
Vingança Queimou Mais Que Humilhação
Capítulo 3
Cinco anos se passaram. O nome de Ricardo foi gradualmente esquecido nos círculos sociais de São Paulo, tornando-se apenas a lembrança de um noivo humilhado. Mas no mundo dos negócios internacionais, o nome Ricardo Vasconcelos estava em ascensão. Ele não era mais o jovem apaixonado e submisso. Ele era um empresário implacável, conhecido por sua visão estratégica e por transformar filiais deficitárias da empresa de sua família em potências lucrativas. Ele estava mais forte, mais duro, mais rico. E ele não estava mais sozinho.
O casamento arranjado com Camila Medeiros, que começou como um contrato frio, floresceu em algo inesperado. No silêncio e na distância de uma terra estrangeira, eles encontraram um no outro um porto seguro. Descobriram um respeito mútuo que se transformou em amizade, e a amizade, em um amor profundo e verdadeiro. Camila não era como Sofia. Ela era inteligente, independente, forte e, acima de tudo, gentil. Ela via Ricardo por quem ele era, não pelo que ele podia oferecer. Eles construíram uma vida juntos, uma família. Tinham uma filha de quatro anos, a pequena Laura, que era a luz dos olhos de Ricardo.
Agora, pela primeira vez em cinco anos, ele estava de volta ao Brasil. A empresa o enviara para liderar um novo e massivo projeto em São Paulo. Ao mesmo tempo, Camila, agora Dra. Camila Vasconcelos, uma das mais renomadas cardiologistas do país, viera para realizar uma cirurgia cardíaca complexa e rara no principal hospital da cidade. A vida deles estava interligada de uma forma que Ricardo jamais imaginara ser possível.
Naquela tarde, Ricardo decidiu surpreender a esposa. Ele sabia que a cirurgia tinha sido longa e cansativa, então ele mesmo preparou o almoço favorito dela e foi até o hospital para entregá-lo. Ele vestia roupas casuais, uma calça jeans e uma camiseta simples, o conforto sendo sua única prioridade. Ele não tinha mais nada a provar para ninguém em São Paulo.
Enquanto caminhava pelo corredor movimentado do hospital, segurando a bolsa térmica com cuidado, uma voz estridente e familiar o fez parar.
"Não acredito! Ricardo? É você mesmo?"
Ricardo se virou lentamente. Parada ali, com um sorriso de escárnio no rosto, estava Sofia. Ela estava diferente, o tempo não fora tão gentil com ela. Havia uma dureza em seu olhar e linhas de amargura ao redor da boca, mas a arrogância era a mesma. Ao lado dela, estavam duas de suas antigas amigas, as mesmas que zombavam dele no passado.
"Sofia", ele disse, a voz neutra, um aceno de cabeça educado.
A surpresa inicial de Sofia rapidamente se transformou em um ar de superioridade. Ela o olhou de cima a baixo, notando suas roupas simples e a bolsa térmica em sua mão. Para ela, a imagem era clara: Ricardo havia fracassado. Ele provavelmente trabalhava como entregador ou em algum emprego de baixo nível. A ideia a encheu de um prazer perverso.
"Ricardo! Quanto tempo! O que você faz aqui? Veio visitar algum parente doente?", ela perguntou, o tom falsamente preocupado.
"Não", ele respondeu simplesmente, sem oferecer mais informações. Ele queria apenas entregar o almoço para Camila e ir embora. Não tinha tempo nem paciência para aquele reencontro.
"Ah, entendi", disse uma das amigas, rindo. "Você está trabalhando. Fazendo entregas? Que interessante. Pelo menos é um trabalho honesto, não é?"
Sofia sorriu, um sorriso presunçoso. Ela ainda acreditava que Ricardo a amava, que ele havia passado os últimos cinco anos sofrendo por ela. Em sua mente egocêntrica, o retorno dele a São Paulo só podia significar uma coisa: ele estava de volta por ela. Ele finalmente entendera seu erro e viera implorar por seu perdão.
"Olha, Ricardo", disse Sofia, aproximando-se, o tom agora condescendente, como se estivesse falando com uma criança. "Eu sei que deve ter sido difícil para você. Eu imagino que você tenha pensado muito em mim nesses anos todos."
Ricardo a encarou, um sentimento de incredulidade se misturando com o nojo. Como ela podia ser tão delirante? Ele olhou para o rosto dela, o mesmo rosto que ele um dia amou, e não sentiu absolutamente nada. Apenas um vazio.
Ele permaneceu em silêncio, o que Sofia interpretou como uma confirmação.
"Não se preocupe", ela continuou, dando um tapinha em seu braço. "Eu vejo que as coisas não foram fáceis para você. Mas talvez... talvez a gente possa conversar. Quem sabe? Se você se esforçar um pouco, talvez eu possa te dar uma segunda chance."
As amigas dela riram abertamente. "Sofia, você é tão generosa!", disse uma. "Depois de como ele te abandonou naquele momento tão difícil!"
Ricardo sentiu uma onda de repulsa. Eles realmente acreditavam naquela mentira? Que ele era o culpado? Ele olhou para a bolsa térmica em sua mão. Dentro dela estava a comida que ele preparara com amor para sua esposa, a mulher que o curou, que construiu um império ao seu lado. E ali estava seu passado, podre e delirante, tentando arrastá-lo de volta para a lama.
Seu silêncio e sua expressão fria não abalaram a confiança de Sofia. Para ela, era apenas a prova de que ele estava envergonhado de sua situação, intimidado por sua presença. A farsa que ela construiu em sua mente era mais real para ela do que a própria realidade. Ela não tinha ideia de com quem estava falando. Não mais.
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