
A babá virgem da bebê do viúvo
Capítulo 3
RAFAEL
Antes de me casar há sete anos, eu estava acostumado a levar estranhas para o meu apartamento. Antes de sair da casa dos meus pais, eu entrava escondido com garotas no meu quarto. Uma garota que peguei na rua, sem qualquer intenção de transar com ela, é uma novidade.
Ela veio o caminho todo em silêncio. Abraçando o próprio corpo, enquanto olhava pela janela. Agora que estamos entrando em casa, a garota está bem. Alguns minutos com o aquecedor do carro ligado fizeram maravilhas e descongelaram os seus ossos.
Muda, ela anda devagar, olhando para tudo, mas não demonstra qualquer emoção que não seja a tristeza e o abatimento que já estava sentindo antes de a pegar e trazê-la comigo.
O que vou fazer com essa menina? Não faço a menor ideia. Posso ter me metido em problemas, mas não posso voltar atrás e chutá-la daqui neste momento. Para onde iria?
Não deveria ser da minha conta, mas, estranhamente, sinto que é.
— Sente-se, por favor — indico o sofá e a menina obedece. — Vou pegar algo para você.
Antes de sumir pelo corredor, olho para trás, para a figura que não se move, apesar de os olhos inchados estarem secos. Não deixo de notar que ela não tem nada consigo. Não existe uma bolsa, um aparelho celular com um número para alguém que possa ligar.
Ao retornar, aproximo-me do sofá e coloco a coberta que uso todas as noites para me cobrir em cima dos seus ombros. Pelo menos ela se move para envolver o tecido quente no seu corpo.
— Por que você fez isso? — pergunta. O tom baixo de sua voz é bonito e me atinge de uma forma estranha, que prefiro não analisar no momento.
— Isso o quê? — rebato ao me sentar ao seu lado, mas não muito perto.
Antes que a garota tenha tempo para falar algo, o meu celular vibra em cima da mesa de centro, onde o deixei antes de ir para o quarto. Não preciso olhar o visor antes para ter certeza de que se trata de um dos meus pais.
Eles não se importam de ficar com a neta, não na maior parte do tempo. Toda a insistência é porque querem me dar uma lição para que eu seja um pai melhor. Acreditam que isso vai acontecer se eu passar todo o tempo possível com a minha boneca.
No fim de semana, ela fica comigo em tempo integral e eles não dão as caras por aqui. Nem mesmo para saberem se estamos bem.
— Eu preciso ir ao apartamento do andar de baixo… — digo incerto ao me levantar. — Tenho que buscar a minha bebê na casa dos meus pais.
Eu deveria estar dando informações da minha vida para uma estranha que peguei na rua?
Não! Mas errado por errado, eu nem deveria tê-la trazido para casa. E não posso nem culpar a cabeça do meu pau, que já me colocou em confusões gigantes, considerando que não tive nem a oportunidade de olhar direito para ela. Não que fosse mudar algo, porque é só uma criança magrela.
— Você não tem medo de eu furtar coisas do seu apartamento e fugir? — A voz é um sussurro.
— Está pensando em fazer isso?
— Não — responde sem me encarar.
— Então, vou confiar em você. Depois que eu voltar, a gente pode conversar, e vou deixar você ir embora — afirmo, e não espero por resposta antes de sair.
Não posso mais esperar, senão é capaz de os meus velhos virem até o meu apartamento, e eu não saberia como explicar a presença da garota.
A minha esposa morreu não tem nem seis meses, nem eles, que me conhecem melhor do que ninguém, esperam que eu tenha outra mulher tão cedo.
Ninguém precisa saber que transei há duas semanas, em uma noite que o meu dia de trabalho havia sido muito ruim. Peguei a mulher em um bar e não me lembrei que precisava guardar luto enquanto metia no seu cu. Naquela noite, eu não queria saber de bocetas. Precisava de algo mais apertado e pervertido, como o cuzinho de uma mulher gostosa.
— Que bom que deu o ar da graça, filho — Dona Santana começa assim que abre a porta.
Eu entro, olho para o sofá e me deparo com o meu velho André com o pacotinho pequeno em cima do seu peito. Ele ama mimar a neta, que está ficando manhosa e sempre chora quando não está nos braços de alguém.
