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Capa do romance VERDADE & PRECONCEITO

VERDADE & PRECONCEITO

Uma cidade calma é abalada por um crime brutal que transforma uma viagem de amigas em pesadelo. Para salvar suas liberdades, universitários enfrentam preconceitos cegos e buscam provar a inocência. Anna e Leniel correm contra o tempo, questionando lealdades e revelando segredos obscuros. Em meio ao mistério e relacionamentos incertos, a luta por justiça exige que a verdade apareça, mostrando que até na escuridão o amor pode surgir como uma forma de redenção.
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Capítulo 2

Ao acordar de manhã, a primeira coisa que Anna olha é para o colchão ao chão do quarto e, para sua surpresa, lá estava Mabel no que parecia um sono profundo. Viu apenas os cabelos cacheados da garota, pois ela estava coberta do pescoço para baixo e dormindo de costas para ela.

Anna sente alivio, porém o alívio dura pouco quando não vê Bruna em nenhum lugar do quarto. Olha o telefone: 6:42 da manhã, levanta devagar, troca de roupa em silencio para não acordar Mabel, liga várias vezes para Bruna, a ligação chamava mas ninguém atendia, então sai do quarto. Vê a porta entre aberta de um dos quartos, dentro, uma mesa com um livro grosso de capa dura preta, vários dados de cores diferentes, vários papeis espalhados, alguns bonecos espalhados, velas de cores diferentes, cheiro de insenso... Anna não sabe por quanto tempo ficou observando aquela mesa, que parecia um tanto macabra, de repente:

“Bom dia”

Ao se virar, vê os olhos grandes de Thomas que segurava uma escova de dentes e estava posicionado no lado oposto ao que ela estava olhando.

“Bom dia. Eu estava distraída e...”

“Já jogou RPG?” interrompeu ele

“Não...”

Anna não fazia ideia do que RPG era, mas pelo uso do verbo “jogar” imaginava que podia se tratar de um jogo.

“Jogamos todas os sábados a noite, se não gostar das festas, pode nos acompanhar”

“precisa de bonequinhos e velas para isso? É macumba?” aquela pergunta simplesmente saiu, sem reflexão previa.

Ouve-se batidas na porta principal da casa.

“a campainha está quebrada” fala Thomas com um sorriso tímido. Passa por Anna, fecha a porta do quarto que a moça observava e desce as escadas, ignorando a pergunta.

Anna caminha até o banheiro, molha o rosto com a água da torneira, se olha no espelho. Pensa no dia que está começando. Pensa no carnaval, no que deveriam fazer antes, no sumiço das amigas... Fazia pouco tempo que conhecia Mabel, inicialmente a achou legal, soube que a moça tinha acabado de terminar um relacionamento longo, mas depois começou a estranhar certas atitudes, como alterações repentinas de humor, em alguns momentos Mabel estava melancólica, até triste, e subitamente parecia estar bastante feliz, até eufórica. Transtorno bipolar? Não sabia... só era estranho isso e o sumiço de ontem. Os pensamentos são interrompidos por batidas na porta do banheiro.

“Anna?” era a voz da Bruna.

Anna abre a porta do banheiro, vê Bruna com roupas diferentes de quando dormiu.

“Onde você estava?”

“Depois te conto”

Na cozinha, as garotas encontram Leniel e Thomas sentados, bebendo café, sonolentos.

“Bom dia” diz Anna. “Tem algo interessante para fazer hoje, antes do carnaval começar?”

“Você diz de manhã? Tem a cachoeira e a trilha que chega até ela, é muito bonito” responde Leniel ainda acordando devagar.

“Hmm... interessente, vou conversar com as meninas pra a gente passar lá” diz.

“Temos prova hoje no primeiro horário, depois estamos livres, se der, damos uma passada lá também” diz Leniel olhando para Anna.

Anna e os garotos passam um tempo conversando sobre a cidade, o festival, elas adicionam os garotos em uma rede social. Até que os garotos precisam ir para a faculdade, se despedem. Estava uma manhã linda de sol, prometendo máxima de 30 graus segundo a meteorologia local. Só bastava saber se Mabel as acompanharia.

