
Vingança Que Ninguém Esperava
Capítulo 3
Dirigi pelas ruas da cidade com uma calma assustadora. Minhas mãos estavam firmes no volante, meus olhos fixos na estrada. Cada semáforo vermelho parecia uma tortura, um atraso desnecessário para o confronto que eu sabia ser inevitável. Por dentro, um turbilhão de emoções se chocava: humilhação, raiva, uma dor profunda. Mas por fora, eu era uma estátua de gelo.
Ao virar na rua da minha própria casa, já pude ouvir a música alta vazando pelas janelas. Estacionei o carro do outro lado da rua, em um local escuro, e fiquei observando por alguns instantes. Luzes coloridas piscavam lá dentro. Sombras de pessoas dançando se projetavam nas cortinas. A minha casa, o meu refúgio, tinha sido transformada no palco da minha humilhação.
Desci do carro e caminhei lentamente até a porta da frente. Não toquei a campainha. Usei minha própria chave. A porta se abriu com um clique suave, que ninguém lá dentro ouviu por causa do som alto.
Parei no hall de entrada, invisível para a multidão na sala de estar. A cena era ainda pior ao vivo. Havia umas vinte pessoas ali, todos amigos de Clara, jovens rindo e bebendo. E no centro de tudo, como reis em seu trono, estavam Pedro e Clara.
Ele a segurava pela cintura enquanto eles dançavam lentamente, no meio da sala, ignorando a batida eletrônica da música. Ele sussurrou algo no ouvido dela, e ela riu, jogando a cabeça para trás. Então, no clímax da minha dor, ele a beijou.
Não foi um selinho. Foi um beijo longo, apaixonado, enquanto os amigos deles gritavam e aplaudiam em aprovação. "VIVA O CASAL!" , alguém berrou.
Naquele momento, algo dentro de mim se quebrou. A calma fria se estilhaçou, dando lugar a uma fúria pura e incandescente.
Comecei a andar na direção deles. Eu não corri. Meus passos eram firmes, deliberados. As pessoas começaram a me notar, abrindo caminho, seus sorrisos curiosos se transformando em confusão ao verem a expressão no meu rosto.
Pedro foi o último a me ver. Ele ainda tinha os lábios nos de Clara quando seus olhos se abriram e encontraram os meus.
O choque em seu rosto foi quase satisfatório. Ele empurrou Clara para o lado, a boca aberta para dizer algo, mas nenhuma palavra saiu. Seus olhos se arregalaram em pânico, como um animal pego em uma armadilha.
Eu não parei até estar bem na frente dele. O mundo pareceu ficar em câmera lenta. Levantei minha mão.
E o som do meu tapa estalou no ar, mais alto que a música.
"Pá!"
A cabeça dele virou com o impacto.
O silêncio caiu sobre a sala. A música pareceu parar no mesmo instante, como se o DJ tivesse visto a cena e cortado o som. Todos os olhos estavam em nós.
Eu não hesitei. Levantei a outra mão e dei um segundo tapa, com ainda mais força, no outro lado do rosto dele.
"Pá!"
Desta vez, ele cambaleou para trás, a mão no rosto, a marca vermelha dos meus dedos começando a aparecer em sua pele. Ele me olhava com uma mistura de choque, medo e raiva.
A festa tinha acabado. E o meu show estava apenas começando.
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