
Votos Quebrados, Um Espírito Inquebrável Surge
Capítulo 3
Ponto de Vista de Elisa Ferraz:
Caio, por uma fração de segundo, hesitou. Seus olhos, geralmente tão afiados e calculistas, piscaram com algo semelhante a apreensão quando me viu ali, irradiando uma calma fria e distante. Mas a hesitação desapareceu tão rápido quanto veio.
"O que você está fazendo aqui, Elisa?" Sua voz era um rosnado baixo, tingido de uma raiva que parecia desproporcional à situação. "Você está tentando arruinar meu evento? Fazer uma cena?"
Dei mais um passo à frente, estendendo o casaco de veludo preto. "Você esqueceu isso. Está frio lá fora." Minha voz estava firme, não traindo nenhum dos turbilhões que se agitavam dentro de mim. "Eu já estou de saída."
"Não se atreva", ele sibilou, seus olhos percorrendo a multidão de repórteres que ainda tiravam fotos, seus flashes momentaneamente ofuscantes. "Não se atreva a ir embora e me fazer parecer mal."
Antes que ele pudesse terminar, um copo de líquido âmbar, sem dúvida uísque, voou pelo ar, passando raspando pela minha cabeça. Ele se estilhaçou contra a parede atrás de mim, espirrando gotículas pegajosas e cacos afiados no meu cabelo e vestido de noite. Meu corpo recuou, mas minha expressão permaneceu impassível.
"O que você pensa que está fazendo, sua velha bruxa?!" Léo gritou, seu rosto contorcido de fúria, seu braço ainda em volta de Caio. "Tentando nos sabotar? Você está com ciúmes, não é? Porque Caio finalmente encontrou alguém que realmente se importa com ele, alguém que entende sua visão!"
Suas palavras rolaram por mim como água em vidro. Olhei para Caio, que agora confortava abertamente Léo, sua apreensão anterior completamente desaparecida, substituída por uma proteção feroz. Ele acariciava o cabelo de Léo, sussurrando garantias, enquanto eu ficava ali, encharcada de uísque, um espetáculo público.
Os dias que se seguiram se transformaram em um desfile monótono de humilhação pública. Caio nunca voltou para casa. Em vez disso, sua imagem, sempre com Léo, estava estampada em todas as redes sociais, em todas as colunas de fofoca. "Caio Dunn e Léo Hoffman: Uma História de Amor Acendida pela Inovação." A equipe de marketing de sua empresa, geralmente tão meticulosa, agora usava descaradamente o caso deles para promover o estilo de vida "Dunn Fitness" — um estilo de vida de juventude, vitalidade e, aparentemente, infidelidade.
Eu permaneci em silêncio. O que havia para dizer? Minha voz havia sido silenciada há muito tempo, primeiro por suas promessas, depois por suas traições e, finalmente, por meu próprio esgotamento.
Uma tarde, enquanto eu estava empacotando alguns dos meus materiais de arte, a campainha tocou. Abri e encontrei Léo parado ali, um sorriso de canto nos lábios, vestido com um moletom oversized de Caio, parecendo totalmente à vontade.
"O que você quer?" perguntei, minha voz desprovida de calor.
"Só queria ver como a velhinha estava", ele disse arrastado, seus olhos me percorrendo com desprezo. "Ouvi dizer que você não está lidando bem com a separação. Chorando no seu copo, estamos?"
Eu simplesmente levantei uma sobrancelha. "É só isso?"
"Ah, não", ele se aproximou, sua voz baixando para um sussurro teatral. "Caio me contou tudo. Como você nunca o satisfez, como você era sempre tão frígida na cama. Honestamente, Elisa, para uma mulher da sua idade, você realmente deveria ter aprendido um truque ou dois." Ele se inclinou, seu hálito quente contra minha orelha. "Ele disse que eu o fiz se sentir vivo de novo. Algo que você não faz há anos."
Uma risada estranha, quase histérica, borbulhou dentro de mim. Frígida? Insatisfeita? A audácia desse garoto, repetindo as palavras cruéis de Caio como um evangelho. Era quase cômico.
"Léo", eu disse, minha voz perigosamente suave, "você realmente acredita que algo disso está certo? Acabar com um casamento, humilhar alguém publicamente, tudo por... o quê? Uma emoção temporária? Um degrau na escada corporativa?"
Ele se endireitou, estufando o peito. "Amor é amor, Elisa. Você não entenderia. Você é apenas uma mulher amarga e ciumenta que não consegue segurar seu homem. Caio e eu temos uma conexão real. Uma conexão verdadeira." Ele se gabou, banhando-se em sua vitória percebida. "Além disso, o que há de errado em encontrar a felicidade? Você é apenas uma relíquia, Elisa. Ele te superou."
Olhei para ele, para sua arrogância juvenil, sua total falta de remorso. Meu estômago se revirou, não com raiva, mas com uma profunda repulsa. Essa era a profundidade de sua depravação, a total falência moral. Eu queria esbofeteá-lo, limpar aquele sorriso arrogante de seu rosto, mas minha criação, minha própria natureza, me conteve. A violência não era o meu caminho. Esse era o mundo dele, não o meu.
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