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Capa do romance Vingança Que Ninguém Esperava

Vingança Que Ninguém Esperava

Sofia planejava uma viagem romântica quando o noivo, Pedro, mentiu sobre a saúde da mãe para cancelar o plano. Ao descobrir que a sogra falecera meses atrás, ela flagrou Pedro em uma festa com a empregada, Clara, na própria casa. Humilhada e agredida diante de todos, Sofia revelou a farsa: casados há dez meses, ele mantinha uma amante há um ano. Agora, ela retomará tudo o que financiou, deixando o traidor sem nada além da própria miséria.
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Capítulo 2

As malas já estavam prontas ao lado da porta, um lembrete silencioso das férias que eu tanto esperava. O sol da tarde entrava pela janela da sala, iluminando a poeira que dançava no ar, e eu sentia uma agitação feliz no peito. Eu e Pedro, meu noivo, finalmente tiraríamos um tempo só para nós, uma viagem prometida há meses. Olhei para o celular, esperando a mensagem dele a qualquer momento, avisando que estava a caminho para me buscar.

Em vez de uma mensagem, o telefone tocou. Era ele.

"Oi, amor! Já estou saindo, você está pronto?" , perguntei, tentando conter a empolgação na voz.

Do outro lado da linha, um silêncio pesado. Depois, a voz de Pedro soou cansada, quase arrastada.

"Sofia, amor, aconteceu uma coisa."

Meu sorriso desapareceu.

"O que foi? Aconteceu alguma coisa com você?"

"Não, não, comigo está tudo bem. É a minha mãe. Ela não está passando bem, tive que vir para o hospital às pressas. O médico disse que é sério."

Senti uma pontada de decepção, mas a preocupação logo tomou conta. A mãe dele sempre tinha sido uma figura distante na nossa relação, mas ainda assim era a mãe dele.

"Meu Deus, Pedro. Mas ela vai ficar bem? Em que hospital vocês estão? Eu posso ir até aí."

"Não precisa, Sofia. É melhor você não vir. Está uma confusão aqui, e eu não quero te preocupar. Infelizmente, vamos ter que cancelar a viagem. Eu sinto muito mesmo."

A decepção voltou, mais forte desta vez.

"Cancelar? Mas já estava tudo pago, os hotéis, os voos…"

"Eu sei, amor, eu sei. Mas família é prioridade, você entende, não é? Eu preciso ficar aqui com ela. Eu te ligo mais tarde, tá bom? Beijo."

Ele desligou antes que eu pudesse responder. Fiquei parada no meio da sala, o telefone ainda na mão, olhando para as malas. A desculpa parecia plausível, até nobre. Família em primeiro lugar. Mas algo na voz dele, um tom apressado, quase evasivo, não me pareceu certo. Um pequeno detalhe, uma lembrança incômoda, começou a se formar na minha mente.

Decidi sentar no sofá e respirar fundo. Talvez eu estivesse sendo paranoica. Mas a sensação ruim não passava. Abri meu notebook, movida por um impulso que eu não conseguia explicar. Digitei o nome completo da mãe de Pedro na barra de busca. Eu só queria confirmar algo, qualquer coisa que acalmasse meu coração.

Os primeiros resultados eram perfis antigos de redes sociais, nada de mais. Mas então, um link me chamou a atenção. Era um obituário de um site de notícias local da cidade natal dele.

Cliquei.

A página carregou, e uma foto antiga da senhora sorridente apareceu na tela. E logo abaixo, o texto que fez meu mundo parar.

"É com pesar que comunicamos o falecimento de… ocorrido há três meses."

Três meses.

A mãe de Pedro havia morrido há três meses.

O ar pareceu ficar rarefeito. Eu li a notícia de novo e de novo, mas as palavras não mudavam. A mentira era tão descarada, tão cruel, que eu mal conseguia processar. O hospital, a doença grave, a preocupação… tudo era falso.

A dor da traição me atingiu como um soco no estômago. Mas a dor rapidamente deu lugar a uma raiva fria e cortante. Se ele não estava com a mãe, onde ele estava? E por que mentir de forma tão absurda?

Meu instinto me disse para olhar as redes sociais. Não as dele, ele era cuidadoso demais. Mas as dos amigos dele, dos conhecidos em comum. Nada. Então, tive uma ideia. Lembrei-me de Clara, a filha da nossa empregada, Dona Alice. Uma jovem que sempre me olhou com uma inveja mal disfarçada. Abri o perfil dela.

Era público.

E a primeira foto que vi, postada há menos de uma hora, foi a confirmação de tudo.

A foto era na minha casa. Na nossa casa. No fundo, eu reconhecia o papel de parede da nossa sala, o sofá que eu mesma escolhi. Havia balões e um bolo sobre a mesa de centro. E no meio de um grupo de jovens sorridentes, estava Pedro.

E nos braços dele, aninhada como se aquele fosse o seu lugar no mundo, estava Clara. Ela usava um vestido de festa e uma coroa de "aniversariante" . A legenda da foto dizia: "A melhor festa surpresa de todas! Obrigada ao meu amor, Pedro, por fazer meu dia tão especial!"

A imagem era nítida. A intimidade entre eles era inegável. O braço dele em volta da cintura dela, o sorriso presunçoso no rosto dele, o olhar vitorioso dela.

A festa de aniversário da filha da empregada. Na minha casa. Com o meu noivo. Enquanto eu esperava por uma viagem que nunca aconteceria, lamentando por uma mulher que já estava morta.

A raiva que eu senti era diferente de tudo que eu já havia experimentado. Não era quente e explosiva. Era fria, pesada e terrivelmente lúcida. Eu não chorei. Eu não gritei.

Eu apenas fechei o notebook, levantei-me, peguei as chaves do carro e saí. Eu ia até a minha casa. E eu ia acabar com aquela festa.

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