
Vingança da Herdeira Arruinada
Capítulo 2
Esta foi a minha nonagésima nona tentativa de suicídio.
Falhou novamente.
Quando prometi a Pedro que não teria mais pensamentos suicidas, ele acariciou minha cabeça com satisfação.
Não era por pena de mim.
Era porque meu corpo abrigava um coração que seria transplantado para sua amada de infância, Sofia.
E também porque, em meu ventre, crescia o filho dele.
Um filho que ele usaria para se vingar da minha família.
"Luana, sua família Silva me deve, por que você não entende?" A voz de Pedro era fria, sem qualquer traço de emoção, como se estivesse falando de algo trivial. "Se você não tivesse se arrastado para a minha cama descaradamente, como a doença cardíaca da Sofia teria uma recaída?"
Sua acusação era ridícula, mas eu estava cansada demais para discutir.
A verdade era outra.
Ele dizia que eu era estéril, mas a verdade é que sua mãe me drogou, e essa droga me tornou infértil por anos. Agora, eu estava grávida.
E ele, que se dizia estéril, era o pai.
Tudo era uma mentira. Uma teia de mentiras para me prender.
Assenti obedientemente, com a mão sobre minha barriga ligeiramente saliente.
"Sim, a culpa é minha."
Pedro sorriu, satisfeito com minha submissão. Ele não via o ódio gelado em meus olhos, nem sentia o plano que se formava em minha mente.
Em segredo, eu calculava o tempo. O remédio abortivo que tomei há uma hora logo faria efeito.
Pedro, você não terá o bebê.
E também não terá o meu coração.
Desta vez, eu não te devo mais nada. Nós vamos ficar quites, de uma vez por todas.
Ele continuou com seu discurso cruel, suas palavras perfurando o silêncio do quarto.
"Sofia é tão bondosa, ela nem mesmo te culpa. Ela ainda está preocupada com você, mesmo doente. Você deveria ir se desculpar com ela."
"Me desculpar?"
"Sim. Você a assustou hoje cedo. O médico disse que ela não pode ter fortes emoções," ele disse, seu tom se tornando mais duro, como se eu fosse uma criança teimosa.
Lembrei-me do que aconteceu mais cedo.
Sofia veio me visitar, com seu rosto pálido e frágil. Ela segurou minha mão e disse com lágrimas nos olhos: "Luana, eu sinto muito. Eu não queria que as coisas chegassem a esse ponto. Pedro só está fazendo isso porque me ama."
Cada palavra dela era uma provocação disfarçada de consolo.
Eu simplesmente olhei para ela, em silêncio. Um silêncio que, para Pedro, era uma afronta.
Agora, ele exigia que eu me humilhasse.
Lembrei-me de todas as outras vezes que fui forçada a pedir desculpas por crimes que não cometi. Das noites em que ele me trancou no porão escuro, do jeito que ele me olhava como se eu fosse lixo.
Meu corpo tremia só de lembrar.
"Eu não vou," eu disse, minha voz baixa, mas firme.
O rosto de Pedro se contraiu em uma máscara de fúria. Ele me agarrou pelo braço, seus dedos apertando com força.
"Você vai."
"Eu não fiz nada de errado."
"Luana, você não aprende?" ele rosnou, seu rosto perto do meu. "Você acha que tem o direito de recusar? Você se esqueceu do que eu tenho? Aquele vídeo seu... você quer que todo mundo veja como a grande herdeira da família Silva é depravada?"
Meu sangue gelou.
O vídeo. Ele sempre usava aquilo contra mim. Uma gravação da noite em que sua mãe me drogou, a noite que destruiu minha vida e me jogou neste inferno.
Ele ameaçava expor minha humilhação para o mundo, para destruir o que restava da minha dignidade.
O pânico subiu pela minha garganta, me sufocando.
Eu não tinha escolha.
"Tudo bem," sussurrei, derrotada. "Eu vou."
A satisfação voltou ao rosto dele enquanto ele me soltava. Ele agia como se estivesse me concedendo um grande favor. Mas eu sabia a verdade. Para ele, eu era apenas um objeto. Um corpo. Um coração.
E em breve, eu não seria mais nada.
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