
Vingança da Sacerdotisa Renascida
Capítulo 2
Luna, a última sacerdotisa da Ordem Mística, sentia o peso de mil anos em seus ombros. O Grande Salão estava lotado, os nobres do império sussurravam atrás de seus leques e taças de vinho, com os olhos fixos nela. Todos aguardavam o Ritual de Ligação Espiritual, a cerimônia que ela, e somente ela, poderia conduzir. Uma profecia antiga ditava que seu poder escolheria o futuro líder do reino, o próximo Imperador.
Ela se lembrava da última vez que esteve aqui, neste mesmo lugar, com o coração transbordando de um amor tolo e cego. Naquela vida, ela amava o Príncipe Kael com a força de um milhão de sóis. Por ele, ela traiu seu juramento, manipulou a magia sagrada e torceu o fio do destino. Ela o colocou no trono.
A recompensa por sua devoção foi uma traição que queimou mais do que qualquer fogo.
No dia da coroação de Kael, ele a arrancou de seu posto. Ele a despojou de seu título, de sua honra e de seu poder. Ele ordenou a aniquilação de sua ordem, o massacre de suas irmãs sacerdotisas, cujos gritos ainda ecoavam em seus pesadelos. Luna foi arrastada para as masmorras, torturada até sua mente se quebrar, e transformada em um fantoche amaldiçoado, forçada a assistir ao sofrimento de seu povo sob o reinado tirânico do homem que ela elegeu.
Mas os deuses, ou talvez o próprio destino, lhe deram uma segunda chance. Ela acordou novamente com dezoito anos, no dia fatídico do ritual. O trauma de sua vida passada estava gravado em sua alma, um lembrete frio e constante do preço da paixão.
Desta vez, não haveria amor. Não haveria manipulação. Haveria apenas dever.
Ela decidiu seguir o caminho traçado pelos antigos, permitir que o ritual fluísse sem sua interferência. Que o destino escolhesse o verdadeiro herdeiro, o Príncipe Elias, um homem que ela mal conhecia, mas que, segundo os registros de sua ordem, representava a única esperança de um futuro pacífico para o reino.
O ritual começou. O Orbe do Destino, uma esfera de cristal pulsante, foi colocado no centro do altar. Ele refletiria a verdadeira natureza de cada candidato.
"Que os príncipes se apresentem," a voz de Luna soou, clara e fria, desprovida de qualquer emoção.
O segundo príncipe, um homem conhecido por sua ganância, tocou o orbe. A esfera brilhou com uma fraca luz amarela, revelando imagens de moedas de ouro e contratos injustos. Ele recuou, envergonhado.
O terceiro príncipe, um general brutal, fez o orbe brilhar com um vermelho-sangue, mostrando cenas de batalhas cruéis e desnecessárias.
O quarto príncipe nem sequer conseguiu fazer o orbe reagir, sua alma era tão vazia e insignificante.
A multidão murmurava, a decepção pairando no ar. O Imperador, sentado em seu trono elevado, suspirou pesadamente, seu rosto uma máscara de desapontamento com seus filhos.
Foi então que as grandes portas do salão se abriram com um estrondo.
O Príncipe Kael entrou. Ele não andava, ele desfilava, a arrogância emanando de cada poro. Ele estava atrasado, um sinal claro de seu desrespeito pela cerimônia sagrada, mas seu rosto não mostrava um pingo de remorso. Ele era o primeiro príncipe, o favorito da Imperatriz, e agia como se o mundo lhe pertencesse.
Seu olhar encontrou o de Luna, e um sorriso presunçoso curvou seus lábios. Ele também se lembrava. Em sua arrogância, Kael acreditava que era o único renascido, o único digno. Ele acreditava que a história se repetiria, que o amor dela por ele era uma constante universal, tão certa quanto o nascer do sol.
Ele caminhou diretamente para o altar, ignorando a ordem estabelecida.
"Luna," ele disse, sua voz alta o suficiente para que todos ouvissem. "Não há necessidade de prolongar esta farsa. Nós dois sabemos quem o destino escolheu. Complete o ritual. Me escolha."
Sua exigência era um tapa na cara da tradição, um insulto à ordem mística e a tudo que ela representava. Luna o encarou, seu rosto impassível. O amor que ela sentiu por ele uma vez era agora apenas cinzas frias em seu coração. Ela não sentia nada além de um desprezo gelado.
"A tradição deve ser seguida, Alteza," ela respondeu, sua voz firme. "O Orbe do Destino decide. Não eu."
A irritação brilhou nos olhos de Kael, mas ele a disfarçou rapidamente com um sorriso condescendente. O jogo havia começado.
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