Capa do romance ceo vadia nas alturas

ceo vadia nas alturas

8.5 / 10.0
Sem alternativas diante de uma vida em ruínas, Aria aceita um contrato de casamento com Matthew Dawson, o CEO mais cobiçado da atualidade. Enquanto tenta lidar com a rotina ao lado do bilionário, ela busca enterrar um passado doloroso e as marcas de quem a feriu. Determinada a se reinventar, Aria surge como uma mulher forte que desafia preconceitos. Agora, ela não permitirá que ninguém a machuque enquanto prova que seu lugar vai muito além da cama.

ceo vadia nas alturas Capítulo 1

— Se continuar esfregando o balcão desse jeito acabará fazendo ele sumir.

Eu paro de esfregar e olho para Valéria.

— Se eu não esfregar o balcão desse jeito, ele nunca vai ficar limpo.

Ela começa a secar os pratos.

— Deveria gastar suas energias em outras coisas.

— Tipo o quê? Lavar os banheiros? A cozinha? Daqui a pouco chego lá. — Debocho.

— Sabe o que estou falando, Aria.

Olhei para ela e suspiro.

— Não começaremos com isso de novo.

Valéria próxima de mim e sorrir.

— Essa cidade não te merece. Você é inteligente demais para se afundar nesse restaurante.

Olho ao redor. Falta pouco para às sete da noite. A área do restaurante está quase cheia. Hoje estou no bar. Não é um restaurante de cinco estrelas, mas é o melhor da cidade. Salamanca, menos de seis mil habitantes. E só preciso de uma oportunidade para ir embora. Oportunidade que nunca chega.

— As coisas não estão muito favoráveis para meu lado, Valéria.

— Sei que tem suas economias. - Ela ergue uma sobrancelha. - Pode não ser o bastante para viver na cidade grande, mas sei que chegando lá dará um jeito.

— Você confia demais em mim. - Volto a esfregar o balcão.

— E você deveria fazer o mesmo.

Ela fez um carinho no meu ombro. Voltamos ao trabalho sem tocar mais nesse assunto ou qualquer outro. Sexta a noite o bar tem costume de encher, então me preparo para a noite longa. A parte chata é ter que lidar com os bêbados. Sempre tem um chato. Entrego bebidas para um casal sentado no balcão e recolho os copos de outros.

— Com licença?

Deixo os copos na pia e me viro. Olho intrigada para o homem à minha frente. Não dá para ver muito seu rosto devido ao boné, mas pelas suas roupas de grifes ele não é daqui. Claro que ninguém dessa cidade fosse notar a diferença.

— Por acaso está foragido? Porque escolheu Salamanca para se esconder, não foi muito inteligente. - Me aproximo colocando as mãos na cintura. - Suas roupas chamam muita atenção.

Ele sorriu me olhando de cima a baixo. Ele tem um sorriso bonito. Olho ele com mais atenção, eu sinto que conheço ele de algum lugar.

— Você tem um olhar bom. - Sua voz é grave e baixa. Ele continua me olhando. - Mas ainda assim eu poderia ser um turista.

Apoio minha mão no balcão. Mesmo não podendo ver seu rosto direito, eu sentia seu olhar em mim.

— Você com certeza tem bom gosto. - Faço um sinal com a mão mostrando o lugar. - E não escolheria esse lugar.

Ele tem postura. Costas retas, poucos movimentos, fala o necessário, observado… Aqui o povo fala pelos cotovelos. Ele olha ao redor.

— Não é tão ruim assim. Claro que já estive em lugares melhores.

— É de Nova York? - Não contenho minha curiosidade.

— Sim, Upper East Side.

Olho para ele erguendo uma sobrancelha. Upper East Side? Sério? Esse homem mora em um bairro grande de Nova York que ocupa o lado leste do Central Park. É um bairro caro e luxuoso. Nego com a cabeça, deixando esse assunto para lá.

— Quer beber o quê?

Ele deita a cabeça de lado dando um sorriso sarcástico.

— Já perdeu o interesse por mim?

Ele abre um sorriso mostrando seus dentes brancos e perfeito estado. Eu me perco em seu sorriso, ao contrário de antes que seu sorriso foi mais contido. Passo a minha língua pelo dente como se quisesse ganhar tempo. Quem é esse homem? Antes que eu pudesse falar, um homem bêbado aparece batendo com força o copo no balcão.

