
Vingança de Sofia: Um Amor Proibido
Capítulo 3
O rosto da minha mãe, Beatriz, contorceu-se em uma máscara de fúria e pânico.
"Seguranças! Tirem essa louca daqui agora!" ela gritou, a voz estridente quebrando o silêncio atordoado do salão. "Ela não é minha filha! Minha filha é Juliana!"
Alguns convidados começaram a cochichar, lançando-me olhares de desprezo e pena.
"Coitada da Beatriz, ter que lidar com uma parente invejosa e desequilibrada."
"Eu ouvi dizer que ela passou anos isolada na fazenda. Deve ter perdido o juízo."
"Que vergonha! Invadir o casamento da prima desse jeito. Que tipo de monstro faz isso?"
As palavras deles não me atingiram. Eram apenas ruídos de fundo. Meu foco estava nos três rostos que me traíram. Minha mãe, meu pai e Juliana, que ainda estava no chão, soluçando dramaticamente.
Meu pai, Alberto, se recompôs mais rápido. Seu rosto pragmático e calculista se firmou. Ele se aproximou de mim, desta vez sem uma taça na mão, mas com a mesma intenção sinistra nos olhos.
"Sofia, já chega," ele disse em um tom baixo e ameaçador. "Você está causando uma cena. Vamos para casa e resolver isso em particular."
"Casa?" Ri, um som seco e sem alegria. "Que casa? A casa que vocês deram para ela?" Apontei para Juliana.
Alberto cerrou os punhos. Ele olhou em volta, vendo os olhares curiosos dos convidados, incluindo o pai de Ricardo, um homem cuja aliança de negócios ele cobiçava desesperadamente. Ele não podia perder o controle ali.
Ele fez um sinal discreto para um garçom. O homem se aproximou rapidamente com uma bandeja. Nela, uma única taça de vinho tinto. A mesma taça. O mesmo veneno falso.
"Beba isso," meu pai disse, sua voz um pouco mais suave, tentando parecer razoável. "Você está claramente abalada. Isso vai te ajudar a se acalmar."
Desta vez, eu não recusei.
Peguei a taça da bandeja, meus olhos fixos nos dele. Vi um lampejo de alívio em seu rosto. Ele achava que eu tinha cedido. Ele achava que tinha vencido.
Levei a taça aos lábios sob o olhar atento de todos. "Já que insistem tanto," eu disse, com um pequeno sorriso. "Um brinde. À família."
Esvaziei a taça em um único gole. O líquido era amargo, com um gosto químico que eu não tinha notado da primeira vez. Era um sonífero poderoso, exatamente como a voz em minha mente havia dito. O plano deles era me drogar e me levar para o palácio.
Meu "assassinato" pela minha mãe foi um ato de desespero quando o plano original falhou. Mas agora, eu estava colocando o plano de volta nos trilhos. O plano deles, mas com os meus termos.
Entreguei a taça vazia de volta ao garçom. Meus pais me observavam, esperando.
Eu lhes dei o que eles queriam.
Cambaleei para a frente, minhas pálpebras tremendo. Levei a mão à garganta, fingindo engasgar.
"O... o que era isso?" murmurei, minha voz fraca.
"Sofia!" minha mãe gritou, correndo para o meu lado, desempenhando perfeitamente o papel de parente preocupada. Era uma performance digna de um prêmio.
Caí de joelhos, o mundo começando a girar de verdade agora. O sonífero era rápido.
"Ela desmaiou!" meu pai anunciou para a multidão. "A pobre coitada deve estar exausta. Vamos levá-la para descansar."
Dois seguranças, que antes estavam prontos para me arrastar para fora, agora me levantavam com cuidado. Enquanto me carregavam para fora do salão, vi os rostos dos meus pais por cima do ombro deles.
Eles não pareciam preocupados. Pareciam satisfeitos.
"Livrem-se dela," ouvi minha mãe sussurrar para o meu pai, achando que eu já estava inconsciente. "Certifique-se de que os homens do palácio a levem para longe. Não quero nunca mais ver o rosto dela."
Meu pai assentiu, seu rosto sombrio. "O acordo está feito. Ela será a rainha deles, e nós teremos o poder e a influência que merecemos. Juliana garantirá nossa posição na sociedade através de Ricardo. Tudo está como deveria ser."
A escuridão me envolveu, mas desta vez, não era assustadora. Era parte do plano. Meu plano.
Fui carregada por uma porta dos fundos, para um beco escuro. Os seguranças me colocaram no banco de trás de um carro preto sem identificação. Nenhum deles falou uma palavra.
O carro partiu em silêncio. Fiquei deitada, fingindo estar completamente apagada, mas mantive meus olhos ligeiramente abertos, observando a cidade passar pela janela.
Depois de uns vinte minutos, o carro parou em uma área industrial deserta. Vi meu pai sair de seu próprio carro e se aproximar de uma figura alta e imponente que esperava nas sombras.
Mesmo à distância, reconheci o selo real no casaco do homem. Era um dos guardas de elite do Rei.
"Está feito," disse meu pai ao guarda. "Ela está no carro. Inconsciente."
O guarda não disse nada. Apenas entregou ao meu pai uma maleta de couro. Meu pai a abriu. Mesmo na penumbra, vi o brilho das barras de ouro lá dentro.
"Este é o primeiro pagamento," disse o guarda, sua voz grave e sem emoção. "O resto virá após o casamento real. Lembre-se, Alberto, a partir de agora, Sofia não existe mais. Ela é propriedade do Rei. Qualquer tentativa de contato será considerada traição."
"Entendido," meu pai respondeu, fechando a maleta. "Ela nunca foi nada além de um obstáculo. Agora, ela finalmente tem alguma utilidade."
Ele se virou e foi embora, sem nem mesmo olhar uma última vez para o carro onde sua filha estava.
O guarda entrou no banco do motorista do meu carro e partiu em outra direção. O silêncio era pesado. Eu sabia que estava sendo levada para o palácio. Para o meu novo destino.
Fechei os olhos, deixando o sonífero finalmente me levar. A vingança estava em andamento. Meus pais pensaram que tinham me vendido para garantir seu futuro. Eles não tinham ideia de que tinham acabado de me entregar a coroa e a espada que eu usaria para destruí-los.
A próxima vez que eu acordasse, não seria mais Sofia, a herdeira traída.
Eu seria a Rainha.
E meu reinado começaria com fogo e sangue.
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