
Vingança em Melodia
Capítulo 3
O silêncio no salão era pesado, quebrado apenas pela respiração chocada dos convidados. Joana, pega de surpresa, rapidamente mudou sua tática. As lágrimas começaram a brotar em seus olhos, seu rosto se contorcendo em uma máscara de mágoa e inocência ofendida.
"Maria, como você pode dizer uma coisa dessas?" , ela soluçou, sua voz embargada. "Eu nunca faria isso! Eu te admiro mais do que a qualquer pessoa no mundo. Eu só estava... só estava segurando isso para o técnico. É um backup!"
Ela olhou ao redor, buscando a simpatia da multidão.
"Por que você está me acusando assim na frente de todo mundo? Eu sou sua irmã!"
Alguns convidados começaram a murmurar, parecendo confusos. A imagem de Joana, a irmã mais nova e devotada, em lágrimas, era convincente. Maria, por outro lado, parecia fria e implacável.
Mas Maria não se abalou. Ela conhecia aquele teatro. Tinha visto Joana usá-lo por anos para conseguir o que queria, para se fazer de vítima.
"Sua admiração é uma mentira tão grande quanto a sua lealdade" , respondeu Maria, sua voz firme e sem emoção. "Você não é uma criança indefesa, Joana. Você é uma mulher ambiciosa que não se importa em destruir a própria família para chegar ao topo."
Ela se virou para o técnico de som, que estava encolhido perto da mesa, pálido como um fantasma.
"Você" , disse Maria, apontando para ele. "Diga a verdade. Ela te pediu para trocar os arquivos, não pediu?"
O homem engoliu em seco, olhando de Maria para Joana.
"Eu... eu não..."
"Não minta para mim" , a voz de Maria era baixa, mas carregada de uma ameaça sutil. "Sua cumplicidade nisso pode acabar com a sua carreira. A minha palavra contra a sua. Quem você acha que a gravadora vai acreditar?"
O suor brotou na testa do técnico. Ele olhou para o rosto desesperado de Joana e depois para os olhos frios e determinados de Maria. Ele fez sua escolha.
"Sim... sim, ela pediu" , ele admitiu em voz baixa, mas todos ouviram. "Ela me deu este drive e disse para substituir a faixa três. Disse que era uma versão masterizada de última hora."
Um suspiro coletivo percorreu o salão. A mentira de Joana foi exposta. Seu rosto se contorceu de raiva e pânico.
"Ele está mentindo! Maria, você o forçou a dizer isso!" , gritou Joana, desesperada.
"Chega de mentiras" , disse Maria, sua paciência finalmente se esgotando. Ela se aproximou de Joana, que recuou um passo. "Você não vai manchar meu nome. Não desta vez."
Maria estendeu a mão para o segurança mais próximo.
"Tirem-na daqui. E garantam que ela não chegue perto de nenhum equipamento de áudio ou da imprensa."
O segurança hesitou, olhando para o pai de Maria, que observava tudo de longe, chocado.
"Façam o que eu digo!" , ordenou Maria, sua voz ecoando com uma autoridade que ninguém jamais tinha ouvido dela.
Os seguranças começaram a se mover em direção a Joana, que olhava ao redor em pânico, suas lágrimas agora reais, lágrimas de fúria e humilhação.
Foi então que uma voz masculina se interpôs.
"Maria, já chega!"
Um homem alto e bem-vestido abriu caminho pela multidão. Era André, o noivo de Maria, um advogado promissor de uma família influente. Ele parou entre Maria e Joana, colocando-se como um protetor para a irmã mais nova.
"Olhe o que você está fazendo" , disse André, com o rosto franzido em desaprovação. "Humilhando sua própria irmã em público. Isso é cruel e desnecessário. O que quer que tenha acontecido, poderia ser resolvido em particular."
Joana imediatamente correu para o lado dele, agarrando seu braço como se fosse uma tábua de salvação.
"André, ela está louca! Ela está me acusando de coisas horríveis!" , soluçou.
Maria olhou para o homem que deveria estar ao seu lado, defendendo-a. Em sua vida anterior, André foi um dos primeiros a se afastar dela quando o escândalo estourou, preocupado com sua própria reputação. Vê-lo agora, defendendo a mulher que a destruiu, acendeu uma nova chama de fúria em seu peito.
"Cruel, André?" , ela questionou, com um riso amargo. "Cruel é o que ela planejava fazer comigo. E você, em vez de me apoiar, está defendendo a culpada? Saia do meu caminho."
O rosto de André endureceu. Ele se sentiu desafiado, sua autoridade questionada.
"Eu não vou sair. Você está agindo como uma criança mimada e ciumenta. Joana te ama, ela nunca faria mal a você. Peça desculpas a ela agora mesmo."
A audácia do pedido deixou Maria sem palavras por um segundo. Pedir desculpas? Para a sua quase-assassina?
André viu seu silêncio como hesitação e pressionou ainda mais.
"Pense na sua imagem, Maria. Na nossa imagem. Somos um casal. Em breve, seremos uma família. Um escândalo como este, causado por seu próprio temperamento, pode prejudicar a nós dois. A minha carreira, a sua. Você quer jogar tudo fora por causa de um mal-entendido bobo?"
Ele usou a ameaça velada, o lembrete de tudo o que ela tinha a perder. O casamento, o status, a reputação. Era a mesma chantagem emocional que ele sempre usava.
Mas esta não era a mesma Maria que ele conhecia. Aquela Maria estava morta.
Ela olhou para a mão dele no braço de Joana, para o olhar presunçoso em seu rosto, e tomou uma decisão.
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