— Houve um atraso no trabalho — minto, mas sei que não teriam coragem de perguntar de que tipo de atraso eu estou falando.
Os meus pais são como quaisquer outros. Eles já eram um casal de classe média quando eu nasci. Tinham casa própria, carro e uma vida razoavelmente boa. O meu pai era um excelente corretor de imóveis. Quando eu me formei no colegial e tive que fazer escolhas, optei pelo curso de cinema, que o senhor André financiou grande parte com prazer.
Além de ter nascido com os bons genes da beleza, sempre fui um garoto extrovertido e comunicativo. De maneira natural, só pensei no futuro cheio do dinheiro, e rodeado de mulheres, que eu poderia ter ao cursar cinema e me tornar um bom ator, ou diretor.
Ah, os pensamentos de um jovem idiota e cheio de hormônios de dezenove anos…
— Você não pode esquecer da sua filha. Ela precisa do pai, mesmo que tenha o amor dos avós — Santana vem atrás de mim, enquanto pego a minha bebê nos braços.
— Hoje não, mãe. Eu estou com pressa…
— Pressa para quê?
Porra!
— Querida, dê um tempo para o nosso filho. Ele acabou de ficar viúvo, você está o pressionando demais.
Obrigada, pai!
— Tudo bem, já entendi que os homens se uniram contra mim — dramática, a senhora de sessenta e um anos, ainda jovem para a idade, joga as mãos para o alto e se encaminha para a cozinha.
— Eu tenho que ir, seu André, antes que a mamãe volte e recomece — falo brincando, e pego a Lia em meus braços.
— Filho, não é porque te dei uma colher de chá que não concordo com as coisas que a sua mãe falou.
— Eu vou melhorar, prometo — falo ao pegar a bolsa da Lia, e não saio antes de dar um beijo na sua cabeça. — Estou indo, mamãe — falo alto para que me escute da cozinha. — Amanhã cedo eu trago a neta de vocês de volta — sigo na direção da porta, preocupado de chegar em casa logo para lidar com a criança que deixei lá.
— Arrume logo uma babá — papai fala, antes que eu feche a porta.
— Prometo que, em breve, eu e essa boneca aqui vamos dar um pouco de descanso e paz para vocês — assevero e fecho a porta atrás de mim.
— E você, menininha? Sentiu saudade do papai? — faço uma voz ridícula dentro do elevador, que sobe para o sexto andar. — Eu senti a sua falta, porque embora o pai não fique tanto tempo com você, ele te ama muito — declaro. — Você é o grande amor da minha vida — sussurro, apesar de não saber o porquê, já que estamos sozinhos.
**
Ao entrar no apartamento, a garota ainda está no mesmo lugar em que a deixei, mas dorme como um anjo encolhida no sofá, toda enrolada no cobertor que entreguei antes de ir buscar a minha filha.
Agradeço que esteja assim, pois posso tomar um banho e parar para respirar um pouco, antes de lidar com ela.
— Vamos, meu amor. O pai vai fazer a sua mamadeira e depois você irá dormir, está bem? — falo baixo e posso jurar que estou vendo um sorriso.
Nos próximos minutos, depois de colocá-la na cadeirinha de bebê perto de mim, preparo o seu leite, deixo esfriar e por fim alimento-a. Antes mesmo de terminar o leite, Lia fecha os olhinhos e dorme.
Como a menina doce que é, provavelmente irá dormir a noite inteira e vai acordar bem cedinho para tomar mais uma mamadeira. Não preciso mais de despertador, pois não tem outro igual a minha menina, que chega a ser pontual na hora de me despertar.
Depois que a deito no berço que foi montado ao lado da minha cama, apesar de deixar que durma ao meu lado na cama quase todas as noites, assim tenho a sensação de que mais perto posso protegê-la melhor, livro-me das minhas roupas e parto para o banho.
A água e o sabonete escorrendo pelo meu corpo me dão a sensação de que além de estar levando para o ralo o suor de um dia inteiro, também leva embora o cansaço.
Não posso impedir que os meus pensamentos corram para o sofá da sala e, de repente, começo a me sentir ansioso com a presença da garota na minha casa. Quero ouvi-la e entender o que a levou àquele estado em que a encontrei.
