
A Armadilha do Coração Partido
Capítulo 2
No dia em que meu filho completou três anos, meu marido, Pedro, trouxe para casa uma mulher chamada Sofia e um menino um pouco mais velho que o nosso filho, Leo.
"Eva, esta é a Sofia, e este é o filho dela, Tiago. Eles vão morar conosco a partir de hoje."
A voz de Pedro era calma, como se estivesse apenas a anunciar que comprou um novo móvel.
Eu olhei para a mulher, que me encarava com uma mistura de provocação e pena. O menino, Tiago, agarrava-se à perna dela, olhando para mim com desconfiança.
O meu filho, Leo, correu para mim e abraçou a minha perna, olhando assustado para os estranhos.
"O que é que isto significa, Pedro?" perguntei, a minha voz a tremer ligeiramente.
"Significa exatamente o que parece," ele respondeu, sem sequer olhar para mim. "A Sofia não tem para onde ir. Eu sou o pai do Tiago. Tenho a responsabilidade de cuidar deles."
Pai do Tiago. Aquelas palavras ecoaram na minha cabeça.
O Tiago parecia ter uns quatro anos. Nós estávamos casados há cinco.
A matemática era simples e brutal.
"Tu tiveste um caso," afirmei, sentindo um frio a espalhar-se pelo meu peito.
"Não fales assim," ele repreendeu-me, finalmente olhando para mim com irritação. "Aconteceu. Agora temos de lidar com a situação como adultos. A Sofia precisa de um lugar seguro, e o Tiago precisa do pai dele."
Eu queria gritar, queria atirar-lhe coisas, mas olhei para o meu filho, Leo, que se agarrava a mim com mais força, e engoli a raiva.
"E nós, Pedro? E o Leo?"
"Nada muda para vocês," ele disse, com uma frieza inacreditável. "Continuas a ser a minha mulher. Esta casa é grande o suficiente para todos."
Ele agia como se me estivesse a fazer um favor.
A Sofia sorriu, um sorriso pequeno e vitorioso.
Naquela noite, eles ficaram. Eu preparei o quarto de hóspedes para eles, com as mãos a tremer.
O Pedro não me tocou. Ele nem sequer tentou falar comigo. Simplesmente foi para o quarto de hóspedes, para ficar com a sua outra família.
Eu deitei-me na nossa cama, agora fria e vazia, e abracei o Leo com força. Ele já estava a dormir, a sua respiração suave e inocente.
O divórcio parecia a única saída. Mas como? Eu não trabalhava desde que o Leo nasceu, a pedido do Pedro. Eu não tinha dinheiro, nem para onde ir.
Eu sentia-me presa.
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