— Quero mais cerveja! – Exigiu.

— Senhor, Fuller, por favor tenha calma… - Eu peço.

— Cala boca, vadia e pega mais cerveja para mim.

Calma, Aria. Calma, Aria. Eu pego seu copo e cheio de cerveja.

— Aqui. - Entrego para ele.

— Você deveria ter mais respeito com as mulheres. - Olho para o homem misterioso. - E não é assim que se trata uma. Aposto que se for gentil, ela retribui.

Senhor Fuller rir.

— E quem você pensa que é? - Fuller dá uns passos para trás. Ele está muito bêbado. - Falo do jeito que eu quiser. Quer brigar? Vem!

O homem misterioso começa a levantar. Dou a volta no balcão o mais rápido possível.

— Por favor, não. - Coloco a mão contra seu peito impedindo que ele dê mais um passo. Olho para ele. Sinto que conheço ele. - Agradeço por me defender, mas não vale a pena.

Eu realmente agradeço. Não me lembro quando foi a última vez que me defenderam, principalmente um homem. Sou o saco de pancadas nessa cidade há tanto tempo. Ouvi a risada grossa e alta do Fuller e ele saiu, não antes de me xingar de vadia novamente. 

Uma briga não ajuda em nada é bem capaz de ser despedida.

— Eu quebraria a cara dele sem esforço algum.

Noto que ainda estou com a mão no seu peito. Dou um passo para trás, segurando minha mão contra meu corpo.

— Tenho certeza disso. Sou Aria Barnes. - Estendo minha mão.

Ele aperta.

— Dylan.

Olho bem para ele.

— Esse não é seu nome, não é?

— Não.

Rimos. Por que estou rindo para um desconhecido? Ele pode ser muito bem um maníaco, psicopata ou até mesmo um assassino. Mas me defendeu sem ao menos me conhecer. Talvez seja o plano dele conquistar e depois matar, faço um gesto com a cabeça afastando esse pensamento.

— Não estou aqui para te machucar, mas não sei como reagiria se souber meu nome agora.

— E por que pensa que quero saber depois?

Seu sorriso aumenta.

— Porque posso ser seu passaporte para longe daqui.

[…]

Faz dois dias que eu não vejo o homem misterioso do bar. Ele deixou um cartão, mas é óbvio que não liguei. Minha vida já está bem ruim do jeito que está, eu não quero ser traficada ou algo do tipo. Vou até minha cômoda e abro a última gaveta, as afastando de algumas roupas e não acho a minha caixinha. Procuro de novo. Olho nas outras gavetas. Não. Por favor, não. Saio do meu quarto. Nas escadas grito minha mãe, ela sai da cozinha.

— Você esteve no meu quarto?

Ela me olha nervosa e depois olha para meu pai.

— Fui eu que peguei. - Ele não se dá ao trabalho de olhar para mim. - Não deveria estar escondendo dinheiro.

— Aquele dinheiro era meu!

Começo a sentir as lágrimas. Ele não podia ter pegado.

— Nosso! - Ele dá mais um trago naquele maldito cigarro.

— Eu já ajudo em casa. - Não escondo a raiva que estou sentindo. - Aquele dinheiro era meu. Você não tem direito nenhum de entrar no meu quarto e mexer nas minhas coisas.

Ele riu.

— Vai estressar outra pessoa. Você está na minha casa! Minha casa, minhas regras.

Vou em sua direção, mas minha mãe segura meu braço.

— Não faça isso.

Olho para ela com mais raiva.

— Ele não presta. Você acredita em uma mudança que não acontecerá.

— Cala boca! - Meu pai grita e vem até a mim. - Você não é nada aqui. - Caio no chão com o impacto do tapa que ele me deu. - Corey sim, é bom filho, você… você é um verme que envergonha nossa família. - Ele chutou minha barriga.

Coloco minha mão contra a barriga, implorando mentalmente para essa dor passar. Olho para minha mãe.

— Até quando? Você deveria estar do meu lado. - Enxugo minhas lágrimas.

— Volta para seu quarto garota e não me estressa mais. - Ele falou voltando a sentar na sua poltrona.

Não ousei olhar para minha mãe novamente. Não adiantaria nada. Com dificuldade volto para meu quarto e fecho a porta na chave. Fecho meus olhos com força e respiro fundo.

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