
Vingança: Um Casamento Cruel
Capítulo 3
Cinco anos se passaram.
Cinco anos em que Sofia viveu como uma prisioneira na mansão de Ricardo. Ele a manteve trancada, isolada do mundo, um troféu vivo de sua vingança.
Dia e noite, ele a torturava. A tortura não era apenas física, mas psicológica. Ele a forçava a ouvir os detalhes da queda de sua família, a descrever o medo nos olhos de seu pai, a imaginar o sofrimento de sua mãe.
Havia noites em que ele a tratava com uma gentileza calculada, trazendo-lhe doces ou um vestido novo, apenas para, no momento seguinte, rasgar o vestido e esmagar os doces sob seus pés, rindo de sua confusão e dor.
Ele a quebrava e a remendava, apenas para quebrá-la novamente.
Mas Sofia resistia. Ela se agarrava a uma promessa.
Antes de ser levada, sua mãe a abraçou e sussurrou em seu ouvido: "Viva, minha filha. Não importa o que aconteça, viva. Prometa-me que viverá por pelo menos cinco anos. Viva por mim."
Essa promessa era a única coisa que a mantinha sã. Era uma âncora em um mar de sofrimento. Cada dia que ela sobrevivia era uma pequena vitória, um ato de desafio contra o homem que queria destruí-la.
Então, algo inesperado aconteceu.
Sofia descobriu que estava grávida.
Apesar de Ricardo ser um eunuco, em uma de suas raras noites de "gentileza" distorcida, ele a forçou a deitar-se com um de seus guardas de confiança enquanto ele assistia, um ato supremo de humilhação. O guarda, aterrorizado, cumpriu a ordem.
A criança era um milagre improvável nascido do inferno.
Pela primeira vez em cinco anos, Sofia sentiu algo além de dor e resignação. Ela sentiu esperança. A criança era sua, somente sua. Um pedaço de vida que Ricardo não poderia corromper.
Ela escondeu a gravidez o máximo que pôde, usando roupas largas, evitando todos. Mas a notícia inevitavelmente chegou aos ouvidos de Ricardo, não por ela, mas por sua concubina, Isabel.
Isabel era uma mulher ciumenta e manipuladora, que via Sofia como uma ameaça constante à sua posição. A gravidez de Sofia era a ofensa final.
Uma noite, Ricardo invadiu o quarto de Sofia. Seus olhos queimavam de fúria. Isabel estava logo atrás dele, com um sorriso vitorioso no rosto.
"Como ousa?" , ele sibilou. "Como ousa carregar o filho de outro homem sob o meu teto?"
"Ele é seu filho também, de certa forma" , sussurrou Sofia, a mão protetoramente sobre a barriga de sete meses. "Você ordenou..."
"Cale a boca!" ele gritou. "Você acha que eu permitiria que um bastardo vivesse nesta casa? Que manchasse meu nome?"
Isabel se aproximou, sua voz era doce como veneno.
"Meu senhor, ela está tentando te enganar. Ela quer usar essa criança para garantir seu lugar aqui. Ela precisa ser punida."
O que aconteceu a seguir foi um borrão de dor e terror.
Ricardo a segurou enquanto dois médicos, trazidos por Isabel, a forçavam a beber uma poção amarga. Ela lutou, gritou, arranhou, mas a força dele era esmagadora.
A dor veio em ondas, excruciante, rasgando-a por dentro. Ela sentiu a vida de seu filho se esvaindo, uma agonia que superava qualquer tortura que Ricardo já lhe infligira.
Ela perdeu a consciência, o último som que ouviu foi a risada satisfeita de Isabel.
Sete dias depois, Sofia estava de pé no topo da Torre da Lua, o ponto mais alto do palácio.
O vento da noite chicoteava seus cabelos e suas roupas finas. Abaixo, a cidade brilhava, indiferente à sua dor.
A promessa de cinco anos para sua mãe havia sido cumprida. Seu filho estava morto. Não havia mais nada pelo que viver.
O desespero era uma calma fria em suas veias. Ela deu um passo em direção à beirada.
"SOFIA!"
Um grito desesperado cortou o ar.
Ela se virou. Ricardo estava correndo em sua direção, seu rosto pálido de pavor, uma emoção que ela nunca tinha visto nele antes.
"Não faça isso!" , ele ofegou, parando a poucos metros de distância.
Sofia olhou para ele, seus olhos vazios de qualquer sentimento.
"Por que não?" , ela perguntou, sua voz era um sussurro levado pelo vento. "Você já tirou tudo de mim."
Para seu completo espanto, Ricardo caiu de joelhos. O poderoso, o arrogante, o cruel Ministro do Tesouro se ajoelhou diante dela.
"Por favor" , ele implorou, a voz embargada. "Não pule. Fique. Eu te imploro."
Mas era tarde demais. As súplicas do homem que a destruiu não significavam mais nada.
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