Passa das oito da noite quando volto para a sala com a intenção de resolver a situação com a menina, mas o meu corpo tem outros planos. O meu estômago ronca, lembrando-me que a última refeição que fiz foi na hora do almoço.
Na cozinha, faço comida suficiente para duas pessoas, imaginando que a moça irá acordar cheia de fome e não quero que vá embora daqui me deixando com a consciência pesada, imaginando que foi para sabe Deus onde com fome. Se fizesse isso, não conseguiria dormir.
É isso, ela vai comer e depois ir embora. Não pode ficar aqui como um animalzinho abandonado que peguei na rua.
O prato é macarrão à bolonhesa com salada, e o fato de ter preparado uma receita mais “pesada” não foi um acaso. Ela vai precisar de “sustança”.
Aí você pode se questionar se no fundo não tenho uma alma boa, um bom samaritano, mas não se engane, porque não sou nada disso.
É só que… Eu não deveria pensar assim, não deveria!
Apesar de não ser um animalzinho abandonado, ela parece com um. E que pessoa vira as costas para algo assim? Nem eu faria isso.
Após desligar o fogo e preparar os pratos em cima da bancada americana, volto a dedicar minha atenção para a moça. Primeiro a observo em pé por um tempo, depois me sento no espaço do sofá verde musgo onde está dormindo.
E por mais que eu saiba o que devo fazer, sinto pena de acordá-la agora, então decido esperar mais um pouco sem, no entanto, dar espaço para ela. Fico onde estou. Os meus olhos passeiam pelo seu corpo, que não posso ver muito, porque está coberto com o lençol.
Ela é magra demais, pequena demais e… linda demais.
Não vá por esse lado, seu fodido!
Recrimino a mim mesmo. Não que estejam passando ideias erradas pela minha cabeça, mas só o fato de a achar linda já é problemático,
Eu sou um viúvo de quarenta e dois anos e ela deve estar na fase no primeiro namoradinho. Só de olhar para ela assim, fica claro que, independente da idade exata que tem, poderia ser a minha filha.
Ao jogar a cabeça para trás no encosto do sofá, sinto o movimento ao meu lado e viro a cabeça tão rápido que sinto uma leve vertigem. Ajeito a minha postura e a desconhecida está se sentando enquanto coça os olhos sonolentos. Assim que termina, vejo o seu corpo, antes relaxado, ficando tenso.
Os olhos ainda são lindos como me lembrava, e estão assustados agora.
— Apenas respire profundamente e tente se lembrar de onde está. — Ela balança a cabeça lentamente, respondendo a mim mais do que fez antes com o simples gesto.
Mas o meu pedido não deixa de ser meio estranho, afinal, ela não sabe onde está. Lembrar do fato pode assustá-la ainda mais.
A sua expressão deixa de ser de medo, então presumo que a névoa do sono esteja passando. O medo é rapidamente substituído pela tristeza.
— Eu não pretendo ser mau com você.
A menos que me peça, uma voz sacana sussurra no meu ouvido e faz os meus olhos caírem no seu colo, um pouco acima dos peitos.
O cobertor escorregou pelos seus ombros, e agora que estou mais calmo, não deixo de notar que ela tem peitos. Peitos pequenos, mas que parecem firmes e suculentos por baixo da blusa preta que veste.
O que foi? Eu sou um homem cheio de virilidade. E até que tenha certeza, prefiro pensar que não é uma adolescente, apesar de jovem.
— Eu sei que não — murmura baixo sem jeito, e olha dentro dos meus olhos de um jeito que não fez antes.
Também a olho e, por milésimos segundos, rola uma tensão e um clima estranho entre a gente.
— Está com fome? Pensei em te convidar para jantar comigo antes que vá embora — convido, ao mesmo tempo em que deixo claro que a quero fora da minha casa o mais rápido possível.
O seu olhar escurece quando falo sobre a sua partida, mas a menina não diz nada. Mas o que ela esperava, porra?!
Eu a peguei na rua e nós não nos conhecemos. É um risco que a tenha trazido para o mesmo ambiente que a minha filha. Mas ela foi o último dos meus pensamentos quando me comovi com a cena da gatinha abandonada no frio.
