso e a forma como nos entendíamos com o olhar desapareceu. Eu fazia esforço para não brigarmos, mas ela tornava a situação difícil. A sua gestação inteira foi tumultuada e eu dei graças a Deus quando chegou o dia marcado para o parto. A Lia nasceu e, quando a segurei em meus braços, veio o amor que não consegui sentir durante os nove meses em que esteve no ventre da mãe. Naquele momento, eu soube que seria capaz de dar a minha vida para protegê-la. Nora, por outro lado, estava ansiosa para voltar a vida de antes, embora estivesse claro que nada seria como antes. Eu tive paciência e deixei passar alguns após a vinda da nossa filha ao mundo. Tive esperanças de que fosse voltar a agir como uma mulher com mais de quarenta, mas não aconteceu. Um mês se passou, e depois de uma discussão em que Nora acabou dizendo que gostaria de nunca ter engravidado, ela saiu de casa de carro sem me falar para onde ia. Eu poderia ter ido atrás, mas não podia deixar a bebê sozinha. O seu celular estava desligado, e a próxima ligação que recebi foi da polícia avisando sobre o acidente que ela havia sofrido. Foi comprovado que Nora estava embriagada. Ela entrou na contramão de uma via e bateu de frente com um carro maior. Ela foi submetida a cirurgias, mas acabou não resistindo aos ferimentos e faleceu, deixando-me com a nossa filha de apenas um mês de vida. Depois de cinco meses, o que sinto é mais do que tristeza, muito mais. É uma raiva que me impediu de me afundar quando me vi sozinho depois de anos, e com uma bebê para cuidar. Eu sinto raiva da Nora por ter feito o que fez com ela mesma, e nem mesmo a morte a tornou uma santa aos meus olhos. A minha vida mudou muito, porque tenho um ser indefeso nela, e não posso jamais me esquecer desse fato, não como a mãe dela fez quando só pensou em si mesma, mesmo durante a gestação ao se lamentar de uma escolha que tinha sido dela. — Porra! — Bato no volante quando tenho que parar em mais um sinal vermelho. Estou tão perto de casa… Esqueci das fraldas, mas tenho certeza de que ainda tem algumas no último pacote, e que dá para esperar até amanhã. O plano é tomar um banho rápido e correr, literalmente, para o apartamento dos meus pais, que deixaram a casa que viviam para ficar perto de mim. Eles têm me ajudado tanto que nem em um milhão de anos poderia agradecer o suficiente. — Como ela está, papai? — com o fone no ouvido, falo ao celular com o meu velho, enquanto o carro está parado. — Está dormindo? — Ela está bem acordada e chorando. Deve sentir falta do pai — ouço. — Sem dramas, senhor Martelli. São sete e meia da noite, portanto, trinta minutos além do horário que ela costuma me ver. E não é como se uma bebê de seis meses entendesse alguma coisa — falo, de olho no painel do carro, mas algo à esquerda chama a minha atenção. O meu pai começa a falar alguma coisa, mas não ouço. Hoje a noite está fria, muito fria. Não tem ninguém andando na rua, exceto uma garota sentada no meio-fio, abraçando os joelhos e com a cabeça apoiada neles. Ela não veste um casaco sequer, e não se importa de estar mostrando não só as pernas alvas, mas também a calcinha por vestir uma saia tão curta. Tudo na cena está errado. Eu deveria ignorá-la e seguir o meu caminho, pois tenho problemas demais, e essa garota não precisa ser um deles. Você pode me perguntar como sei que é uma garota, e a resposta é bem óbvia: enquanto chora compulsivamente, os cabelos são espalhados pelo vento. — Papai, em breve estarei em casa. Segure as pontas, por favor — peço, e termino a ligação. Um carro buzina para mim, eu olho para cima e percebo que o sinal abriu. Sigo o meu caminho, ainda incerto do que fazer, mas, no fim, acabo dando a volta e parando com o veículo perto de onde a garota está. Sou um babaca que poderia apenas ir embora, mas, mesmo que pouco, ainda tenho algum senso de decência. Aproximo-me com cuidado, mas acredito que não me perceberia perto dela nem se eu fosse um elefante. — Ei, menina, não acha que está frio demais para você estar na rua? — falo da melhor maneira que posso, recebo o silêncio em troca. — Você não tem casa? É uma mendiga? — Assim que pergunto, concluo que não. Ela parece ser linda, está razoavelmente arrumada, e cheira bem demais. Como insiste em não se mexer, me agacho na sua frente e, com calma, levanto o seu queixo. Quando o seu rosto banhado por lágrimas me encara, sinto como se tivesse levado um soco na cara, pois, diante de mim, estão os olhos mais lindos que já vi. — Você sabe falar? — A menina, sim, é quase uma criança, continua muda. — Está muito frio e isso pode te matar. Quer vir comigo? O que eu estou fazendo, porra?! Não posso levar uma desconhecida para dentro da minha casa. E ela não pode aceitar isso. Eu poderia ser um aproveitador com a intenção de fazer coisas muito ruins. Mas eu não recuo. E ela também não, pois não faz nada quando pego sua mão, ajudo-a a se levantar e levo para o meu carro. As suas mãos e braços estão tão gelados que me causam arrepios. Eu não havia dito que o dia estava estranho?
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