Ao voltarem para o quarto, as garotas veem Mabel sentada no colchão, olhando para o celular, expressão bastante assustada. Ao perceber a entrada das colegas, Mabel desliga o celular e repousa o aparelho no colchão, ao seu lado.

“Bom dia, flor do dia” fala Anna descontraída. “Como foi seu dia ontem?” pergunta tentando usar um tom de voz o mais neutro possível, disfarçando a curiosidade.

“É... por aí... fui andar pela cidade e acabei me distraindo... tão bonita...”

“Te procuramos em todo lugar, ligamos... viu as mensagens?” pergunta Bruna, tentando disfarçar a chateação pela falta de resposta dela e achando estranhíssima aquela resposta.

“Fiquei sem bateria. O que você vão fazer hoje?” pergunta Mabel mudando abruptamente de assunto.

Anna e Bruna se entreolham. Para ambas era bizarro aquela garota que estavam conhecendo agora passar aquele tempo todo conhecendo a cidade, mas não tinham intimidade para continuar perguntando e ela claramente não queria falar sobre isso.

“Vamos à cachoeira, quer ir? Talvez os garotos apareçam depois.” responde Anna.

Mabel aceita o convite. Vestiram biquínis e roupas por cima, ajeitaram as bolsas com protetor solar, toalhas, sanduíches, bebidas, celulares, mandaram mensagens para suas famílias informando que estavam bem e foram. Pegaram o ônibus e desceram no ponto orientado pelos garotos, fizeram o resto do percurso que não era coberto por transporte público à pé, após uma caminhada de aproximadamente 30 minutos, chegam à cachoeira. As garotas já tinham visto fotos dela na internet, mas agora, estando lá, parecia ainda mais bonita. As garotas tiram algumas fotos juntas e do local, postam algumas em redes sociais, estendem uma toalha, colocam as bolsas e começam a curtir o dia que prometia ser lindo.

Todas as vezes que as garotas tentavam conversar sobre o dia anterior de Mabel, ela desconversava. Após um tempo aproveitando o sol, comendo os sanduíches e frutas que levaram, os garotos chegam:

“Não entraram na água ainda?” perguntou Thomas descontraído.

As meninas veem Thomas e Leniel se aproximarem com suas mochilas nas costas. Eles se sentam junto a elas.

“Ainda não. O Vítor não veio?” pergunta Anna olhando para Bruna.

“Não, ele cursa direito, vai ter aula o dia todo” responde Thomas. “Vamos entrar na água?” pergunta.

Mabel confirma com um gesto afirmativo de cabeça e olha para Bruna, que também concorda em entrar. Os 3 caminham alguns passos e já estão nas margens da lagoa, deixando Anna e Leniel sós sentados sobre a toalha de picnic. Fica um silêncio incomodativo, até que Leniel tenta quebrar o gelo:

“Então, porque essa humilde cidade e não a capital? Dizem que lá é o maior carnaval da América do sul.”

“Falta de grana mesmo, os gringos vão todos pra lá no Carnaval, ai inflaciona tudo, fica muito caro para estudante, pra conseguir vir pra cá fiz alguns bicos por alguns meses” lamenta ela. “Mas ainda vou passar um carnaval no Rio. Você é de lá?”.

“Não... sou de uma cidade próxima daqui, cidade menor do que essa, mas lá não tem faculdade, aí vim pra cá estudar engenharia. Mas não penso em morar aqui pra sempre, quero morar em uma cidade maior quando terminar a faculdade, conhecer outros lugares”

“Sei como é” diz ela “eu nasci em cidade pequena também, só me mudei pra capital quando comecei a faculdade, você vai para o Carnaval hoje? Podemos ir juntos”

“Hoje tenho jogo de RPG, jogamos todos os sábado, não posso faltar. Eu também não curto muito Carnaval”.

Anna achou um pouco estranho, mas nada disse. Ela o observou enquanto falava e pensou que apesar da aparência nerd, ele era muito, mas muito bonito. Seu rosto era proporcional, os cabelos combinavam muito bem com os olhos e a boca. Era um rapaz tímido, mas bastante charmoso e Anna sentia que o conhecia a muito tempo. Eles continuam conversando sobre suas origens e planos para o futuro, até que os 3 voltam da água. Durante o resto do dia Anna percebe que Bruna olha excessivamente para o celular.

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