— Venha para a bancada. O nosso jantar já deve estar esfriando — digo. Aponto o caminho e deixo que vá na minha frente.
Os meus olhos desobedientes descem mais do que deveriam para a parte sul do seu corpo. Além de impressionantes olhos azuis, rosto de menina inocente e cabelos escuros e longos, a porra da garota tem uma bundinha que parece ser linda e empinada sob a saia jeans.
Enquanto o meu pau lembra que tem vida e tenta dar boas-vindas para a visita, todos os motivos que fazem dessa uma péssima ideia somem. Não lembro que não sei nem mesmo o seu nome. Que é jovem demais e que deve ter passado por algo muito ruim para não ter se importado de ficar ao relento na noite gelada.
A cabeça que pensa agora é a do meu pau, e ele não me impede de imaginar cenas sujas que não deveriam estar aqui.
Inferno!
No mesmo instante, ela me olha por cima do ombro. Será que pensei alto demais?
Tudo bem, hora de alimentar a gost… a menina e mandá-la embora em seguida. Não me importa para onde vai, afinal, não sou o seu pai, ou algo do tipo.
Nos sentamos lado a lado, e pela forma como devora o prato que fiz para ela, está há horas sem comer. A curiosidade é imensa, mas não pergunto nada até sentir que comeu o bastante. Eu estou engolindo a massa sem sentir o gosto, mais ocupado em ficar de olho na moça.
— Pode me falar o seu nome? — Finalmente pergunto.
— Alexia Luna — diz.
— Luna é um sobrenome?
— É, sim. — Ela nem imagina o que uma resposta simples como essa pode significar para um homem como eu.
— Você é daqui de São Paulo mesmo? — Vou mais a fundo nos questionamentos e, dessa vez, a menina não abre a boca. — Quer mais? — A sua resposta é um aceno positivo com a cabeça.
Em questão de cinco minutos, acaba de devorar o segundo prato de macarrão. Ela é um dragãozinho, mas só no que se refere ao apetite, pois no resto não poderia ser mais linda.
Eu me pergunto o que pode ter abalado dessa forma uma garota jovem e bela como ela.
— Por que estava na rua no frio que está fazendo hoje? Você correu perigo.
Mais uma pergunta não sendo respondida. Essa brincadeira está começando a me irritar. Porra de garota estranha!
— Eu te trouxe para a minha casa sem nunca ter te visto, mesmo que devesse ter passado e te deixado lá, como muitos fizeram antes de mim, mas fui idiota o suficiente e arrisquei. Não acha que no mínimo me deve uma resposta? — falo de maneira direta, fazendo a última tentativa.
Depois disso, posso pedir para que parta, sabendo que fui um bom homem, e que tenho uma vaga garantida no andar de cima.
— Eu não… — ela estava de cabeça baixa, e quando a levanta e me encara, os seus olhos estão cheios de lágrimas.
Merda!
Isso é como um tapa na minha cara. Uma voz grita nos meus ouvidos que essa menina não deveria chorar. Nunca.
— Está tudo bem. Se não quer falar nada, se isso te faz sofrer, não fale. Mas preciso que você saia da minha casa.
Se antes estava quase chorando, agora as lágrimas estão rolando de verdade. Pior ainda, ela sai do lugar e me abraça pelo pescoço.
Fico dividido sobre o que pensar e sentir neste momento totalmente sem sentido, que nem em um milhão sonharia viver.
A minha mente grita: Ela surtou!
O meu corpo responde: Ela tem um corpo quente, cheiroso e gostoso para ser abraçado. Os meus braços estão soltos porque não sei o que fazer com eles.
O meu coração está saltando, prefiro acreditar que é pelo susto, mas o seu também está.
Quando se afasta minimamente para me olhar de perto, acaba dizendo mais do que duas palavras.
— Deixe-me ficar aqui hoje. Só hoje? Eu não tenho para onde ir.
Mas essa menina perdeu completamente a noção da realidade!
Ou será que essa é a sua tentativa de me manipular com um corpinho gostoso e rosto perfeito?
Você pode gostar





