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Capa do romance A Aposta do Tigre - A ômega oculta do Alfa

A Aposta do Tigre - A ômega oculta do Alfa

Bia vive isolada em seu laboratório, escondendo sua presença com bloqueadores de odor devido a uma suposta alergia. Sua rotina muda quando Lucas, o arrogante herdeiro de um clã de tigres, aceita uma aposta para seduzi-la. Contudo, um breve contato físico revela a verdade: Bia é uma Ômega pura. Agora, o predador usa o jogo como pretexto para caçá-la e reivindicá-la. Entre segredos de sangue e traições, ela descobrirá que se tornou o alvo principal de um desejo implacável.
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Capítulo 3

POV BIA

Eu não consegui dormir direito. Passei a noite inteira rolando na cama, chutando os lençóis e lutando contra a memória daquela tarde no laboratório. Toda vez que eu fechava os olhos, o calor absurdo do corpo de Lucas parecia queimar a minha pele, e aquele som estranho - aquele rosnado vibrante e grave que ele soltou - ecoava na minha mente, fazendo meu peito palpitar de um jeito que a ciência não conseguia explicar.

Para piorar, acordei sentindo meus sentidos em pane. Enquanto caminhava até a cafeteria do campus, o mundo parecia barulhento demais, brilhante demais. O cheiro de café queimado, os perfumes baratos dos alunos e até o odor da fumaça dos carros na avenida pareciam agredir o meu nariz de uma forma violenta. Puxei o frasco do meu spray bloqueador da bolsa e borrifei três vezes no pescoço, desesperada para aplacar aquela suposta crise alérgica que parecia piorar a cada segundo.

Eu me encolhi em uma mesa de canto na cafeteria, tentando me esconder atrás do meu livro de biologia molecular. Eu só queria sumir.

Mas a paz durou pouco.

O ambiente da cafeteria mudou de repente. O burburinho baixo deu lugar a risadas altas e passos pesados quando as portas duplas se abriram. Eu nem precisei erguer os olhos para saber quem era. Uma onda inexplicável de calor arrepiou os pelos dos meus braços antes mesmo que a voz dele ecoasse.

Lucas entrou cercado pelos outros atletas do time de basquete. Ele exalava aquela arrogância natural de quem sabe que é o dono do lugar, mas havia algo diferente nele hoje. Algo mais tenso. No segundo em que ele pisou no recinto, os olhos dourados dele varreram as mesas com precisão cirúrgica.

E travaram em mim.

Eu tentei erguer o livro ainda mais, fingindo demência, mas o magnetismo daquele olhar era quase físico. Lucas ignorou os amigos, que começaram a cochichar e rir entre si, e caminhou em linha reta na minha direção. Cada passo dele parecia fazer o chão vibrar.

Sem pedir licença, ele puxou a cadeira vazia bem na minha frente e se sentou, abrindo as pernas de um jeito folgado e jogando a jaqueta do time sobre o encosto. Ele colocou um copo de café fumegante bem em cima do meu livro aberto.

- O bloco de esportes fica do outro lado do campus, Lucas - falei, abaixando o livro e usando a minha melhor armadura de sarcasmo para disfarçar o fato de que meu coração estava quase quebrando minhas costelas. - Se perdeu no caminho ou esqueceu como se lê as placas?

Lucas deu um sorriso lento, predatório, que fez meu estômago dar um nó.

- Eu sei muito bem onde estou, Bia - a voz dele saiu rouca, mansa, mas carregada de uma intensidade que me fez engolir em seco. - E eu vim garantir que você não esquecesse da nossa conversa de ontem. Como está a sua asma?

- Eu não tenho asma. E você deveria estar na enfermaria cuidando da sua - rebati, tentando manter a voz firme.

Mas enquanto eu falava, o cheiro dele me atingiu. Cruzando a mesa, o aroma de floresta densa e tempestade que emanava do corpo dele invadiu o meu espaço de forma tão violenta que o meu bloqueador de odores simplesmente falhou. Minhas mãos começaram a tremer sob a mesa. Uma onda de calor subiu pelo meu pescoço, e eu tive a sensação absurda de que se ele se aproximasse mais um centímetro, eu perderia o controle das minhas próprias pernas.

Lucas percebeu. Os olhos dele dilataram por um milésimo de segundo, brilhando como ouro puro, e ele se inclinou sobre a mesa pequena, diminuindo a distância entre nós até que eu pudesse ver as listras douradas na íris dele.

- O professor de anatomia me deu os relatórios hoje cedo - ele sussurrou, a voz vibrando tão baixo que só eu podia ouvir. - E adivinha? Ele achou que seria uma excelente ideia nos colocar como dupla no grande projeto do semestre. Parece que vamos passar muitas tardes trancados naquele seu laboratório silencioso.

Meu cérebro entrou em pânico. Trabalhar com ele? No isolamento daquele bloco antigo? Nem pensar. Eu não ia sobreviver a uma semana com aquele homem testando os limites do meu corpo e da minha sanidade.

- Eu vou pedir para mudar de dupla - falei abruptamente, fechando o livro com força e me levantando da cadeira para fugir dali antes que eu desabasse.

Eu mal dei o primeiro passo para trás quando a mão dele se fechou ao redor do meu pulso.

Não foi um aperto doloroso, mas foi firme, implacável como uma algema de ferro quente. No segundo em que a pele dele tocou a minha, um choque elétrico correu pelo meu braço, fazendo meus joelhos fraquejarem. Lucas se levantou devagar, ficando absurdamente alto diante de mim, bloqueando a luz da cafeteria e me mantendo presa sob a sua sombra.

Ele se inclinou, a boca colada na lateral do meu pescoço, exatamente onde a minha pele ardia.

- Não adianta correr, Bia - ele sussurrou, e o hálito quente dele fez meu corpo inteiro estancar. - Eu posso ser péssimo em biologia... mas sou muito bom em caçar o que eu quero. Te vejo à tarde.

Ele soltou meu pulso com a mesma rapidez com que prendeu e se afastou, deixando um sorriso cínico brincar nos lábios enquanto voltava para o grupo de amigos.

Fiquei parada no meio da cafeteria, com o coração parecendo uma bateria desgovernada e o campus inteiro me encarando. Olhei para o meu pulso, que ainda formigava com o calor dele, sentindo uma certeza assustadora no peito: a caça dele tinha começado, e eu tinha acabado de virar a presa.

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