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Capa do romance As aventuras de Zahara Grant - Uma gênia perdida em New York

As aventuras de Zahara Grant - Uma gênia perdida em New York

Zahara Grant, uma gênia desastrada de 217 anos, nunca se sentiu parte de sua espécie. Filha do poderoso Ifrit, ela vive sob a sombra da insuficiência e do deboche alheio por não dominar sua magia. Para evitar o isolamento eterno em sua lâmpada e provar seu valor, Zara parte rumo ao mundo humano. Em Nova York, ela busca realizar sete desejos perfeitos para finalmente controlar seus poderes. Entre confusões e romances, Zahara inicia uma jornada de autodescoberta.
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Capítulo 2

‘Você chegou à segunda semana, já é uma vitória!’, pensou Zara, enquanto saia da escola com um grande sorriso no rosto.

Fazia duas semanas desde sua primeira aula e, apesar de não ter feito amigos, aquilo soava incrível para ela. A morena andava sem pressa e tinha um grande copo de milk-shake nas mãos, o havia conseguido com magia e isso a deixava animada, afinal, finalmente conseguiu um milk-shake na temperatura e sabor desejado, um grande avanço!

Estava mais habituada a comida e aos costumes, certamente encontrou sua bebida favorita, milk-shake de morango, não era tão bom quanto Taqsin, mas ela sempre gostou de morangos e adorava a sensação gelada aliada ao gosto doce e quase enjoativo.

As duas primeiras semanas passaram com velocidade e, apesar de ainda não ter encontrado ninguém de confiança para ajudá-la com seu “problema”, Zara estava se divertindo bastante com a vida escolar. Houve alguns incidentes, como quando ela acabou derrubando um composto químico num garoto e ele acabou na enfermaria com uma grave irritação na pele, porém, esses incidentes em nada ofuscavam a alegria estampada no rosto gentil e sorridente de Zara.

Estava tão imersa em sua felicidade pessoal que não ouviu o grito de cuidado vindo da sua direita, por isso, instantes depois, uma bola acertou em cheio sua cabeça, fazendo-a cair no chão e ficar ensopada de milk-shake. Tonta e meio desorientada, ela mal conseguiu responder quando uma garota entrou em seu campo de visão, perguntando a ela várias coisas que não entendeu.

— Acho que ela bateu com a cabeça — falou outra menina e, de repente, havia cinco ao redor da gênia, que ainda sentia seu mundo inteiro girar.

—Menina? Ei? Quantos dedos têm aqui?— perguntou uma delas e, finalmente, a visão de Zahara focou em algo.

—Dois...— respondeu, se sentando e vendo as garotas comemorarem, provavelmente um acidente mais grave traria consequências ao time de volei feminino.

— Está viva, isso já é muito bom! — Uma garota, que havia sentado ao seu lado, falou, ela tinha feições orientais, olhos pequenos e castanhos, cabelos extremamente escuros e curtos, ficando pouco acima de seus ombros, além disso era muito, muito alta. — Sou Seo Yun, desculpa pela bolada.

A menina exibia um sorriso sem graça e parecia verdadeiramente arrependida, isso fez a gênia abrir um pequeno sorriso também, procurando deixá-la mais confortável apesar da dor em sua cabeça. Ao observá-la melhor, Zara notou que ela, bem como as outras, tinha um ótimo porte físico e estava completamente suada, as bochechas estavam vermelhas pelo esforço e, mesmo sem graça, ela ainda conseguia fazer a jinn querer se encolher, era intimidante demais.

Todas vestia um tipo de uniforme esportivo nas cores da escola, verde e branco, que se resumia a uma camiseta larga e leve e um short igualmente soltinho, que permitia as jogadoras se movimentarem bem. Além disso, não havia nada de acessórios ou jóias, as garotas tinham os cabelos bem presos e longe do rosto e usavam tênis próprios para esporte.

— Eu que peço desculpas — ela falou, se levantando e sentindo tudo girar a sua volta, sendo amparada por uma outra menina. — Devia ter prestado mais atenção.

—Yun! — Uma garota, baixinha, com cabelos longos, ruivos e rebeldes, gritou, parecendo genuinamente furiosa. — Já é a segunda vez que você acerta alguém essa semana!

