
Vingança da Sacerdotisa Renascida
Capítulo 3
"Como quiser, sacerdotisa," Kael disse com um encolher de ombros displicente, como se estivesse fazendo um favor a ela ao seguir as regras. Ele se aproximou do Orbe do Destino, a confiança irradiando dele. Ele colocou a mão na esfera de cristal, esperando a explosão de luz dourada que confirmaria sua realeza.
E por um momento, a luz veio. Uma luz ofuscante, brilhante e intensa preencheu o salão, fazendo a multidão ofegar em admiração. Kael sorriu, um sorriso de pura vitória. Ele olhou para Luna, seus olhos dizendo: "Viu? Eu sou inevitável."
"O poder reconhece seu mestre," ele declarou em voz alta, saboreando o momento. "Agora, Luna, termine com isso. Declare-me o príncipe herdeiro."
Ele a tratava como uma serva, um mero instrumento para sua ascensão. A antiga Luna teria se derretido com sua atenção, feliz em ser a ferramenta que o levasse à glória. A nova Luna apenas o observava com uma frieza cortante.
No meio da multidão, uma mulher vestida com elegância fingiu um desmaio.
"Oh, Kael! Sua magnificência... é demais para mim!"
Era Seraphina, a cantora de ópera por quem Kael era obcecado, a mulher por quem ele a havia descartado na vida passada. Ela também renascera, e sua atuação era tão calculada quanto venenosa. Seu falso mal-estar era projetado para solidificar a imagem de Kael como uma figura de poder avassalador.
Kael se virou para ela, seu rosto se suavizando com uma falsa preocupação. Nesse exato momento, a luz brilhante do Orbe vacilou. A cor dourada intensa começou a se misturar com finos fios de fumaça negra, uma corrupção que só os olhos mais atentos podiam ver.
A mudança foi sutil, mas Kael sentiu. Sua cabeça se virou bruscamente para Luna, a raiva distorcendo suas feições.
"O que você está fazendo?" ele rosnou, sua voz um sibilo baixo e perigoso. "Está tentando me sabotar? Depois de tudo que tivemos?"
A Imperatriz, sua mãe, levantou-se de seu assento. "Sacerdotisa! Como ousa interferir com o destino de meu filho? Sua ordem já é uma sombra do que foi. Tenha cuidado para não ofender a futura família imperial."
Luna baixou a cabeça, escondendo o desprezo em seus olhos.
"Minhas desculpas, Alteza. Talvez meu poder esteja instável hoje," ela disse, sua voz um murmúrio de falsa submissão. Ela estava jogando o jogo dele, por enquanto.
Kael, vendo Seraphina "sofrer" por ele, decidiu que já tinha sua vitória. Ele era o único que tinha feito o Orbe brilhar tão intensamente. O resto era mera formalidade.
"Eu vou cuidar de Seraphina," ele anunciou, caminhando até sua amante e a pegando em seus braços de forma dramática. "Voltarei para a minha coroação. Prepare tudo, Luna."
Ele saiu do salão como um rei conquistador, com Seraphina aninhada em seus braços, lançando um olhar triunfante para Luna por cima do ombro de Kael.
No momento em que eles cruzaram a soleira da porta, a luz no Orbe do Destino se apagou completamente. Por um segundo, houve apenas escuridão. Então, a esfera se encheu de uma cor vermelha doentia, a cor de sangue coagulado e traição. Dentro do cristal, imagens fugazes de fogo, morte e desespero dançaram como fantasmas - a verdade nua e crua da alma de Kael, a ruína que ele traria para o reino.
O salão ficou em um silêncio chocado. O Imperador se levantou, seus olhos fixos no orbe escurecido, sua mandíbula cerrada em fúria. A verdade, por mais feia que fosse, fora revelada.
---
Você pode gostar





