
Vingança da Herdeira Arruinada
Capítulo 3
Houve um tempo em que Pedro não era assim.
Ele era meu protetor.
Quando crianças, ele me salvou de valentões na escola. Ele me segurou e disse: "Não tenha medo, Luana. Eu sempre vou te proteger."
Essa promessa ecoava em minha mente como uma piada cruel. Onde estava aquele garoto agora? Ele havia se transformado neste monstro.
"Pedro," eu tentei, uma última vez, apelando para uma memória que talvez não existisse mais. "Você se lembra da promessa que me fez?"
Ele parou, por um instante pareceu confuso.
Mas então seu rosto se endureceu novamente. "Promessas são para pessoas que as merecem. Você perdeu esse direito há muito tempo."
Naquele momento, a porta se abriu suavemente.
Sofia entrou, apoiada em uma enfermeira. Seu rosto estava pálido, e ela usava um pijama de seda branco, parecendo uma flor frágil prestes a murchar.
"Pedro, não seja tão duro com a Luana," ela disse com uma voz fraca, mas seus olhos brilhavam com um triunfo mal disfarçado. "Ela não quis me assustar. Fui eu que vim na hora errada."
Suas palavras eram como gasolina jogada no fogo.
"Veja?" Pedro se virou para mim, sua raiva crescendo. "Até a Sofia, que está morrendo, te defende! E você? Você não consegue nem ter um pingo de decência!"
Ele não percebia a manipulação dela. Ele só via sua amada Sofia, a vítima inocente.
De repente, ele pegou seu tablet da mesa de cabeceira. Com alguns toques, ele o virou para mim.
A tela se iluminou, mostrando uma foto.
Era eu.
Nua, inconsciente, na cama dele. A foto que sua mãe tirou naquela noite fatídica. A arma que ele usava para me chantagear.
"Já que você não quer se desculpar," ele disse, sua voz perigosamente calma, "talvez isso refresque sua memória sobre o seu lugar."
Ele projetou a imagem na grande parede branca do quarto do hospital.
Minha humilhação, exposta em tamanho gigante para qualquer um ver. As enfermeiras que passavam pelo corredor pararam, olhando com curiosidade. Seus sussurros e olhares eram como facas.
"Olha, não é a noiva do Sr. Pedro?"
"Que sem-vergonha..."
"Dizem que ela se jogou para cima dele. Tão desesperada."
"Ela não se compara à Srta. Sofia. A Srta. Sofia é um anjo."
As palavras deles me atingiram, uma após a outra. Eu me sentia nua, não só na foto, mas ali, naquele quarto, sob seus olhares julgadores. Eu era um animal em exposição.
Sofia observava tudo, um sorriso quase imperceptível em seus lábios. Ela se aproximou de mim, sua voz um sussurro venenoso.
"Luana, seria mais fácil se você apenas pedisse desculpas. Ou talvez," ela olhou para a foto na parede, "você goste da atenção?"
A malícia em seu tom era inconfundível.
Ela estava se deliciando com o meu sofrimento.
Uma raiva cega e primordial tomou conta de mim. A dor, a humilhação, o desespero de anos explodiram de uma só vez.
Eu não era um objeto. Eu não era lixo.
Com um grito que rasgou minha própria garganta, eu me lancei para frente. Não na direção dela, mas na direção do tablet nas mãos de Pedro.
Eu o arranquei de suas mãos e o joguei com toda a minha força contra a parede.
O aparelho se espatifou em mil pedaços, a tela escura silenciando a imagem da minha vergonha.
O som do impacto ecoou no silêncio chocado do quarto.
Uma dor aguda atravessou minha mão. Um caco de vidro tinha cortado minha palma, e o sangue começou a escorrer, manchando o chão branco do hospital.
Pedro olhou para a minha mão sangrando, depois para o tablet destruído, e sua expressão era de pura fúria.
"Você está louca?" ele gritou.
Sofia correu para o lado dele, agarrando seu braço. "Pedro, calma! Ela está ferida! Luana, por que você fez isso? Era só uma foto..."
Sua falsa preocupação era a coisa mais nojenta que eu já tinha ouvido.
Eu olhei para o sangue na minha mão. A dor física era um alívio bem-vindo da dor emocional. Pelo menos essa dor era real. Pelo menos essa dor provava que eu ainda estava viva.
Por enquanto.
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