A oriental ficou envergonhada ao ser repreendida daquela forma na frente de todos e, quando estava próxima o bastante, a ruiva lhe deu um tapa no braço, fazendo Yun resmungar baixinho. A jinn ficou encantada com a sincronia, mesmo que oposta, que as duas meninas exalavam, enquanto a ruiva deixava um sermão, a outra tentava se manter séria enquanto alguém com metade da sua altura tentava chamar sua atenção.

— Foi sem querer Eliz... — tentou se justificar, contudo, Eliz já estava ao lado de Zara, avaliando seu estado.

—Você tá bem? — perguntou, visivelmente preocupada. — Sua roupa...— Eliz pareceu verdadeiramente triste ao notar o estado das roupas de Zara, completamente sujas de uma mistura de milk-shake de morango e grama.— Vem, vou te ajudar a se limpar, tenho uma blusa extra que posso te emprestar.

Zara estava assustada. Nunca havia recebido tanta atenção, ao menos não de forma positiva, de uma só vez. Isso a deixou paralisada e, com seu silêncio, Eliz ficou ainda mais preocupada e afoita, acreditando que a menina estava em choque ou algo parecido. Apesar de sentir vontade de recusar a ajuda, a morena se deixou ser guiada para o ginásio e, em seguida, para o vestiário feminino.

Enquanto caminhava, Zara observou Eliz com mais atenção ainda em silencio. A ruiva mantinha uma expressão preocupada, mas era tão pequena que, mesmo aparentemente brava, não inspirava medo algum. Vestia um vestido solto e com alças finas, era florido em um tom de amarelo que gerava um belo contraste, o que fez a jinn se admirar.

Lá dentro, Eliz entregou uma blusa sua, checou se ela não estava machucada e fez Yun se desculpar mais algumas vezes. Zahara somente as encarava, respondendo vez ou outra de forma tímida e, enquanto vestia a blusa de Eliz, observou a ruiva brigar novamente com a mais alta, apontando o dedo para ela e ficando completamente vermelha. Yun parecia não ter coragem alguma para revidar ou iniciar uma discussão, somente acatava as reclamações e pedia desculpas. No fim, Eliz estava mais chateada que a própria vítima da bolada.

Zahara achava engraçada a forma como as duas conversavam e, enquanto toda a discussão sustentada por Eliz acontecia, ela se ocupou em olhar a garota que, apesar de pequena, se mostrava muito brava. Tinha bochechas gordinhas e isso contribuía para sua aparência fofa e quase inofensiva, seus olhos eram tão expressivos que Zara finalmente conseguiu entender o que significava a frase que os humanos tanto falavam: “os olhos são a janela da alma”, no caso dela, eram mesmo, Zara podia ver a alma pura e gentil que ela tinha.

— Você quer uma carona para casa? — Eliz perguntou, se aproximando novamente. — Sou Elizabeth, mas me chamam de Eliz.

— Não precisam me dar carona, eu vou pedir um táxi — Zara respondeu, sorrindo para ambas. — Sou Zahara Grant, mas me chamem de Zara. Obrigado por me ajudarem.

— Não agradeça, foi o mínimo que eu poderia fazer. — Yun se aproximou, ainda um pouco envergonhada por conta do incidente. — Pode não aceitar a carona, mas, se quiser, podemos ir ao cinema juntas na próxima semana, assim te compenso por isso...

Zara estava pronta para recusar, mas olhou para o lado e viu os olhos claros de Eliz brilharem com animação e esperança, isso não a deixou reunir a coragem necessária para negar o convite.

— Podemos ver algum filme de super-heróis, você vai adorar! — Eliz reforçou, olhando-a com um ar pidão. — Vamos, por favor…

Mesmo que ainda não se sentisse tão a vontade para sair com humanos e tivesse medo de causar alguma confusão, ela não podia negar o convite, no fundo, bem no fundo, não queria o fazer. Sentia um misto de felicidade e nervosismo, as meninas pareciam tão animadas e empenhadas em convencê-las que fez um sentimento novo e até então desconhecido subir pelos pés da jinn e lhe aquecer as bochechas.

Então, com um suspiro e um pequeno sorriso, ela aceitou:

— Está bem, eu aceito o convite.

***

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